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(por Jordan Augusto)
Quem já viveu inserido em alguma espécie de grupo, comunidade, sabe que a convivência não é fácil; viver a dois, a três, a quatro, cinco... Pode ser considerado um verdadeiro desafio. Não é diferente em nossa vida cotidiana e profissional; salvo os profissionais liberais, os que estão inseridos em empresas, em coletivos sistemas de convivência, deve, em sua reflexão, verificar a importância de cada um ao seu redor. Todavia olhar com olhos de ver, ouvidos de ouvir e coração de sentir. O motivo? É simples:
Voltaire disse: “A natureza sempre tem mais força do que a educação.” Cada um, por mais que se eduque, por mais que se torne uma pessoa instruída, carrega em seu interior a sua essência pessoal; que é a sua natureza individual.
Os anos me ensinaram que cada lugar necessita ser ocupado pelo dono daquela posição. Por mais que um engenheiro tenha vocação para a medicina, que goste, que estude à sua maneira, é o médico que se fez médico que consegue atuar bem em sua posição. Isso significa que em nosso convívio diário cada um possui o seu valor por ocupar uma posição. Sempre digo: o que seria do mundo sem os lixeiros? Necessitaríamos de uma readaptação que demoraria toda uma reordenação e, mesmo assim, sofreríamos a falta desta posição. Por outro lado, também é certo que alguns nasceram para mandar, e outros para obedecer. Complicada perspectiva vista pelo ponto de vista humanista, podemos dizer que a distância entre servos e senhores sempre existiu; a história está marcada pelas tantas trajetórias que correspondem às histórias pessoais de cada um e, por conseguinte, corresponde a uma realidade individual – talvez material e talvez espiritual; depende de como o ser enxerga a sua vida.
O que nos constitui como parte de um sistema é exatamente a diferença que ocupamos e o papel que realizamos. Quando entendemos a posição que ocupamos, quando entendemos que ela pode ser melhorada através de nossas atitudes e sentimentos, alteramos a perspectiva que estamos inseridos. Dizem os sábios que a força da mudança reside somente em nós. Richard Bach nos desperta: “Você acha que se disser “impossível” várias vezes, mil vezes, de repente as coisas se tornarão fáceis?”
É aí que transgredimos o momento em que nos encontramos e logramos mudar a história previamente traçada em nosso destino. Contudo, tudo isso só é possível quando giramos junto com a roda da vida, quando entendemos a posição do outro e atuamos em função de uma coletiva engrenagem. Ubaldi diz que “o movimento da vida é o mesmo hoje como foi no passado: a ascensão das classes sociais inferiores. O nivelamento não tem outro sentido. Verificar-se-á uma retração das distâncias, sobretudo formais, mas as diferenças são insuprimíveis.”
Se assim o é, duas pilastras seguram melhor uma tábua, não é mesmo? O Japão só cresceu após ser derrotado na Segunda Grande Guerra porque cada um exerceu bem o seu papel; a sua função. Sabiam da importância da posição do outro e contavam com ela. Foi a força do coletivo que o reconstruiu. Vejamos na história abaixo com o título de “Anjos de uma asa só” – autoria desconhjecida ou ignorada.
“ Lá estava eu com minha família, em férias, num acampamento isolado e com carro enguiçado. Isso aconteceu há 5 anos, mas lembro-me como se fosse ontem. Tentei dar a partida no carro. Nada.
Caminhei para fora do acampamento e felizmente meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho. Minha mulher e eu,concluímos que éramos vítimas de uma bateria arriada. Sem alternativa, decidi voltar á pé até a vila mais próxima e procurar ajuda.
Depois de uma hora e um tornozelo torcido, cheguei finalmente a um posto de gasolina. Ao me aproximar do posto, lembrei que era domingo e é claro, o lugar estava fechado. Por sorte havia um telefone público e uma lista telefônica já com as folhas em frangalhos. Consegui ligar para a única companhia de auto socorro que encontrei na lista, localizada a cerca de 30km dali. - Não tem problema, disse a pessoa do outro lado da linha, normalmente estou fechado aos domingos, mas posso chegar aí em mais ou menos meia hora. Fiquei aliviado, mas ao mesmo tempo consciente das implicações financeiras que essa oferta de ajuda me causaria.
Logo seguíamos eu e o Zé, no seu reluzente caminhão-guincho em direção ao acampamento. Quando saí do caminhão, observei com espanto o Zé descer com aparelhos a perna e a ajuda de muletas para se locomover. Santo Deus! Ele era paraplégico!! Enquanto se movimentava, comecei novamente minha ginástica mental em calcular o preço da sua ajuda. - É só uma bateria descarregada, uma pequena carga elétrica e vocês poderão seguir viagem, disse-me ele. O homem era impressionante, enquanto a bateria carregava, distraiu meu filho com truques de mágica, e chegou a tirar uma moeda da orelha, presenteando-a ao garoto. Enquanto colocava os cabos de volta no caminhão, perguntei quanto lhe devia. Oh! nada - respondeu, para minha surpresa. - Tenho que lhe pagar alguma coisa, insisti. - Não, reiterou ele.
Há muitos anos atrás, alguém me ajudou a sair de uma situação muito pior, quando perdi as minhas pernas, e o sujeito que me socorreu, simplesmente me disse. - Quando tiver uma - oportunidade - passe isso adiante! Somos todos anjos de uma asa só. Precisamos nos abraçar para alçar vôo.
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