quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 

Notícias            


Reconciliação… O que nos prende?...

(por Jordan Augusto)


"Um homem deve manter suas amizades em constante manutenção." (Samuel Johnson)

O que nos prende? O que nos faz afastar das pessoas que amamos? Por que é tão difícil a reconciliação? Creio que esta última pergunta atende, antes de mais nada, a duas etapas: a primeira é a que antecede o momento em que uma das partes tenta a reconsciliação através de um encontro, diálogo, e etc.; e a segunda quando já houve o encontro e as partes não se entendem. Como a segunda não existe sem a primeira, nosso ponto aqui será voltado à primeira fase.

De acordo com o dicionário de língua portuguesa, a palavra reconciliar significa restabelecer o acordo entre pessoas que se tinham malquistado. 2. Congraçar, fazer perder a má ideia que se tinha de alguém ou de alguma coisa. 3. Conciliar (coisas aparentemente opostas). 4. Restituir à graça de Deus. 5. Benzer e consagrar um templo profanado. 6. Absolver (o penitente ou herege arrependido). v. pron. 7. Fazer as pazes com.

Muito bem, principalmente quando o tema envolve duas pessoas - uma relação -, a reconciliação é tema constante nas grandes sociedades. Por experiência própria, por viver situações em primeira pessoa, posso dizer que a reconciliação tem muito a nos ensinar. Novos tempos, novas histórias a serem vividas; novas oportunidades de se fazer o correto, de atender às necessidades de nossas histórias pessoais, e etc.

Recentemente vivi duas siutuações que foram de extrema importância para mim. Obviamente que não citarei aqui o nome das partes envolvidas, mas o que pude perceber é que a grande maioria, envolvida pelos ressentimentos, dores, dúvidas – haja vista chegar um momento que nem nós mesmo sabemos os motivos pelos quais ainda carregamos tais sentimentos -, e tantas outras facetas que envolvem estes momentos considerados por mim mágicos, não se sabe pensar senão fisicamente, com movimentos do corpo e da boca. Evitam a reflexão e, ao contrário, atuam somente por meio da paixão. Adormecem aquilo que seria a chama em meio à escuridão e caminham rumo ao desastre pessoal e emocional.

É somente quando temos a oportunidade de ficar cara-a-cara com a outra parte envolvida que nos deparamos com realidades bem menores do que as imaginadas; fantasmas que não assombram ninguém; verdades e mentiras gritadas aos quatro ventos que nunca existiram, e assim por diante. Em uma relação, todo período de afastamento significa a fase necessária para um reavaliar das questões, um amadurecimento das partes envolvidas... É pena que quase nniguém vê este tempo como o intervalo necessário para o esfriamento das dores, para o amansamento do espírito, o aquietar da alma... Dizem os grandes sábios que pelo princípio das grandes histórias, sejam elas boas ou ruins, a evolução pessoal sempre nos leva à unificação; à um reencontro que promove uma reconciliação, um ajustamento das partes que necessitam estarem unidas.

Passam os anos, as décadas, e percebemos que perdemos demasiado tempo com ínfimas justificativas que, em verdade, não justificam nada diante da grandeza que pode ser o perdão, a convivência, as novas oportunidades... Vejo ser necessária a reflexão que distancia o mundo da primitiva fase caótica do amargor; da manutenção da dor em função de alguma justificativa qualquer... "Não podemos ir longe na amizade se não estivermos dispostos a perdoar os defeitos dos amigos." – disse Bruyére





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