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(por Jordan Augusto)
Dada a transgressão que todos sofremos ao largo dos anos, principalmente dentro das lógicas por nós enxergadas, chega o tempo do bem-vindo. Tempos onde todos são bem-vindos em nossas vidas. Tempo onde, aparentemente, estamos bem, centrados, equilibrados... Reagimos através da circularidade da vida, do destino... Tudo volta ao começo!
Vejo surgir diante de meus olhos uma real medida que a tudo promove; principalmente o entendimento de que nós, agora inseridos em um mundo moderno e tecnológico, já não tendemos mais a lutar, a digladiar com os demais pelas migalhas sociais; tudo ocorre através da rede: o direito – entre aspas – parece ser de todos! Contudo, neste momento ocorre a separação do ser pelo ser. Através da luta e da experiência de cada um este estabelece uma dura caminhada rumo a si mesmo; já não somos mais a escama da sociedade que atravessa e se dilui nas notícias dos jornais; ou simplesmente nas palavras dos poucos intelectuais que são capazes de nos influenciar. Estamos atravessando uma realidade mais flutuante.
Desde que chegei à Espanha vivi momentos inusitados onde percebi que já não existe mais uma só consciência dominante. Tive acesso a muitas informações que se relativaram com o que eu já conhecia. É aí que o ser, aqui “eu”, percebe que o “todo” interior pode se diferenciar e muito do “todo” exterior. É simples: com a sensibilidade nervosa e psíquica, assimilamos novas idéias que nos chegam em momentos apropriados; recebemos o novo porque necessitamos deste novo. Logo, serão inatas as verdades, os novos hábitos que, uma vez assimilados, transformam-se em atitudes para o momento. Abrimos as portas à transformação!
Diz Francis Bacon que "O homem deve criar as oportunidades e não somente encontrá-las." Para mim, ou em meu caso especial, procurei ler todos os novos pensadores que não conhecia. Iniciei uma busca frenética por questionamentos e constatações. É aí que percebemos que estamos receptivos. Todos são bem-vindos! Sempre em relação ao novo temos a sensação de que nós, no passado — espiritualmente falando —, não somos nada senão uma criança tentando brincar de gente grande. Em uma grande maioria das vezes, sofremos ao nos deparar com a pequenês de outros tempos; todavia, surge a boa sensação de acordarmos do sono duradouro de outrora. Percebemos neste despertar que nossas necessidades, vistas pelo ponto de vista da alma, caminha sozinha, coordena seus esforços à medida que todos estabelecem um novo pensar. Somos o resultado de uma série de pensamentos dos demais; ou das circuinstâncias que nos obrigam a mudar. Como dizer que não?
Sempre que olho para trás percebo uma real e incomensurável prisão que nos faz olhar cada vez mais para baixo. Disse Confúcio: "Para conhecer um homem: veja como ele age, descubra o que ele busca, examine o que lhe faz feliz."
Vejamos:
Ésopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia.
Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Ésopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
– Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
– Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando? Como podes afirmar tal coisa?
– Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Ésopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho.
Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
– Meu amo, não vos enganei, retrucou Ésopo.
– A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
– Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?
– É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda a terra.
Concedida a permissão, Ésopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro.
Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:
– Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? –indagou Ésopo.
Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Ésopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo. (Autor Desconhecido)
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