quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 

Notícias            


Ao modificarmos, esfriamos?...

(por Jordan Augusto)


“A memória do coração elimina as más recordações e magnifica as boas, e graças a esse artifício, conseguimos superar o passado.” (Gabriel García Márquez)

Ao modificarmos, esfriamos? Pode ser; ou quem sabe dependa da natureza de cada um. Podemos estabelecer apenas, em vias de perspectivas, se a mudança natural ao longo do caminho esfria ou não uma pessoa. Vejamos em uma das perspectivas:

O ponto a ser despertado reside na forma como estas modificações ocorrem. Quem nunca teve a surpresa de reencontrar antigos amigos e perceber nestes alguma tantas mudanças, diferenças em relação ao passado? É natural pensarmos que o tempo, o crescimento, a vida, e etc., muda as pessoas. Contudo, penso serem muitas mais as circunstâncias e experimentações de hoje que formam o caráter de amanhã.

Para os sábios mais expeirentes nós somos o resultado de vivências recheadas de contradições e constatações. Neste caso, analisando em profundidade, a contradição é dada pelo contraste entre posições diversas, vivências diversas, pensamentos diversos e, por conseguinte, atitudes diversas – uma relação entre você e um outro lado qualquer. Nesta experimentação, ao se deparar com algo que chega em posição contrária à sua, o ser se desperta para uma realidade individual; é obrigado a ver o outro lado - como pensa, como atua... Obviamente que isso fomenta uma reflexão natural, sendo esta contradição muitas vezes o ponto gatilho do deseprero humano, como é o caso das traições, enganos, expectativas frustradas, e etc. O que podemos dizer é que toda constradição, ou todo enfrentamento de forças contrárias normalmente constitui a base da percepção.

Já no caso da constatação, o ser se fortalece em vias de saber, de observar que sua forma de atuar ou mesmo de pensar em relação a algo ou alguém está, de fato, correta. Contudo, isso não é o bastante para a reflexão. A sua consciência, agora em oscilação, momento que antecede a constatação, o conduz a um ponto mágico que lhe ensina, intriga, obriga-o a pensar. Para alguns, representa a onda que sobe e desce em nossos pensamentos; isto é, o plano da consciência que busca, acredita ter certeza, mas não possui a confirmação.

Tanto um como o outro – contradição e constatação -, obviamente, fomentam a modificação naquele que observa a vida; que busca alçar vôos maiores. Por outro lado, a nossa modificação, em geral, é chamada de maturidade – que nada mais é que o aparente resultado das contradições e constatações manifestadas nas atitudes e falas de um ser – pode ser animal ou hominal. Quem observa sabe que esta maturidade pode ser percebida nos animais que vivem histórias semelhantes às nossas. A vida conhecida e experimentada de perto, em primeira pessoa, promove, neste tipo de desenvolvimento, um posicionamento em que o ser consegue estabelecer uma nova consciência, logra se reconstituir lentamente navegando sob uma tensão que tende a se acalmar. Quiçá, sejam nestes momentos que o ser transcenda a fase hominal em que o menino se transforma em homem – digo em consciência.

Ou podemos dizer que talvez seja aí que reaparecem em sua mente a diferenciação das forças positiva e negativa que agora, mais nítidas, conseguem se organizar na realidade projetada e necessitada por seu espírito – fato que desenvolve o rumo da vida futura. Se a questão é decidir se o ser ao evoluir esfria ou não o seus sentimentos, digo que na maturidade todos nós aprendemos a lidar melhor com estes sentimentos. Uma coisa é certa, aquele que amadurece jamais deve se situar no relativo. Como diz ubaldi: “O homem situado no relativo não pode perceber mais que uma verdade particular e relativa, aproximada e progressiva, mas, justamente por isto, em movimento e relacionada com a outra, que é absoluta e imóvel.”





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