|
(por Jordan Augusto)
A preocupação é uma doença em que cada paciente deve tratar-se a si mesmo. (Voltaire)
Diante de toda esta aceleração dos tempos – ou do tempo -, dos dias, das pessoas, de nossos pensamentos, da informação, e etc., poderia arriscar dizer que estamos, mais ainda, à mercê de nossas ações e atitudes: da divisão gerada por nós mesmos! Quiçá, estejamos verdadeiramente inseridos em um novo contexto de idéias e reflexões, ou mesmo podemos dizer isso em relação a todo este entendimento moderno. “Moderno?” – pegunta alguém ao meu lado.
Sim, moderno! Basta você olhar pelo prisma da tecnologia e interação. A idéia não é falar sobre isso, mas traçar um paralelo entre o convencional que agora assume outra perspectiva e todos nós - cada vez mais inseridos nestas individuais pespectivas. A verdade é que caminhamos de tribo em tribo, de confrarias em confrarias, ordens, seitas, religiões... E, em seguida, penso: precisamos disso. É do ser essa necessidade de se sentir seguro. Afastar o perigo imaginário que parece nos rondar de minuto a minuto nos ameaçando com o emprego, com o matrimônio, as amizades, dinheiro, dívidas... A questão, que pode se resumir em saber continuarmos a realizar o impossível - como super-homem, ou o herói preferido -, nos direciona às cargas que parecem nos tornar a cada ano menores de tamanho. Diminuimos a estatura, tornamo-nos mais abrasivos e estressados na vida cotidiana, e podemos, sem dúvida alguma, ainda assim, dizer que temos uma boa vida.
É a prova que nos impele a vida, que nos obriga ao esforço de nos erguer, de voltar à estaura normal, como consciência, como alguém que não seja um “vegetal-social” – têrmino que uso para me referir ao estado vegetativo e repetitivo que vivemos. Qualquer um pode perceber que ultrapassamos a marca do ano dois mil adentrando neste novo milênio montados em um ritmo sobre-humano de velocidade, estress, cobranças, onde, ao que me parece, tempo é dinheiro. Sim, tempo é dinheiro, e a saúde?
Inevitavelmente depois de uma pergunta destas, surge a retaliação subjetiva ao dinheiro: o que representa a saúde neste contexto? O ser de agora, diferentemente de nossos avós, e etc., joga com as realidades financeiras como se isso, verdadeiramente, fosse o mais importante. Uma grande quantidade se mantém através de uma malha imaginária que se mostra em forma de tensão nervosa, esgotante, que atravessa o dias como refém de bancos, agiotas, financeiras... Por mais que estejamos vivendo um tempo de fogo, haja vista que consumiu a todos em uma – entre aspas – dita crise financeira, não é difícil pensarmos que somos uma recorrente inércia de um desejo de acúmulo; de uma geração que tudo pode. Aos olhos da compreensão tudo isso possui uma explicação e sempre encontraremos motivos que a justifique. Assim sendo, tudo é correto!
Disse Elvis Presley: “Sr. Presidente, você tem um show pra fazer e eu também.” - Obs.: Parte da conversa entre o presidente dos EUA e o Rei do Rock n roll durante seu encontro histórico.
No final dos tempos, quando verdadeiramente olharmos para nosso umbigo, veremos que tudo é um show; ou que tudo não passou de um show!
|