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(por Jordan Augusto)
“Aquele que está satisfeito com sua parte é rico.” (Lao-Tse)
Perguntam-me durante uma explicação se eu acredito no destino. “Sim, o destino se mete em nossas vidas!” – digo. Pelo menos na minha vejo isso ocorrer todos os dias. Recordo-me no passado que um professor, ao dizer acerca da vida, do destino, e das relações que exercemos com os demais, foi enfático: “temos de ter olhos de ver, ouvidos de ouvir, e coração de sentir!”
Toda esta relação exercida, primeiramente de si para si e, por conseguinte, de si para os outros, remete-me ao princípio ativo do despertar para a razão que se baseia na natureza fundamental dos seres e coisas. Lao-Tse diz: “O que dá valor a uma xícara de barro é o espaço vazio que há entre suas paredes.”
Muito bem, se seguirmos por esta via veremos que as nossas relações cotidianas, ainda que estabelecidas por algum tipo de sentimento, só perduram quando estão inseridas em nosso destino pessoal. Isso quer dizer que os nossos sentimentos, sustentados somente por eles, podem se equivocar, desgastar-se, mudar de cor, de perspectiva... É o ponto que despertamos para o raciocínio de que a verdade que procuramos, ou que acreditamos existir – em observação pessoal -, está além da forma.
Se o destino é capaz de interferir em nossas vidas, se as realidades podem ser obtusas, a verdade condicionada está sujeita à mudança, e assim, podemos quase afirmar que nenhuma verdade inserida na roda do tempo - isso observada apenas pela limitada visão humana - pode ser absoluta. Segue Lao Tse: “Aprecie todo o branco que há ao seu redor, mas recorda todo o negro que existe.”
Isso significa que os opostos em relação à vida, ao destino, são complementares; atuam sempre por via de expansão e direção. De um lado nós; de outro os acontecimentos. Como não dizer que está aí uma das perspectivas da evolução? Ou no caso do destino, a aceitação? Enquanto perseguirmos o destino, as relidades, os outros, ou mesmo nossos objetivos apenas pela visão pessoal, individual, estaremos sujeitos às intempéries do caminho. Na harmonia gerada pela a aceitação, mesmo diante de algo ruim, existe a compreensão de que aquilo – referindo-me a pessoas, lugares, acontecimentos, e etc., - existe por algum motivo em especial: a roda pequena que faz girar a roda grande!
Podemos dizer de outra forma: enquanto perseguirmos nossas vidas apenas com as realidades que projetamos, sem aceitar a vontade oposta, será difícil reconhecermos aquilo que buscamos. Tal fato se dá devido a expansão da expectativa que projeta o acontecimento somente pela via positiva, e não pela condição que geramos entre positivo e negativo ao girarmos a roda da vida. É difícil alguém caminhar com equilíbrio utilizando somente uma das pernas, não é mesmo?
Em verdade buscamos através da exigência involuntária, ou imaginativa, uma – entre aspas - felicidade superficial e, por trás disto, impossibilidade de satisfação. É aí que os sábios explicam o grande problema atual: quanto mais temos, mais insatisfeitos no sentimos, transitamos por uma via que fomenta a ausência de um sentido de moderação. Deixamos de conhecer o caminho do meio, principalmente em relação à interferência do destino, quando escolhemos somente uma das extremidades; quando calibramos nossas forças somente em uma direção. Veja bem: atuar pelo bem não significa excluir o mal, mas saber que ele pode sinalizar uma realidade que necessita ser equilibrada.
“A bondade em palavras cria confiança; a bondade em pensamento cria profundidade; a bondade em dádiva cria amor.” (Lao-Tse)
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