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(por Jordan Augusto)
Costumo dizer que uma mente desnorteada é algo verdadeiramente perigoso. As vias de ocupação de uma mente que enxerga através da ilusão não atendem aos empíricos movimentos necessários da reflexão. Por outro lado, não é de hoje que as mentes menos preparadas promovem os tantos desencontros através de informações, na maioria das vezes elucubrações que nada têm de concreto com a real vigência do momento.
Muitos dos casos estabelecem uma conexão diferente entre protagonismo e antagonismo, o que, por sua vez, estabelece novos rumos nestre horizonte elucidativo. O problema está na fase que aciona através dos gatilhos os sentimentos que “startam” os impulsos do sistema mental que identifica e, por conseguinte, associa. Ora, não são poucas as vezes em que alguém diz uma única palavra e esta toma proporções incomensuráveis do entendimento, passando de pessoa para pessoa, de boca a ouvido quase sempre adulterada e aumentada. Alguém que espirra no Brasil e a informação chega como tentativa de homicídio no Japão. Ou em outras palavras, podemos classificá-la como a teoria de causa e efeito: "Toda a Causa tem seu Efeito, todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei." Referência de Isaac Newton.
Contudo, o ponto aqui salientado faz referência à projeção que a mente é capaz de executar por um simples imaginar e fazer desta imaginação uma verdade. Se soubermos abrir as janelas que fomentam o conteúdo de nossas verdades, provavelmente seremos inundados por essa ilusão a ponto de a transformarmos em verdade. Complicado, não? Pode ser mais simples se entendermos que a mente em seu estado natural é capaz de nos instruir nos instantes em que somos sinceros conosco. O primeiro passo da expansão se dá através da identificação ou associação. A mente, que não é a mesma coisa que consciência, estabelece os mecanismos de reconheciemnto daquilo que imaginamos. Logo, sem a interferência da consciência, tais ocorrências aparecem como uma realidade inquestionável. Ou seja, os vazios que foram preenchidos pelo “imaginar”, “Achar que”... E tantas outras formas e caminhos, fornecem uma impressão, consequência de uma percepção distorcida, que se torna palpável - resultado de nosso estado alterado de consciência que promove o eixo insuflado do ego em forma de expansão exterior.
Quem não conhece a história do amigo que ao finalizar um negócio diz ao outro: “Você é um rato!” O amigo pensa, pensa, e chega a conclusão que o rato come queijo; o queijo vem do leite; o leite vem da vaca; a vaca é mulher do boi; o boi é chifrudo... Então diz: “Chifrudo é a mãe!”
O problema é que esta simples associação, na maioria das vezes, ocorre cotidianamente de maneira negativa incrementando os caminhos do mal. Ela se baseia em alguns princípios fundamentais como o egocentrismo e a liberdade. Para os mais experientes tudo é uma questão de libertar a mente das ilusões que fomentam somente o abstrato. Para os sábios, a real condição é empírica e não nos oferece espaço para elucubrações. Obviamente que já neste caso tudo depende de como cada um entende por observação. Vejamos em uma história que recebi por e-mail:
“Estas leis não tornam melhores as pessoas”, disse Nasrudin ao Rei; “elas devem praticar certas coisas de forma a sintonizarem-se com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente.”
O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade – e o faria. Ele poderia fazê-las praticar a autenticidade.
O acesso a sua cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o Rei ordenou que fosse construída uma forca.
Quando os portões foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o Capitão da Guarda estava postado à frente de um pelotão para averiguar todos os que ali entrassem.
Um édito foi proclamado: “Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Se mentir, será enforcado.”
Nasrudin deu um passo à frente.
“Aonde vai?”
“Estou a caminho da forca”, respondeu Nasrudin calmamente.
“Não acreditamos em você!”
“Muito bem, se estiver mentindo, enforquem-me!”
“Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!”
“Isso mesmo: agora sabem o que é a verdade: a sua verdade!”
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