quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 

Notícias            


Equívocos... Nos tempos da razão!...

(por Jordan Augusto)


Muitos dos que chegam até mim pensam que se equivocaram, julgaram com antecedência os fatos, e etc., – todo este discurso que na verdade a única coisa que tenta dizer é que se precipitaram. Quem nunca o fez? Que atire a primeira pedra quem nunca julgou sem conhecimento de causa. Mas não vejo ser este o problema, e sim persistir em um erro simplesmemte por querer confundir, descentralizar a condição da força do outro... "Confessar um erro é demonstrar, com modéstia, que se fez progresso na arte de raciocinar." - disse Jonathan Swift.

A vida constantemente tem me agraciado com reencontros, amizades que pareciam estar perdidas, pessoas que gosto e que agora, mais lúcidos e menos adormecidos, também pensam que o melhor da vida é viver de acordo com as próprias verdades. Tudo começa e termina em nós mesmos. Mais do que nunca penso que o “eu” que carregamos é uma escada que se prolonga ao infinito. Não existe força maior do que aquela que estabelecemos a partir de nossa própria consciência. Alguns dizem: “ (...) é que todos diziam...” Obviamente que todos dizem; afirmam, jogam com as virtudes alheias simplesmente por se incomodarem. Parasitas de plantão estão sempre a dizer que, em verdade, ouviram, mas que sempre desconfiaram que era mentira. Pela via da estratégia pessoal, haja vista nenhuma ser melhor que a verdade, penso que a caravana passa, verdadeiramente passa e, como disse Ubaldi: “quanto mais avanço, mais vejo nas margens da estrada coisas maravilhosas.”

Foram muitos os anos em que eu fiz do ódio e da raiva o ponto de ação de minhas reflexões. Nem é preciso dizer que tais sentimentos não se sustentam e, contrariamente a isso, freiam os passos daquele que busca progredir, até, por fim, atolá-lo na estagnação de suas idéias. Em todo ser pequeno reside o receio de que o seu semelhante seja maior do que ele. Interpérie interior que fomenta cada vez mais a infelicidade, realmente tenho pena por saber que será difícil reorganizar as idéias e sair adiante neste munhdo cruel e polarizador.

São muitos os que jamais se esquecem das acusações; caminham sempre por via da vingança e desforra – vejo isso todos os dias na Europa. Principalmente na era da internet, deve-se estar muito certo do que vai dizer aquele quem se julga acima dos demais, pois todos estarão vendo do que é capaz. Dizia Rui Barbosa que "O delírio dos erros incuráveis acerba-se com os embaraços opostos pela razão."

Vejamos:

Chuang era um poderoso duque do século IV a.C. Governava um distrito que no passado havia prosperado bastante. Mas, desde que Chuang assumiu o governo, os negócios tinham-se deteriorado e sempre era comparado ao seu antecessor. Confuso o Chuang dirigiu-se as montanhas para aconselhar-se com um velho sábio. Chegando lá encontrou-o sentado contemplando o vale. Demoradamente explicou-lhe sua situação e angustia e aguardou com ansiedade a resposta do mestre. Mas não houve uma só palavra, em vez disso apenas um pequeno sorriso e um gesto para Chuang acompanha-lo. Silenciosamente caminharam até que as águas do rio molhassem seus pés.

A outra margem ficava distante e não podia ser vista, tão largo era o rio. Depois de olhar as águas, o mestre preparou uma fogueira. As labaredas subiam altas quando o mestre fez com que Chuang sentasse a seu lado. Ficaram ali sentados por longas horas, enquanto o fogo queimava, brilhante. A noite veio e se foi. Na aurora as chamas já não dançavam mais. O mestre pôs se a falar: "Agora entende por que é incapaz de fazer como seu predecessor fez para sustentar a grandeza de seu distrito?"

Chuang olhou-o perplexo. Sabia tão pouco quanto chegara, sentia-se envergonhado por não ter aprendido a lição. "Grande mestre", disse, "desculpe a ignorância. mas não consigo alcançar sua sabedoria". O mestre pacientemente falou-lhe: "Reflita, Chuang, sobre a natureza do fogo que queimava à nossa frente. Era forte e poderoso. Suas chamas subiam, dançavam e choravam, como se vangloriassem-se de algo. Nenhuma grande árvore ou animal poderia igualar essa força. Com facilidade, poderia ter conquistado tudo ao seu redor".

"Em contraste, Chuang, considere o rio. Começou como um pequeno fio nas montanhas distantes. às vezes rola macio. Às vezes rápido, mas sempre navega para baixo, tomando as terras baixas como seu curso. Contorna qualquer obstáculo e abraça qualquer fenda, tão humilde é sua natureza. A água dificilmente pode ser ouvida. Quando a tocamos, percebemos que ela dificilmente pode ser sentida, tão gentil é a sua natureza". "No final o que sobrou do que foi todo poderoso? Somente um punhado de cinzas. Por ser tão forte, Chuang, ele destrói tudo à sua volta, mas também se torna vítima. Ele se consome em sua própria força".

"O rio não, ele é calmo e quieto. Assim, ele vai rolando, crescendo, ramificando-se, tornando-se mais poderoso a cada dia em sua jornada em direção ao imenso oceano. Ele provê a vida e sustenta a todos." Depois de um momento de silêncio, o mestre volta-se para o duque. "-Da mesma maneira como a natureza, isso ocorre com as pessoas. Há aquelas que são como fogo, poderosas e autoritárias. Há também os que são humilde como a água, donas de uma força interior de grande alcance e capazes de capturar o coração das pessoas. Aquelas não constroem. Estas trazem uma primavera de prosperidade para suas províncias". E continuou o mestre : "Reflita, Chuang, sobre o tipo de pessoa e líder que você é. Talvez a resposta para seus problemas esteja aí".

Como um feixe de luz, a verdade se acendeu no coração do duque. Chuang ergueu os olhos. Tendo deixado seu orgulhos de lado, ele agora só via o nascer do sol, do outro lado do rio. (Autoria desconhecida ou ignorada)





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