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(por Jordan Augusto)
"Quem teme sofrer já sofre o que teme." (Michel de Montaigne)
Diz-me um grande estudioso que estamos vivendo momentos de intensas tormentas sentimentais; cada vez mais se abarrotam os consultórios médicos de pessoas que, simplesmemte, sofrem. Poderemos dizer que o mundo, pelo ponto de vista da sociedade em si, há tempos pediu concordata; tenta se reestruturar através das novidades e renovações, mas e o ser humano? Tive a oportunidade de participar de uma palestra onde o protagonista afirmava que o mundo está muito melhor e que o ser humano já não sofre mais. Quanto ao mundo estar melhor ou pior, isso depende do ponto de vista; no entanto, quem consegue nos convencer que não existe mais o sofrimento?
Uma frase de autoria desconhecida nos desperta para um ponto: "Sabemos sempre quem nos fere, mas nem sempre sabemos a quem ferimos." Quiçá, esta realidade que atende a uma visão unilateral, mostre-nos que a perspectiva projetada pelo ponto de interação entre nós e o mundo fomenta o todo a partir de um único e curioso ponto de equilíbrio: sentimento. Todos necessitamos dele. O cientista, o engenheiro, o médico, o agricultor... Sem ele nada existe! Quem em real sanidade é capaz de dizer que é, verdadeiramente, feliz sem um argumento que o sustente? Muitos de nós nos baseamos inteiramente na fase reconstrutiva da observação apenas pelo ponto ilusório sustentado por algum ideal ou religião. A questão é que vivemos etapas recheadas de ciclos positivos e negativos; em geral, em real condição de raciocínio, nós não aceitamos a primeira impressão que a vida requisita ao espírito: evolução!
Se este é o ponto de maior impacto, tudo o que vivemos não será nada mais do que transitória condição observação e, por conseguinte, reflexão em busca de progresso pessoal e espiritual. Ora, está mais do que claro que o fenômeno humano se equilibra em uma consoante de perfeita lógica. Para os sábios, toda este real descompasso que vivemos nada mais é que uma tentaiva de nos enquadramos na sincronia universal; um mecanismo voluntário – nossas ações - de remodelar a consciência segundo uma natureza mais potente.
É por isso que os sentimentos funcionam como o combustível necessário para queima da glicose necessária em função desta mesma sincronia, agora em forma de vibrações. Logo, alguém me pergunta: mas e o desapego? Por que ele é importante? Pietro Ubaldi diz que “o desprendimento é uma inaptidão da consciência para responder a certas vibrações estabilizadas em vastíssimos períodos de evolução biológica e um adestramento para responder a vibrações mais sutis e mais elevadas.” Já os Budistas acreditam que a primeira nobre verdade do Buda é a experiência de sofrimento. A segunda é que a experiência de sofrimento surge das emoções perturbadoras. Há causas físicas e causas mentais, mas a causa maior está nas emoções perturbadoras. A terceira nobre verdade é que a experiência de sofrimento pode cessar na mente. A quarta nobre verdade é que há um caminho para a cessação do sofrimento e este caminho é reconhecer a realidade como ela é.
Muito bem, por este viés, quem é capaz de dizer que nunca foi refém do sofrimento? Este é o ponto: sua razão, independente da origem – sentimental, religiosa, filosófica, social, moral... –, sustenta sua real impressão deste sofrimento?
Seja qual for, em um raciocínio em primeira pessoa, penso que tudo inicia e termina em nós mesmos. O Dalai Lama - na Conferência de S.S. o XlV, abertura do Simpósio sobre a Ciência e a Mente na Universidade de Lisboa - 28 de novembro de 2001, diz que “os objetos físicos surgem sob o domínio de causas e condições, as partículas de espaço são seu aspecto mais sutil. A motivação e a mente criam a luminosidade que é a forma verdadeira dos objetos. Motivação e ação mental produzem o ser e o deixar de ser. Tudo se origina permanece e cessa via esta interdependência.”
E nisso tudo, se assim podemos dizer, estamos nós... Presos, libertos, conscientes, adormecidos... Mas todos, sem nenhuma exceção, remanescente de alguma forma de sofrimento.
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