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(por Jordan Augusto)
"Quem entender a maior irrealidade dará forma à maior realidade." (Hugo von Hofmannsthal)
Dada a proporção da realidade que é nos apresentada pelos nossos cinco sentidos, podemos dizer que é a mente sim, aquela que codifica, que entende e que estabelece o código apropriado, movimenta-se pela via da associação das coisas que surgem em nossa frente. São muitos os que se projetam através da imaginação e tornam isso real em seu cenário pessoal. Há anos que todos os dias reservo um pequeno horário para minhas práticas meditativas. Em um destes momentos vi certa a afirmação de que pode surgir na mente de todos nós a idéia do mundo, das pessoas, do momento, das atitudes estarem erradas... Tudo está errado? Ora, o que nos faz pensar que somente nós temos razão, ou fazemos uso desta?
É natural neste momento pensarmos em nos afastar de tudo e de todos e vivermos reclusos em algum local isolado. Da mesma forma que o cheio necessita se esvaziar, o vazio logo precisará se encher. Sabiamente os mestres nos indicam a reflexão com meio de observação de si mesmo. Para muitos, essa atitude é um obstáculo, uma interpretação equivocada. Contudo, é na auto-observação que o ser se atenta aos detalhes que compõem a sua personalidade. Pelo menos em meu entendimento, a verdade que corresponde à reflexão, sucede o instante em que a mente repousa no silêncio da quietude; por conseguinte, o objetivo da meditação é chegar a um equilíbrio que não cesse quando retomamos as atividades.
Esaú Wendler disse que a "Realidade é o pesadelo do mundo dos sonhos." O problema não é nos depararmos com a realidade, mas como inserimos esta em nosso contexto de observação. É simples: enganamo-nos quando criamos mecanismos de defesas constra nós mesmos. No caso da meditação ou reflexão, as consequências geram uma estabilidade ilusória a partir de estados mentais artificialmente produzidos; despertam os mestres: isso não é estabilidade!
Aquele que foge da realidade não sabe se decidir quando enfrenta a si mesmo, a essa transformação que implica afrontar a própria imagem interna e externa; logo, ser capaz de abandonar as armas de ataque e defesa soa-lhe aos “ouvidos da consciência” como perigo. Para os mais estudiosos é o momento em que ele teme ficar desarmado, sem proteção e, por sua vez, encontrar-se em uma posição irreversível: pensar que significa seu fim - realidade inevitável.
Muito bem, no íntimo das imagens projetadas por nós, a realidade desconhece o cenário que foi criado pela ilusão –seja ela mecanismo de defesa ou não. Por outra perspectiva, diz Byron Katie: "Quando paramos de lutar contra a realidade, a ação torna-se simples, fluida, e sem medo." Conseguir manter a mente em um posicionamento estável – sem ser capturada por si mesma - é habilidade rara e preciosa. Todavia, quando me perguntam – como recentemente no curso de inverno – acerca das inconstâncias de nossas reflexões, digo que apesar de frágeis e transitórias, as reflexões em via da consciência que tateia, busca e em seguida encontra; a estabilidade condiciona tudo o que desejamos na ilusão. É aí que devemos, também, refletir que a ilusão quando adornada pela realidade, ainda que artificial, promove ao ser a condição de diferenciá-las. "Entre o infinito do ideal e o concreto do real há um abismo." (G. W. F. Hegel)
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