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(por Jordan Augusto)
Vida... Em parte nos parece favorável afirmar que demasiado conhecimento sem utilização resulta em acúmulo e confusão – jamais em sabedoria. No entanto, em melhores reflexões poderíamos até afirmar que o todo não é nada sem aquele que o percebe e – entre aspas -, o sustenta através deste mesmo percebimento. "A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante." - disse Juan Luis Vives.
O ponto é: até onde podemos ir? Os antigos diriam que na vida podemos tudo, desde que estejamos dispostos a assumir as consequências. Pode ser, mas por outro lado, atravessamos um momento em que parecemos ir em busca de um único objetivo que nos direciona para o possuir; logo, podemos dizer que para isso o homem é o meio: aí nos encontramos! Eis que as condições de cada um se diferem em causa, princípios, posses, influências... Bons tempos em que o homem era medido pelo seu valor moral. Muito bem, em uma sociedade que exige tais atributos, quem não os possui é usurpador; “atua por meio das oportunidades e deseja o que é dos demais” – palavra de alguém importante da sociedade.
Se assim o é, e analisando minha posição, nos países de primeiro mundo, em posição de equilíbrio instável, o imigrante ocupa uma destas posições. O que fazer? Sendo imigrante em um país europeu e, dito de primeiro mundo, percebo que está certo Alexander Lowen quando diz que "Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade."
A cada ano que sigo aqui tenho a certeza de que o fenômeno da civilização se estabelece a partir das redes de tendência; toda esta questão da “grande bolha imobiliária” – como foi chamada na Espanha -, e tida como a principal causadora de uma crise que ainda abala a todos, estou certo de que vivemos uma realidade insustentável e projetada por meios das ilusões dos sonhos gerados pelas imagens, propagandas, e etc. Seguimos com o mesmo cenário de outrora que estabeleceu-se a partir do interesse, as condições do ir e vir. Como não dizer que ainda seguimos assim? Em outros tempos, foram muitas vezes que eu disse “se eu pudesse”... Hoje vejo que não é a frase mais apropriada; e sim: “quando eu puder.”
Entretanto, toda vida requer uma orientação que estabelece seu direcionamento a partir de uma bússola que se movimenta de acordo com as necessidades de cada um. Falamos em justiça, em sociedade, revoltamos, lutamos, revolucionamos nossos sentimentos e, por conseguinte, quando passam os anos, percebemos que nada verdadeiramente importa. "É o medo o mais ignorante, o mais injusto e cruel dos conselheiros." – disse Edmund Burke.
Sentado na poltrona de minha casa vejo, pela janela, que a vida não sorri da mesma forma para todos; pode-se dizer em profundidade que não utiliza a mesma técnica regeneradora que todos acreditam através da esperança; não atua da mesma forma quando o tema repercute em nossa individualidade. Muitos dizem “se eu pudesse...”, outros gritam “eu posso!”, “eu sou!”... Creio que eu também diria que o indivíduo, segundo o grau de entendimento, compreende que escrevemos e participamos de histórias diferentes a cada dia, ano, mês, década... Interpretamos de maneiras distintas os mesmos sonhos... Sucessivamente tomamos parte de tantas unidades múltiplas que cada vez mais nos vemos inseridos em perspectivas infinitamente vastas e complexas: pobres de nós! Se pudéssemos....
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