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(por Jordan Augusto)
"A mentira é sempre grave por ser a perversão de um ser que é feito para dizer a verdade." (Germain Barbier)
Isso só ficou claro para mim depois de muitos anos e, principalmente, ao me deparar com inúmeras adversidades. Recentemente, em uma conversa com um querido amigo e aluno de Portugal acerca das verdades e mentiras que surgem sobre todos, famosos, não famosos, desafetos, críticas, e etc., uma coisa me chamou a atenção: "O que faz mal não é a mentira que passa pela mente, mas a que nela mergulha e se firma." Esta frase, originária de Francis Bacon, é capaz de nos remeter a inúmeros pontos de reflexão.
Em um deles, como todos os jogos têm regras próprias, do momento em que estamos inseridos em um contexto e, este contexto nos exige um melhor pensar, atuar, cada dinamismo, técnicas, fenômeno, seja ele individual ou coletivo, possui reais e ilusórias encruzilhadas: tudo depende unicamente de você. Isso signifca que se em sua história pessoal você é o protagonista e o escritor, é somente você quem pode estabelecer o que é ou não é em sua vida. É aí que os sábios falam que as mentiras só se tornam verdades se a gente acreditar nelas. Entretanto, nada é tão fácil assim. Compreende-se, isso em visão pessoal e individual, uma necessidade de disciplina reguladora que adverte e estabelece os limites entre este real e este imaginário. O fato de alguém acreditar em uma história ruim a seu respeito não torna esta pessoal alguém indesejável; quiçá, por meio das circunstâncias esta esteja adormecida – o que é normal. Vencer no caso do sucesso significa primeiramente suportar; tornar-se melhor ainda que os demais; ser mais forte, voar mais alto, ver mais longe... Toda reflexão e, por conseguinte, revolução interna e biológica, exige-nos um real pensar. Todos nós sabemos que a sociedade nunca foi uma instituição segura em sua justiça ou honestidade, haja vista ser paupérrima a relação consigo mesma. No entanto, o importante aqui é você inserido neste universo.
Por este viés, estamos todos atolados em um mar de lama onde governam os ignorantes e desinformados que, cada vez mais, atuam com um único objetivo: chamar a atenção. Pietro Ubaldi diz: “O conjunto imenso de todas as formas coordena-se em hierarquia; a rede de todos os impulsos, em sistemas dinâmicos; e o feixe de todos os princípios, na Lei. Tudo é ligado, sensível, correspondente. Não se podem evitar as proporcionadas e precisas reações a todos os movimentos. Tudo ecoa e repercute em cadeias de ações e reações.”
Há tempos que utilizo como mecanismo interno a auto-reflexão; para alguns a via que estabelece o mecanismo de crescimento que possibilita uma real visão acerca de si e dos demais. Pode ser até que em alguns instantes tudo pareça desagregado daquilo que entendemos como mecanismo; logo, o homem que é livre, parece transitar em uma estrada onde os recursos são escassos e as realidades inalteráveis. Será? No caso da internet, todos são livres para atrair sobre si todas as dores que quiserem; contudo, é a maneira com que você lida com estas realidades que torna você alguém grande ou pequeno. A antiga geração lutou por uma liberdade de expressão; gestos, atividades... Logo, percebemos que esta nova safra de pessoas, sendo também livre, flutua sobre uma liberdade que é dinâmica em confundir a si e os demais. Joga-se com as verdades como se estas fossem dados; cartas de qualquer baralho onde a sorte parce não existir. Talvez seja esta realidade projetada através da internet um jogo de azar, onde somente os mais astutos vencem. Será? "Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia; mas uma meia mentira não será nunca uma meia verdade." - disse Jean Cocteau.
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