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(por Jordan Augusto)
Chove em Valencia, sentado observando os alunos se movimentarem no Dojo, penso: todos nós em algum momento deixaremos de existir, por que perder tempo? Sofrer? Do lado de fora observo “Maggy”, a linda cachorra cruzada com raposa que a todos agrada com seus olhos, um azul quase branco, o outro marrom; corre de um lado para outro e, de alguma forma, constrói o nosso momento. Quando acaba o dia tudo isso passou, não voltará jamais a acontecer... O presente não existe mais: é um lapso no tempo de nossa existência. Nossas razões precisam atender a outras mais sérias. Chesterton diz: "Uma das grandes desvantagens de termos pressa é o tempo que nos faz perder."
Passam os anos e cada vez mais tenho a certeza de que nada que diminui vale à pena; já não tenho mais tempo para coisas pequenas... O homem comum, penso eu, aquele de vistas curtas, de pequenez aparente, pode a seu tempo e verdade interna crer em tudo que lhe for conveniente; aceitar ou não a vida da forma que esta lhe apresentar... Transitamos em meio ao caos a que só a nossa vontade pode reconhecer... Penso: antes desejava tudo isso; e agora? Logo percebo: estou em meio ao vazio! Percebi que durante muito tempo tentei me defender de algo que não existia. Nenhuma porteção pode ser mais eficiente do que aquela que te protege de você mesmo. Refinar a auto-imagem que projetamos através dos demais, nada mais é que uma busca por elogios, impressões que nem todos pode ter. Quando nos encontramos neste vazio tudo isso se desintegra. "Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem." – disse Marcel Proust.
Além dos momentos que observei, alunos, Maggy, todos se desintegraram a partir do momento que vi a mim mesmo. Os equilíbrios da vida e a lógica do progresso impõem a todos nós a reflexão imediata quando nos sentimos caídos, não é mesmo? Nada mais é que a busca por dominar a consciência que acusa, que consola, que se encontra e se perde... Tardam-se alguns anos em perceber que tudo se encontra na sincronia e dessincronia do momento. Há tempos que percebo que nada na vida ocorre sem uma razão prévia, em muitos casos criada por nós mesmos; isso me leva a crer que nenhum passo é inútil, nada se desperdiça e tudo tende organicamente para determinado objetivo. No LIVRO TIBETANO DO VIVER E DO MORRER – Sogyal Rinpoche, este nos ensina que tudo pode estar a convite da reflexão, meditação: “aos poucos você se transformará no mestre de sua própria bem-aventurança, o alquimista de sua própria alegria, com todas as espécies de medicamento sempre à mão para elevar, incentivar, iluminar e inspirar cada respiração e movimento seus. O que é um grande praticante espiritual? É alguém que vive sempre em presença do seu próprio eu verdadeiro, alguém que encontrou e usa sempre as fontes da inspiração profunda.”
“No deserto da Síria, Satanás dizia aos seus discípulos: “o ser humano está sempre mais preocupado em desejar o mal aos outros, que em fazer o bem a si próprio”.
E para demonstrar o que dizia, resolveu testar dois homens que descansavam ali perto.
“Vim realizar seus desejos”, disse para um deles. “Pode pedir o que quiser, que lhe será dado. Seu amigo receberá a mesma coisa – só que em dobro”.
O homem permaneceu em silêncio por longo tempo.
Finalmente, disse:
“Meu amigo está contente, porque terá sempre o dobro, seja qual for meu desejo. Mas consegui preparar-lhe uma armadilha: o meu pedido é que você me deixe cego de um olho”.” (retirado do site de Paulo Coelho)
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