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(por Jordan Augusto)
"Tudo se transforma, nada morre." (Ovídio)
Ponto mágico determinado por alguns como “queimar a ponte” ou memso “cruzar a linha”, transgredir representa muito mais do que pensamos ou imaginamos. Se consultarmos o dicionário veremos que transgressão é uma referência apenas a um ato de transgredir; fração, !infração. Pela via da observação e evolução, transgredir significa ultrapassar um etapa, iniciar um novo ciclo, e etc. Todavia, existe um ponto curioso: transgredimos quando caminhamos de maneira individual ou coletiva?
Em vias distintas o indivíduo enfrentará distintas adversidades as quais fomentam distintas conclusões e, através deste passo, realiza diferentes atividades em sua história pessoal. Pela via mais profunda, podemos dizer que ambos caminhos promovem, tanto em um quanto em outro, raciocínios opostos e complementares – ainda que direcionados para um mesmo objetivo -, por isso os sábios afirmam que são feitos para se compensar mutuamente.
Ao longo de minhas pesquisas, algumas pessoas diziam que os opostos são sempre sinais de conflito, tendem a se prejudicar. Contrariamente a isso, na cultura oriental os opostos se atraem e em uma ação evolutiva e são reciprocamente indispensáveis. Mergulhando ainda um pouco mais nesta reflexão, encontramos o raciocínio de que o individual pensamento promove uma constância uniforme; isso gera uma linha de construção harmônica em suas idéias. O coletivo exige um novo adaptar de idéias que não lhe pertencem; exige um diferente pensar e atuar; promove uma força interna diferente da individual, haja vista que atua como ferramenta disciplinadora e coordenadora no que se refere a virtudes como tolerância, paciência, aceitação, e etc.
Pelo viés que se refere ao convívio social, é esta força que nos torna capazes de perceber que sem tais virtudes nossos valores individuais se anulam na luta e tendem a caminhar para o isolamento e, por conseguinte, destruição.
Os grandes observadores nos despertam para a realidade de que o individual conceito do “Eu” inserido apenas nele mesmo se torna egoísmo. Move em direções que despertam desejos de conquista e invasão; uma busca pelo perfeccionismo e diretriz imbatível que faz se imaginar melhor que os demais. Ora, pode ser bem simples: tudo que caminha para especialização e aperfeiçoamento cada vez progressivo, ainda que involuntariamente, torna-se separatista. Já o pensamento coletivo atua de maneira contrária: sabe que sua força depende dos demais. Já em uma perspectiva que se refere ao todo, ambos são indispensáveis para a sociedade; para o progresso. Assim, não há o que julgar no outro. Como dizer o que julgar no outro? Como dizer que o ato de conseguir não julgar já não é uma transgressão para os nossos tempos?
Não julgar nada mais é que ultrapassar a linha que divide o “eu” e o “outro”. É viver o momento, a história, o instante e, por conseguinte, seguir, seguir... Sem olhar para trás!
Certa vez um discípulo perguntou ao mestre Joshu:
- Mestre, por favor, o que é o Satori?.
Joshu respondeu-lhe:
- Terminaste a refeição?
- É claro, mestre, terminei.
- Então, vai lavar tuas tigelas!
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