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(por Jordan Augusto)
Respeito... Poucos são aqueles que conseguem se portar bem depois de viver um momento ou instante com alguém. Quem nunca vivenciou o momento em que forma-se uma rodinha para falar mal dos demais? A grande maioria se perde em vãs conversações acerca deste, daquele, da roupa de alguém, do que fulano fez, beltrano... Certa vez disse a uma pessoa: você não está sendo ético. Sua resposta foi: “ninguém vai escutar.” Todos nos equivocamos quando pensamos que a ética, a honra, e demais sentimentos existem somente para as pessoas. O grande Friedrich Nietzsche, quanto a isso, diz algo maravilhoso: "Não é a força do sentimento elevado, é a sua duração que faz os homens superiores."
Quiçá, a profundidade desta frase remeta os que pensam rasteiramente apenas para o instante relacionado ao sentimento; contudo, todo momento, todo instante, pode ser uma alegria ou – entre aspas – uma desgraça. Diz a sabedoria: se você domina sua boca por um único segundo, poderá ter uma vida de fortuna; do contrário ela o devorará! Depende apenas de como nos movimentamos externa e internamente quando estamos inseridos em um contexto soicial ou coletivo.
Furtar-se a oportunidade de atuar bem é o mesmo que dizer que neste momento a vida se retrai, caminha para trás. A cada oportunidade que temos de atuar eticamente, sabiamente, possuímos - ou nos é oferecida - sempre a liberdade de escolha; todavia, nem sempre lembramos que esta escolha possui consequências. Ou seja, quando aproveitamos a oportunidade e caminhamos para frente, positivamente, eticamente, construtivamente, deixamos para trás uma carga relativamente grande que foi depositada em nós pelos demais. Atuar negativamente é aceitar carregar esta carga por muito tempo. É uma descida de todo o ser na dura realidade da consciência que atua por meio das ações. Fibra por fibra, olho por olho, boca por boca, todos que vibram em frequências mais grosseiras, mais desarmônicas e violentas, penetram o instante e, por conseguinte, os demais de maneira agressiva: ferem, sufocam... "Nossos pensamentos são as sombras de nossos sentimentos - sempre mais obscuros, mais vazios, mais simples que estes." (Friedrich Nietzsche)
Recentemente, durante o curso que promovemos aos representantes, um deles me pergunta: “Shidoshi, qual a sensação que temos que ter ao atuar pela via da ética com alguém?”
Nenhuma. – disse-lhe.
Surpreendido, talvez por esperar respostas longas e cheias de poesia, completei: a verdadeira ética não espera sentimentos nem copensações; ela simplesmemte acontece! Todo aquele que conhece um pouco mais o ser humano, que viveu de perto os dissabopres das relações, ou mesmo já experimentou difíceis momentos na vida, sabe que o fenômeno de existir em meio a uma sociedade está cansado, desgastado; o ciclo capitalista e inovador – tecnológico – está mais ligado à sua descida consciêncial. Diz alguém: “prefiro pensar que mais vale ir para casa e jogar PlayStation do que refletir acerca de algo” (palavras de um professor de universidade).
Muito bem, há tempos que penso que é na adversidade que se conhece o homem. Todos nós sabemos que os impulsos ascensionais, principalmente os exigidos pela realidade externa, estão esgotados. É simples: se você não possuir dinheiro, não terá nem casa, nem PlayStation, nem nada com que se distrair ou fugir da realidade através da ilusão. Longe de pensar que um PlayStation é algo negativo, mas a maneira com utilizamos os momentos interferem em nossa existência: o mesmo fogo que nos aquece é capaz de nos queimar; a água que bebemos, de nos afogar, e etc.
A realidade de cada cultura, país, etnia, é completamente diferente quando mensuradas apenas em momentos bons; mas todas se parecerm quando o assunto é dor. Só lembramos da ética, das boas palavras, quando estamos caídos. Para aquele que está até o pescoço com as dificuldades, mas nunca foi capaz de refletir acerca de sua própria vida, valores, verdades, é difícil possuir força para subir – verídico caso de muitos.
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