quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 

Notícias            


Sim, o tempo dói!...

(por Jordan Augusto)


Sim, o tempo dói! Só nos damos conta disso quando sofremos pelos primeiros amores, pelas primeiras decepções; quando nos afastamos dos amigos, mudamos de cidade, de país... Ou mesmo quando perdemos algo que constantemente é acusado por nossa consciência. Um dos meus mais importantes labores é ajudar os demais a superar estas tantas intempéries que a vida se encarrega de despejar na história de cada um de nós.

Diversos e-mails chegam até minha caixa pessoal e, cada vez mais, estou certo de que estamos todos no mesmo barco. Um ex-aluno do nordeste do Brasil, ao escrever-me, diz: “gostaria que muitas coisas não tivessem ocorrido; passa o tempo e percebemos que a distância dói.” Todos nós, intimamente, mesmo em segredo, desejamos voltar atrás, refazer nossa trajetória, escrever de novo as linhas de nossas vidas... Um autor desconhecido diz que "O desejo é a metade da vida; indiferença é a metade da morte.”

Tardei muitos anos em entender que tudo é necessário; todas as etapas são necessárias; todas as dores, também, são necessárias... Cada tipo de pessoa carrega consigo um tipo de pensamento, anseio, dor, alegria, tristeza, remorso... Eu também tenho os meus. O destino, intelectualmente nos imprime através do passado o que seria a premissa de nossos novos períodos, ciclos, fases... Tudo isso segundo a liberdade individual e específica que nos difere dos demais. Talvez aí esteja a grande resposta: diferenciação! É isso que nos torna capaz de entender o que o outro não entende; conseguir o que o outro não consegue... A dissonante particular de cada personalidade que faz com que um seja bom e outro ruim; o toque especial no caráter, plasma espiritual que instiga a coragem, a sensatez, o discernimento... Nem todos são capazes de transformar e adaptar a si o tempo real que nos é oferecido. Quanto à pergunta, dói: o tempo dói em mim também!

Todavia, é a consciência que divide e separa a próxima etapa; é ela quem nos torna capaz de seguir, retornar, fugir, encarar, definir o próximo passo a ser dado. O grande Thomas Hobbes disse que "O desejo, acompanhado da idéia de satisfazê-lo, chama-se se esperança; despojado de tal idéia, desespero."

Conta-se que certa vez dois irmãos foram admitidos em uma Empresa na função de faxineiro, visto que tinham pouca instrução.

Um dia, foi oferecida a oportunidade para todos que a quisesse de, após o término do expediente, ficar até mais tarde e cursar o supletivo por conta da Empresa.

Um dos irmãos imediatamente agarrou esta chance. O outro, porém, acomodado à própria situação, disse: Eu, hein, fazer hora-extra sem receber para isso...

Em outras ocasiões, a história se repetiu: oportunidades eram oferecidas - cursos de digitação, informática, noções de contabilidade, treinamentos em relacionamento humano, etc - um agarrava de frente a oportunidade, investindo seu tempo no desenvolvimento pessoal e profissional; o outro, sempre com "belas" justificativas para não ser "explorado", apresentava desculpas das mais diversas tais como: E o meu futebol, meu programa de televisão, o barzinho com os "amigos", etc...

Passado algum tempo, aquele irmão que investira seu tempo com afinco em seu aperfeiçoamento foi se destacando... Tanto que à medida que foram surgindo vagas dentro da Empresa, a ele eram oferecidas. E isto o exigia mais ainda em empenho, e prontamente ele dedicava-se mais e mais...

Tempos depois, chegou a gerente, não apenas mais um gerente mas sim o melhor gerente da Empresa.

E foi feita uma festa em homenagem ao rapaz.

Na festa, alguém que não sabia do parentesco entre o ainda faxineiro e o então gerente, aproximou-se daquele e disse: Formidável este gerente!

- É... e ele é meu irmão... - disse o faxineiro.

- Seu irmão? - exclamou, incrédulo, o interlocutor - E ele é gerente e você faxineiro...

- É... na vida ele teve sorte...! - Concluiu o faxineiro.







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