quinta-feira, 21 de agosto de 2014

 

Notícias            


No princípio a obrigação!...

(por Jordan Augusto)


Uma frase que sempre carrego comigo é que “você só tem um direito depois que você cumpre uma obrigação.” Isso significa que todos, de alguma maneira, nem que seja ínfima, possuímos uma obrigação. “As paixões são todas boas por natureza e nós apenas temos de evitar o seu mau uso e os seus excessos.” – disse René Descartes.

Nesta reflexão, eu, particularmente, atribuo à sabedoria que carregamos a condição de cumprir uma obrigação. Quem se sente feliz em cumprir uma obrigação? Enquanto jovens esta palavra nos parece mais uma eterna tormenta; uma agonia sem fim. Quiçá porque desejamos tanto ser livres, tanto a liberdade, que tudo que a ameace se torna, imediatamente, algo ruim e negativo. Até hoje a vida, se a observarmos de dentro para fora, foi induzida à conquista, com os métodos da realidade, que acreditamos ser a melhor; aquilo que Deus – na visão religiosa e antiga – reservou para nós. Bem, multiplicação é o princípio da felicidade de hoje em dia, já notaram? Tudo queremos em demasia; já não nos conformamos em ter apenas um carro, uma casa... Parece que a obrigação de vencer na vida, se é que é uma obrigação, só será reconhecida com o esbanjamento de nossas propriedades.

Lendo o livro de Pietro Ubaldi “A decida dos ideais”, percebi quando este fala que “numa sociedade civil e ordenada, estes fenômenos deveriam ser inteligentemente regulados e não deixados ao arbítrio dos inconscientes.” – que estamos vivendo uma realidade regada de obrigações falsas. Uma imagem projetada em um cenário pobre onde se destacará o mais rico. É curioso isso, e até engraçado!

No passado os sábios se refugiavam em uma caverna e terminavam seus dias em profunda reflexão. Sua obrigação representava o bem que este adquiriria a partir de si mesmo. Nos dias de hoje, ainda que o homem continue acreditando na aquisição de seus bens através de si mesmo, trabalho, dedicação, esforço, e etc., nós sabemos que as obrigações que este possui para com ele mesmo já não são mais a seqüência obrigatória de seus passos. – “E nem deveria ser!” – diz um amigo que é psicólogo defendendo a idéia de que o homem é por si só senhor de suas realidades. No entanto, como tudo na vida exige em mesma proporção, um equilíbrio, a real situação em que estamos atravessando não poderá ser eliminada com as destruições e dores que custam; o problema já não reside apenas no ser, mas como este enxerga a própria vida. Se for verdade que vivemos num mundo de leis, constituído por uma engrenagem de causas e efeitos de onde não se pode sair, o que será de nós?

“Hoje, não poderia conceder demais à minha desconfiança, visto que, agora, não é tempo de agir, mas apenas de meditar e de conhecer.” (René Descartes)


Está escrito em “A compreensão impassível” – também conhecido como “O Tratado de Tahlan”:

Pensamos muitas vezes que a atitude ideal é dar a vida por um sonho: nada mais errado que isso. Para atingir um sonho, precisamos conservar nossa vida, e, portanto é obrigatório saber como evitar aquilo que nos ameaça.

Quanto mais premeditarmos nossos passos, mais chances temos de errar – porque não estamos levando em consideração os outros, os ensinamentos da vida, a paixão, e a calma.

Quanto mais acharmos que temos o controle, mais estaremos distantes de controlar qualquer coisa.

Uma ameaça não dá avisos, e uma reação rápida não pode ser programada como um passeio durante à tarde de domingo.

Portanto, se você quiser entrar em harmonia com o seu amor ou com o seu combate, aprenda a reagir rápido.

Através da observação educada, não deixe que a sua suposta experiência de vida o transforme em uma máquina: use esta experiência para escutar sempre a “voz do coração”. Mesmo que não esteja de acordo com o que esta voz está dizendo, respeite-a e siga seus conselhos: ela sabe o melhor momento de agir, e o momento de evitar a ação.

Isso vale para o amor e para a guerra. (Paulo Coelho)



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