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2005 tem sido um ano de muitas surpresas em relação às novidades do Bugei. Hoje consagrada, a SBB é reconhecida dentro e fora do Brasil e recebe em média de 200 a 250 e-mails por dia. Com certeza, para que este sucesso fosse possível, a diretoria se esforçou, rompeu barreiras e cavou buracos no ano que passou. Marcos Amaral, o homem de confiança do Shidoshi Jordan Augusto, nos conta em uma entrevista sincera o que ocorreu para que tantas medidas novas fossem tomadas em relação à postura da SBB para o ano que se inicia.

O que modificou para o ano de 2005?
Nós nunca esperávamos nem tínhamos o projeto de que a SBB ficasse conhecida, pois a diretoria da instituição zela pela qualidade de ensino tal como a conservação da cultura do Bugei em sua forma íntegra e tradicional. Sabemos que quantidade, hoje em dia, pode ser sinônimo de falta de homogeneidade técnica e isto prejudica um trabalho bem intencionado, porque o tempo das pessoas hoje não é o mesmo de antigamente. Estamos vivendo um século onde tudo ocorre com muita velocidade, e as pessoas exigem um resultado rápido e satisfatório.
No entanto, existe um interessante ditado chinês que diz: “Não quer que vejam, não faça!”. O Website da SBB é um site forte e muito visitado. Desde setembro de 2004 a SBB permitiu a visitas de pessoas de outros estados que, de uma forma ou de outra, sentiram-se parte de tudo isso. Assim, a necessidade de atender a novas expectativas nos obrigou a corresponder a uma série de sentimentos que foram gerados. Preocupado com isso me dirigi ao Shidoshi e aos demais responsáveis com um projeto que ampliasse este foco, antes direcionado somente a Goiânia. Recebemos praticamente pessoas de todos os estados brasileiros e isso tem nos ensinado muito. Acredito que não envelhecemos somente para ficar mais calvos e cheios de rugas, mas para aprendermos a utilizar bem o que colhemos ao longo das experiências.
Também é projeto do Sr. a re-interação de antigos alunos ao quadro de praticantes para 2005. Como se deu isso?
É um projeto meu em parceria com a Kokeisha Juliana Galende, que me chamou a atenção para este fato. Socialmente falando, nosso país passa por um momento de transição e esperança. O fato é que o conselho disciplinar do Bugei sempre foi rígido e extremo. Cada pessoa necessita de um tipo de ensinamento, e alguns tiveram dificuldades para se adaptar a forma tradicional do pensamento do shidoshi Jordan. Alguns se afastaram por questões cabíveis ao cotidiano pessoal (trabalho, viagens...) e outras por iniciativa da instituição como uma forma de correção (o que difere do desligamento permanente). Durante esse tempo tive acesso a muitas pessoas e concluí uma série de cursos que me fizeram enxergar de uma outra maneira. Dessa forma, levantamos este projeto com o intuito de acreditar no amadurecimento da instituição diante desta nova era que exige tolerância, paciência e a necessidade de adaptarmos à modernidade, ainda que estejamos nos referindo a artes tradicionais. Sabemos que para muitos Bugei é um hobby que deve construir uma continuidade da temperança e força para este mundo competitivo. Estudamos que muitas vezes o mestre deve mandar o aluno para montanha, tal como quando o aluno está pronto o mestre aparece. Exatamente pensando nisso, é que este projeto se faz presente, para proporcionar esta nova convivência de forma madura e direcionada em sua sinceridade pessoal.
E como será a convivência com esses alunos que retornarem da montanha?
Eu também sou aluno, e isso não me torna melhor nem pior que ninguém. O fato de hoje eu estar a frente da diretoria e ao lado do shidoshi só me mostra que é uma oportunidade de abrir caminho para que outros alunos também possuam a chance de estar novamente próximo do que acreditam e consideram importante. Pessoalmente, não acredito em erros, mas em maneiras diferentes de enxergar as coisas. Conheço de perto a dificuldade do caminho e sei que não é fácil. Bugei é um caminho de pedras e espinhos, e considero até como a travessia de um grande deserto onde precisamos às vezes ficar sozinhos repensando no que é melhor para nós. Muitos pecam por inocência ou erram na intenção de acertar, e isso é o mais importante.

E esta abertura para outros Estados?
Já existem várias pessoas de outros Estados que constantemente visitam a Sede Central para treinar Bugei de forma séria e rígida, chegando a superar os alunos de Goiânia. Em geral são pessoas que já possuem formação em outras artes marciais e que sabem o que querem. Atribuo a isto, a essa experiência em outros caminhos, uma busca mais direcionada e incisiva.
Será inevitável para 2005 a abertura de novas filiais e entidades que ensinem o Kaze no Ryu Bugei. Pensando nisso é projeto da diretoria eventos que contem com a presença de mestres antigos, para que a essência seja bem absorvida. Acredito que Estados como Rio e São Paulo, em um curto prazo de tempo, já possuirão filiais que possa atender às expectativas demonstradas.
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