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(por Jordan Augusto)
Por certo que todo mestre que segue uma via tradicional sabe que, principalmente nos dias de hoje, conceitos como fidelidade, amizade, lealdade, parecem não existir. Muitos mestres de Haragei que conheci diziam: Ukimono! Ou seja, pessoa flutuante!
Quem segue a longa estrada do magistério nas artes marciais sabe que mais cedo ou mais tarde teremos que nos deparar com pessoas que vagueiam entre este, aquele, aqui, ali, e que, em verdade, nada buscam; ou não sabem o que buscam. A estes chamamos de Ukimono – pessoas flutuantes. Pessoas que não possuem personalidade, caráter fixo, verdade fixa; cada hora pensam de maneira diferente; buscam caminhos diferentes. Ou em muitos casos apenas vagueiam. Poderíamos dizer que são pessoas que não possuem raízes, logo, tentam sempre um jeitinho e mudar uma cosia aqui, outra ali; a escola ou mestre nunca são suficientes...
Muitos dizem: devemos compreendê-los até encontrarem seu caminho. Por certo que, quando a busca é verdadeira, as atitudes e manifestações seguem a mesma freqüência. Por ouro lado, muitas escolas, muitos mestres, foram destruídos por este tipo de presença. Em geral criam intrigas, armam, denominam-se experientes e, estabelecem infrutíferas comparações dominados por sentimentos de orgulho, egoísmo, e, por vezes, até irritados; ao invés de inspirados por uma busca, atuam como ferramenta desnecessárias em uma verdadeira escola.
Por outro lado, quando a busca é verdadeira o sentimento flutuante deixa de existir. Ao mestre, a sabedoria é a fonte que deixa este pensamento se manifestar para depois se desfazer. Entretanto, tememos ver os pensamentos tais como são.
Quando olhamos de frente o pensamento, retrocedemos e nos desapegamos da identificação. O revestimento emocional começa a se dissolver e ficamos, enfim, com o fragmento impessoal de energia, ao qual não precisamos ficar apegados.
No entanto, ao nos depararmos come este tipo de pessoa – Ukimono -, se acreditamos que nossos pensamentos são reais, nossa conduta se fundamentará neles. Se agirmos a partir deles, nossa vida ficará uma confusão. A prática não se refere a entender com a mente.
"Visto que a alegria e a tristeza não podem coexistir
no mesmo instante na alma, devemos fazer com que
nossas almas estejam satisfeitas em todas as
circunstâncias mediante uma condução correta que
proporcionamos a ela." Al-Kindi
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