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(por Jordan Augusto)
Muitos praticantes de décadas passadas me escrevem com a intenção de sanar algumas dúvidas. Nesta semana um deles me perguntou acerca do exercício Suijinka. Um pequeno equívoco existe nesta colocação: Suijinka não é um exercício!
Traduzido literalmente como:
Sui – água
Jin – espírito
Ka – casa
Podemos dizer que significa “a casa do espírito de água”; era uma espécie de peregrinação que tempos depois se tornou um importante caminho de provação pessoal.
Contudo, para alguns, ainda hoje, é um exemplo de ignorância e falta e bom senso. Consistia em, durante o inverno, subir uma determinada montanha mais ao norte do Japão até uma pequena casa que ficava situada bem no mais alto cume. Todavia, este não era o grande problema; senão, que os pretendentes deveriam subir descalços e somente com uma fina capa de palha recorrida e trabalhada; preparada; feita antes de sua subida. O corpo nu e o frio simbolizavam a transcendência do homem em seu estado natural diante de seu maior obstáculo: o frio de sua própria alma.
A superação do sofrimento não está em saciar o desejo, mas em interromper o mecanismo do desejo. Por esta terceira verdade, acreditava-se que o espírito diante de um obstáculo real entende que é possível superar o destino do eterno retorno, interrompendo a sua causa.
Para os mestres desta época, uma vez tendo sido descoberta a “lógica” do sofrimento, o interior, alimentado pela força do espírito, anuncia o caminho para se chegar à sua superação. É a materialização da compreensão que é necessário evitar os dois extremos: nem uma vida desregrada de prazeres, nem uma vida de asceta. O caminho para se chegar à superação do sofrimento é tem oito elementos: 1) a palavra correta, 2) a ação correta e 3) o meio correto de existência; 4) o esforço correto, 5) a atenção correta e 6) a concentração correta; 7) a compreensão correta e 8) o pensamento correto. Os oito elementos do caminho a ser seguido não têm ordem de precedência, mas dizem respeito a três questões: os três primeiros dizem respeito a uma conduta de vida correta, os três seguintes dizem respeito a uma disciplina mental correta e os dois últimos dizem respeito à sabedoria.
Dizia-se que somente aqueles que compreendem e seguem estes preceitos conseguem chegar na “casa do espírito de água”. Durante anos pensou-se que este nome era devido a dois fatores: o inverno – elemento água; e a harmonia interior necessária para se chegar até ela. Em verdade, nem uma coisa nem outra estão corretas.
Este nome faz referência às pequenas cachoeiras que banham esta montanha; cujas águas se congelam durante o inverno.
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