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(por Jordan Augusto)
Se dividirmos nossa mente ao meio, se é que é possível, encontraremos:
NanaJi ga Kure – O sete traços escondidos
Kingi – árvore dourada
Em outras palavras são sete reverberações de sete entradas que possuímos em nossos sentidos primários: 2 olhos; 2 narinas; 2 orelhas; e 1 boca.
Para os mais estudiosos, estes centros de recepção projetam em linhas retas desenhos relacionados aos nossos sentidos ligados à nossa mente.
Misticamente, acreditava-se que era daí que os médicos (místicos, curandeiros) obtinham suas energias para seus feitos e realizações. Dentre os muitos e diversos instrumentos para obtenção e manutenção desta suposta cura, bem como acesso à expansão de consciência, é um dos mais simples e mais completos:
Simples em decorrência de sua acessibilidade sempre disponível; pela inexigibilidade de qualquer pré-requisito ou condição especial além de se lançar mão o mais diretamente possível daquilo que já se possui dentro de si (visão; olfato; audição; paladar;), e por ser absolutamente natural e sem complicações durante sua execução.
No passado, atribuíam à este conhecimento o reconhecimento de qualquer sucessor (Kokeisha). Provas específicas, em sua maioria, “místicas”, eram realizadas com o suposto candidato.
Todavia, este é um ponto contraditório em todas estas informações, haja vista que os candidatos jamais poderiam se apresentar como pretendentes; e sim, serem indicados pelas visões e alucinações de algum mestre em alguma festividade. Existem muitos exemplos transmitidos de transmissão do incomparável Caminho do NanaJi ga Kure de mestre para discípulo. O que estas histórias todas nos dizem é para praticarmos diligentemente, fazermos um esforço sincero, da melhor maneira que formos capazes.
Quando aqueles que praticam ganham a liberação, escapando dos obstáculos da ilusão e ego próprio, alcançando o desapego de seus pontos de vista limitados, suas naturezas reais, na forma de compreensão, surgem. Isto é realizado sem que de tal estejamos cientes. Realiza-se sem que o percebamos. É aí que encontramos o segundo ponto: a conquista da consciência sob o aspecto “Kingi” – traduzida como a árvore dourada, que nada tinha à ver com o aspecto da árvore natura que conhecemos. E sim, a árvore que se inicia em nossos pés se instalando no interior de nosso corpo chegando até nossa consciência.
Obs: (publicarei apenas parte do texto escrito devido a plágios e cópias não autorizadas de meus textos)
O som do rio no vale é a sua grande língua,
As cores da montanha seu corpo puro.
De noite eu ouvi os oitenta e quatro mil hinos de glória,
Mas como contar isto a todo mundo no dia seguinte? – (Keiseisanshoku
O Som dos Vales, a Cor das Montanhas)
Yamaoka Tesshu, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:
- A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenómenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.
- Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?
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