quarta-feira, 22 de maio de 2013

 

Notícias            


Senpai-Kohai… Cuidado com as coisas pequenas!...

(por Jordan Augusto)


"Quanto mais procedemos de acordo com a razão, mais nos deixamos governar pelas paixões.” (Gottfried Wilhelm, filósofo alemão)

Sempre digo: “não há como nós tropeçarmos em uma montanha; sempre caímos por coisas pequenas.” Perdemos tempo e fazemos questão de coisas tão pequenas que, em inversa proporção, conduzem-nos a um estado onde as perdas são sempre gigantescas.

Viver esta vida moderna, suas necessidades, exigências, convivências, está longe de ser fácil; contudo, mas difícil fica se não olharmos mais adiante. Ou seja, as oportunidades podem estar inseridas em sua grandeza interior. Um ex-aluno que esta semana entrou em contato comigo, disse-me estar vivendo um conflito entre o velho e o novo. Em profundidade, é neste vazio, nesta dúvida, neste conflito, que a vida mais simples pode se dilatar, agigantando-se no infinito. Se esta descoberta de novas reações entre as coisas velhas pode parecer uma repetição delas, porque não se consegue com isso nenhuma descoberta nova particular, a não ser o conflito, no entanto empresta-se a cada uma delas um sentido e sabor novo.

É a este infinito que me refiro. Se você pertence a uma classe mais incrédula de suas próprias grandezas, veja pela linha mais racional onde a ciência e a lógica, que nos permitiram chegar a estes princípios, nos guiarão em suas importantes aplicações. O progresso é, pois sinônimo de unificação, ou seja, a evolução não se cumpre apenas individualmente, porque mal ela se tenha manifestado neste sentido, manifesta-se reorganizando rapidamente os elementos em unidades coletivas. Logicamente que se você possui um espírito claro, limpo, grande, você será atraído para grupos que pensam de maneira semelhante.

É verdade que na terra foram feitas tentativas em todos os tempos para se chegar a grandes unidades através dos mais diversos imperialismos, mas deles nada resultou Com a imposição se domina, esmaga-se, escraviza-se, mas não se unifica. Se as raças se misturam, isto depende de deslocamentos demográficos e não dizem respeito aos imperialismos. É a vida que tudo utiliza a seu modo. Não são a força e o egoísmo, dois impulsos separatistas, que podem conduzir a unidade. A verdadeira unidade é outra coisa que imposição violenta e sobreposição dos povos, ou das suas classes. Ela implica elementos espirituais que a política ignora. Trata-se de compreender e de sentir a Grande Vontade diretora do universo e se conduzir neste de acordo com ela. Portanto, seja grande; esqueça as coisas pequenas.

"Todos erram com temor de errar." (Gottfried Efraim Lessing – An Herrn Marfurg).



O Rei sem Ofício (Poesia e conto Sufi)

Era uma vez um rei que havia esquecido o velho conselho dos sábios segundo o qual quem nasce na comodidade e no conforto precisa fazer um esforço pessoal maior que os outros. Mesmo assim ele era um rei justo e popular.

Um dia, quando viajava para visitar uma de suas terras mais distantes, uma tempestade desabou e separou seu barco da escolta real. A tempestade serenou depois de sete dias de fúria. O barco havia afundado e os únicos sobreviventes do naufrágio foram o rei e sua filha, pois eles, de algum modo haviam conseguido subir em uma balsa.

Depois de muitas horas a balsa foi jogada numa praia de um país totalmente desconhecido para os viajantes. Eles foram recolhidos por pescadores que os ajudaram no início, mas passado algum tempo, lhes disseram:

"Somos muito pobres e não podemos continuar a mantê-los. Se caminharem para o interior, quem sabe poderão encontrar os meios de ganhar a vida".

Agradecendo aos pescadores e sentindo pesar por não poder conviver com eles, o rei começou a vagar pela região. Ele e a princesa foram de aldeia em aldeia, de povoado em povoado buscando comida e ajuda. Não aparentavam ser melhores do que mendigos, e assim eram tratados. Às vezes conseguiam alguns pedaços de pão, outras vezes palha seca para dormir.

Cada vez que o rei procurava melhorar sua situação pedindo trabalho, perguntavam: "O que você sabe fazer?" O rei então se dava conta de que não era capaz de realizar as tarefas exigidas, e retomava seu caminho.

Em todo o país existiam poucas oportunidades de tarefas manuais, pois haviam muitos trabalhadores especializados. À medida que iam de um lugar para outro, ele percebia que ser rei sem país era uma condição inútil.

E refletia profundamente sobre o provérbio dos anciãos que dizia:

"Só pode ser considerado seu aquilo que puder sobreviver a um naufrágio".

Depois de três anos nessa existência miserável e sem futuro, ambos se encontraram pela primeira vez numa fazenda cujo proprietário estava procurando alguém que cuidasse de suas ovelhas. Ele viu o rei e a princesa e lhes perguntou: "Precisam de dinheiro?" E eles responderam que sim.

"Sabem cuidar de ovelhas?".

"Não", disse o rei.

"Pelo menos você é honesto", disse o fazendeiro, "e por isso darei a você uma oportunidade de ganhar a vida".

O fazendeiro os enviou ao campo com algumas ovelhas e eles logo aprenderam que tudo o que precisavam fazer era protegê-las dos lobos e cuidar para que não se perdessem.

Uma cabana lhes foi dada e, conforme os anos passavam, o rei recuperou algo de sua dignidade, embora não tivesse recuperado a felicidade. A princesa se transformou numa jovem bela como uma fada. Como ganhavam apenas o necessário para viver, não podiam planejar ainda o retorno à sua terra. Um dia, quando havia saído para caçar, o sultão daquele país viu a moça e enamorou-se dela. Então enviou um representante ao pai da jovem para pedi-la em casamento.

"Ó camponês!", disse o mensageiro, "O sultão, meu amo e senhor, pede a mão de sua filha em casamento".

"E o que ele sabe fazer, qual é o seu ofício e como ele pode ganhar a vida?", perguntou o ex-rei.

"Idiota! Vocês camponeses são todos iguais", gritou o mensageiro. "Você não entende que um rei não precisa ter ofício, pois sua habilidade consiste em conduzir reinos? E que você foi eleito para uma honra que ordinariamente estaria muito além de qualquer esperança possível para pessoas comuns?".

"Tudo que sei", disse o rei-pastor, "é que seu amo, sendo sultão ou não, não será marido para a minha filha, a menos que seja capaz de ganhar a própria vida. Eu sei uma ou duas coisas a respeito do valor das habilidades".

O mensageiro regressou e contou a seu amo real o que o estúpido camponês havia dito, e acrescentou:

"Não devemos nos preocupar com pessoas como essas, senhor, porque elas nada sabem a respeito das ocupações de um rei".

Mesmo assim, uma vez recobrado de sua surpresa, o sultão disse:

"Estou perdidamente apaixonado pela filha desse pastor, e por isso devo estar preparado para fazer qualquer coisa que seu pai ordene, a fim de casar-me com ela".

Deixando o reino nas mãos de um regente, o sultão tornou-se aprendiz de um tecelão de tapetes. Quase um ano depois, ele já dominava a arte de fazer tapetes simples. Com alguns de seus próprios trabalhos dirigiu-se à cabana do rei-pastor e apresentou-se diante dele dizendo:

"Sou o sultão desse país e queria casar-me com sua filha. Tendo recebido a mensagem de que você requer de seu futuro genro habilidades úteis, estudei tecelagem. Aqui estão alguns exemplos do meu trabalho".

"Quanto tempo você levou para fazer este tapete?", perguntou o rei-pastor. "Três semanas", respondeu o sultão.

"Quando o vender, quanto tempo poderá viver com o que obtiver?"

"Três meses", respondeu o sultão.

"Você pode se casar com minha filha,... se ela quiser aceitá-lo", disse o pai. O sultão ficou encantado e feliz quando a princesa consentiu em casar-se com ele. "Seu pai", disse ele, "mesmo sendo um camponês é um homem sábio e sagaz". "Um camponês pode ser tão inteligente quanto um sultão", disse a princesa, "mas um rei, se teve as experiências necessárias, pode ser tão sábio quanto o camponês mais sagaz."

O sultão e a princesa se casaram com todo esplendor. O rei-pastor, com a ajuda de seu novo genro, regressou ao seu país, onde ficou conhecido para sempre como um monarca bom e inteligente, que nunca se cansou de alentar a todos e a cada um de seus súditos para que aprendessem um ofício útil.





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