terça-feira, 21 de maio de 2013

 

Notícias            


Marcialidade… Relativas visões!...

(por Jordan Augusto)


Sempre digo: “o que seria do mundo se todos gostassem de azul?”

Em outras palavras, podemos dizer que é muito importante que cada um tenha um pensamento, uma concepção e raciocínio acerca da vida e sua manifestações. Talvez, se olharmos pela ótica dos mais estudiosos orientais, tudo isso também nos remetesse à concepção do karma como a linha divisória dos acontecimentos.

Se assim é, podemos ilustrá-lo com uma simples analogia: é como se a chama de uma vela fosse empregada para acender uma outra vela e nesse processo a primeira vela fosse apagada. A chama da segunda vela surgiu na dependência da primeira vela, ou seja, tem uma conexão com ela, mas a chama da segunda vela não é idêntica à primeira. Então, as duas chamas possuem uma ligação, mas não são idênticas. Assim são as visões acerca das artes marciais... Da vida!

Uma pessoa é uma combinação de matéria e mente. O corpo pode ser encarado como uma combinação de quatro componentes: terra, água, calor e ar; a mente é a combinação de sensação, percepção, idéia e consciência. O corpo físico — na verdade, toda a matéria na natureza – está sujeito ao ciclo de formação, duração, deterioração e cessação.

Um dia, o Imperador Liang foi ao encontro de Bhodidharma e lhe perguntou:
- Eu construí um grande número de templos, traduzi muitos sutras e ajudei muitos monges. Que méritos eu obtive?
- Nenhum mérito!!!, respondeu Bhodidharma.

Possuímos diferentes idéias acerca de um mesmo tema, e é isso que nos transporta para a medida justa do entendimento; que, em verdade, retira-nos o privilégio de acharmos que possuímos alguma especialidade. Pela via da sabedoria podemos dizer que não há dúvida: o grande trabalho que as leis da vida têm de realizar no plano evolutivo humano é o de levantar o atual biótipo dominante para formas de vida mais adiantadas, até que lhe seja possível entender e praticar a ética de uma maneira racional e consciente. Se a vida começa com a respiração, a consciência se inicia com a reflexão.

O que fica claro, sobretudo, diante da marcialidade e dos artistas marciais, é que, quanto mais o indivíduo é primitivo em seus raciocínios e observações, tanto mais poderosa e real é a segunda forma de reflexão, e fraca, misteriosa e irreal é a primeira. Quanto mais o ser é adiantado, tanto mais ilusória é a reflexão terrena, limitada ao que vemos, enxergamos... E mais poderosa, real e viva é a vida abstrata, invisível. Por isso, o primitivo julga a perda da vida física uma grande perda e desesperadamente luta para a conservar, enquanto o evoluído possui a sensação de que a morte não o atinge, porque não apaga o seu estado de consciência acordada, no qual ele fica vivo. É a sensação experimentada pelos grandes sábios... Nada além dele mesmo!



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