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(por Jordan Augusto)
É curioso, mas são sentimentos que facilmente se confundem; cuidamos de nossos mestres como se fossem crianças, e por outro lado, acreditamos que são “deuses”. Existem coisas que precisam ficar bem claras, e uma delas é o sentimento que nutrimos por pessoas. Em geral, projetamos nestas pessoas aquilo que gostaríamos que fossem, e por conseguinte, passamos a acreditar nisto; exaltamos o mestre de tal maneira que anunciamos sua queda. É bem simples: sem percebermos criamos mundos paralelos em nosso interior que geram um conflito de identidade: aluno/pessoa. Tornamo-nos o sustentável dentro do insustentável e vice-versa. Maquiamos as verdades e salientamos as ilusões.
Para que uma relação dê certo, primeiramente devemos enxergar ambos os lados com realismo e racionalidade: todos possuímos defeitos e virtudes; é aí que surgem as virtudes, as verdades, sentimentos que tornam grande e palpável a relação mestre-aluno: a superação dos defeitos e aperfeiçoamento das virtudes.
No caminho das verdades, longe das ilusões criadas por Hollywood, cada um tem de ser mestre e discípulo de si próprio; no mundo interior da evolução e descobertas, das investigações acerca de si mesmo, não há nenhuma autoridade, há apenas compreensão.
Posso dizer com propriedade que é muito complicado quando percebemos que os mitos já não existem mais; quando os ídolos se tornam humanos... O olhar da realidade só é possível quando exercitado de maneira apartada do julgamento; a compreensão só é possível quando há observação imparcial, descompromissada. Os caminhos só se tornam construtivos quando cada um realiza bem o seu papel; enfim, quando deixamos de lado o olhar apaixonado.
Os vários graus de conhecimento que a evolução nos oferece alcançam-se com tipos variados de inteligência, proporcionados ao nível biológico conquistado pelo indivíduo. Mestre-aluno, para as formas superiores de conhecimento os primitivos estão completamente imaturos. O mundo em movimento transforma, impulsiona, restaura, valora... Só os tolos não sabem disso. A repetição só é importante até um determinado ponto de nossa alfabetização. Podemos recebê-las em forma de ensinamentos, Seiteigata, Suburi, Awase, Kumitachi e etc., aprendê-los, repeti-los, possuí-los em todas estas formas, aprendermos toda a sua perfeição e aparência, mas uma coisa é a erudição e outra é saber pensar.
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