domingo, 19 de maio de 2013

 

Notícias            


Bujutsu - E na neve… Como fazer?...

(por Jordan Augusto)



Antigas escolas desenvolveram métodos de respiração e Haragei para que assim que o guerreiro acordasse, em um único movimento executado, estivesse pronto para a batalha. Bem... Só que na verdade, as coisas não são assim tão simples. Estava caminhando estes dias no frio de onde vivo e raciocinando acerca destes aspectos na Idade Média... E a verdade é que devia ser terrível! Podemos ver tanto nas escolas ligadas ao Yagyu Shingan Ryu como em outras mais antigas que os gritos e gestos que aqueciam o corpo e os preparavam para a batalha eram tão relevantes como qualquer outra forma de treinamento. Incomodado com isso, telefonei para um amigo que foi um grande estudioso deste estilo e hoje é médico. Depois de conversarmos, juntei as coisas e cheguei à conclusão que toda a tensão emocional é materializada, no plano físico, com uma contração muscular. Isso conhecemos e estudamos em nossa escola. Contrair o corpo com uma respiração adequada para aquecê-lo. Estados duradouros de tensão emocional refletem-se em estados duradouros de contração muscular. Reich denominou esse fenômeno de couraça do caráter. Quanto maior a tensão emocional, maior é a couraça do caráter e mais superficial será a respiração.

Entretanto, os efeitos da emoção na respiração podem-se notar, de maneira mais intensa, por ocasião de um fato especial. O encontro, por exemplo, com uma grande paixão. O coração acelera, o rosto esquenta, as mãos e os pés gelam e a respiração fica acelerada. Características semelhantes acontecem com um grande susto ou uma situação muito estressante.

Os estados emocionais afetam a respiração e o contrário também é verdadeiro: a respiração afeta as emoções. Essa é uma chave fundamental. Se a timidez leva à uma respiração superficial e eu desejo vencer a timidez, posso utilizar uma respiração profunda. Portanto, uma das maneiras de administrar as emoções é a utilização de técnicas respiratórias.

Se as emoções se processam a nível inconsciente e provocam uma respiração determinada, a respiração consciente em determinado ritmo leva a estados emocionais compatíveis. Entretanto, a respiração afeta não só as emoções, mas também os estados mentais. O fluxo do pensamento é determinado também pelo fluxo respiratório. Alguns diriam que a adrenalina aqueceria involuntariamente o corpo. Mas, ao nível do aparelho locomotor, o que se passa é que o tecido muscular tem duas características que se alteram com o exercício: a elasticidade e a viscosidade. A contração muscular produz movimento e liberta calor, razão pela qual o nosso organismo se vê obrigado a transpirar durante o esforço. Esse calor que se liberta no processo de contração dos músculos vai aumentar a elasticidade, diminuindo a viscosidade do músculo (funciona como o óleo de fritar!: fica menos viscoso ao aquecer). As células musculares vão conseguir deslizar umas sobre as outras durante o movimento, evitando que algumas se estendam demasiado, rasgando e levando à lesão. Esta diminuição da viscosidade vai minimizar também o risco de lesão dos tendões.

A gradual entrada em funcionamento do metabolismo celular e a "aceleração" dos aparelhos respiratório e circulatório permitem uma maior percentagem de energia produzida à custa da Fonte aeróbia, evitando-se uma acumulação inicial de ácido láctico que poderia conduzir a uma incapacidade precoce. Como os mecanismos aeróbios são algo lentos, necessitam deste tempo de adaptação para que possam entrar em pleno funcionamento. Desta forma, conseguimos ainda poupar algumas reservas de Hidratos de Carbono, dado que a fonte aeróbia recrutará uma certa percentagem de lípidos para a sua produção energética. Mas como fazer isso em apenas uma respiração? Ou apena um gesto ou grito? Uma coisa é certa: em um frio de verdade, ele não é ilusório!



REFERÊNCIAS:

Palestra realizada no retiro de 1996 pelo Bhante Gunaratana - Tradução: Carlos Antonio Lessa - Revisão e adaptação: Hildeth Farias da Silva, (Hsing Yün Ta-shi. Only a great rain: a guide to Chinese Buddhist meditation. Traduzido por Tom Graham, introdução de John McRae. Somerville: Wisdom, 1999. Pág. 34-39.)

Conversas com Luiza Yamada, Paulo Yamada, Yorike Yoshida, cursos específicos de Iki no Jutsu – respiração, curso de Seishin no Jutsu, Curso com Michele Lin Sung sobre chi e Ki Guyton & Hall Tratado de Fisiologia Médica - Guanabara / Koogan - 9 ed.

Principles of Neural Science - Kandel, Schwartz, Jessell - Prendice Hall do Brasil Ltda, R.J. 3ed.

Neuroanatomia Funcional - Machado, Livraria Atheneu Editora, 2ed.



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