|
(por Jordan Augusto)
Esta é uma verdade que podemos afirmar. Se o princípio da guerra surge a partir do centro, ele surge também à partir do todo. Ou seja, tendo em conta que a responsabilidade pelos nossos atos é completamente nossa, já que somos privilegiados com livre arbítrio, nos tornamos a guerra quando esta existe dentro de nós – o centro -, e a guerra se torna o todo quando esta surge de fora para dentro. No estudo do Bujutsu como forma e expressão, em relação ao todo (não com matéria), podemos ver que "o forte das massas é a ignorância", haja vista que a estratégia é o princípio que manipula e consegue interagir com uma quantidade muito grande de pessoas. Assim sendo, se olharmos o Bujutsu apenas como expressão da guerra, as guerras acompanham a trajetória da civilização desde os primórdios.
Apesar de esforços como a criação da ONU, no final da 2ª. Guerra, e de acordos internacionais em diversos níveis, a guerra é um fenômeno ainda presente e suas consequências são devastadoras. Por outro lado, não obstante do todo, e retornando ao centro, o passado modifica-se a todo instante, segundo as interpretações que recebe de cada geração. Nas intenções das guerras geradas, sejam de palavras ou de interesses, há eventos que sempre estarão entre nós, ainda que sua releitura sofra mudanças. As Cruzadas, como mito, estão mais presentes do que nunca. As conclamações ao “choque de civilizações”, e das culturas à todo instante estão mandando para a fogueira infelizes que acreditam que podem ser diferentes do sistema. A intolerância unida ao interesse social e estratégico de cada um ainda é maior do que a consciência de que a guerra surge primeiro interiormente.
Tanto no Bujutsu japonês, quanto nas formas de guerra apresentadas por qualquer país, não há determinismo na história, pois ela é um processo aberto, uma teia que emerge da vontade política de inúmeros atores.
Ao mesmo tempo podemos dizer que entre o todo e o centrro não há semelhança. O que existe são as metáforas. Assim, seja qual for o seu Bujutsu o a sua guerra:
"Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.
Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.
Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.
Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.
Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida." - Gautama Buddha
|