sábado, 29 de novembro de 2014

 

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TANBOJUSTSU – A EFICIÊNCIA DA SIMPLICIDADE...

(por Juliana Galende)


Tanbojutsu é a arte do Bō curto ou pequeno. Sua nomenclatura em japonês é composta por três kanji:



Tan – lido como mijikai, que significa curto, encurtar;



Bō – significa pau, barra, vara;



Jutsu – arte.

O Tanbōjutsu está longe de ser considerada uma arte nobre quando comparada às artes que acabaram por caracterizar e influenciar a cultura do Japão Antigo, como o Kenjutsu, Iaijutsu e outras. Ao contrário, a arma que define esta arte nada mais é do que um pequeno bastão, com cerca de 50 cm de comprimento. Antigamente o Tanbō era constituído de madeira mais pesada, entretanto, ao longo do tempo outras madeiras mais leves foram empregadas em sua confecção. Além de não possuir o status de nobreza, o fato da arma ser apenas um pedaço de pau ou um pequeno bastão não contribui para a sua grande divulgação, visto que nem mesmo a arma possuia qualquer aspecto que a fizesse objeto de arte.

Entretanto, o mesmo fato que a fez ser classificada como uma arte condenada à condição de simplicidade, a fez também eficiente. Não existe em seu manuseio nenhum grau de complexidade. Talvez possamos afirmar que o movimento de maior dificuldade seja a inversão da arma em movimento, de modo que ao invés de segurarmos em uma das extremidades – posição utilizada para impactos –, passemos a uma posição de bloqueio, onde a maior parte da arma fica colada no antebraço. Para isso, um período de treinamento e coordenação atendem ao processo de habilidade, e assim desenvolvem a agilidade necessária para se executar essa alteração com segurança em um combate.

O que o manuseio do Tanbō tem de simples, tem também de perigoso. É uma arma extremamente versátil, que atinge grande velocidade de impacto, e por isso mesmo causa danos graves, podendo facilmente levar a óbito a depender de onde ela atinja no corpo humano e se acompanhada de golpes contínuos. Pela sua velocidade, uma pessoa capacitada em seu manuseio pode chegar a atingir pontos frágeis do corpo em pouco tempo, mesmo que para isso bloqueie os ataques ou possíveis reações do oponente. O Tanbō não é uma arma pérfuro-cortante como as outras que encabeçam a lista das mais nobres do Kobujutsu (artes que usam armas), porém guarda para si o aspeto de afundamento facial e fraturas.

Certamente que o afundamento facial ou fraturas no crânio ocorrem por impactos potentes em zonas mais frágeis, como a têmpora, um dos pontos mais visados no ataque com o Tanbō. Os traumatismos cranianos com fraturas com afundamento caracterizam-se pela presença de fragmento ósseo fraturado afundado, comprimindo e lesando o tecido cerebral adjacente. Fraturas do canal auditivo interno, estruturas do ouvido médio e cápsula ótica podem ser acometidos em traumas sem corte. A fratura mais comum do osso temporal que ocorre em trauma fechado, é a fratura longitudinal do osso temporal. É estimado que 70% a 90% das fraturas de ossos temporais são longitudinais (Connon and Johrs-Doerfer 1983; Holon, 1989; Nelson, 1979). Estas fraturas mais comumente resultam de traumas em direção lateral ao crânio na região parietal da cabeça. Fraturas transversas do osso temporal são muito menos comuns que fraturas longitudinais, acometendo aproximadamente 20% a 30% das fraturas do osso temporal. (Connon and Johrsodoerfer, 1983; Dolon, 1989; Nelson, 1979). Estas fraturas mais freqüentemente ocorrem por um trauma severo da porção occiptal da calota; entretanto, elas podem também ocorrer de um trauma frontal direto. Além disso, cerca de 10% das fraturas são cominutivas ou mistas. A anatomia da base do crânio diminui a probabilidade de fratura longitudinal ou transversa isoladas. Fraturas mistas com a linha de fratura estendendo-se em mais de uma direção através da base do crânio pode ser vista (Dolon, 1989).

A depender da altura alcançada pela extremidade do Tanbō, quando numa investida de grande potência,pode ele causar o tramatismo ainda na articulação da mandíbula.

Outro ponto bastante visado é o rosto, e nesse aspecto, como o osso zigomático (maça do rosto) atua como uma espécie de pára-choque facial, a maior incidência das fraturas causadas pelo Tanbō são nessa região, precedidas em frequência apenas pelas fraturas nasais.

Já no que se refere a fraturas não faciais, inúmeras formas podem conduzir a este resultado, desde um forte impacto nos membros superiores à utilização da arma como alavancas para chaves violentas em ângulos curtos, de modo que o oponente não tenha como acompanhar a velocidade do encaixe da chave ou se proteger com uma projeção.

Um dos grande estragos gerados pelo Tanbō reside no fator combinante das formas de sua utilização. Uma vez que se inicie a movimentação da arma e que o praticante consiga entrar no Ma-ai do oponente, normalmente um primeiro impacto é executado para desestruturar o emocional e o equilíbrio (comprometimento da função vestibular), a depender de qual o alvo almejado. Posteriormente o Tanbō é empregado para causar fraturas no membro superior, danificando punhos, cotovelo e articulação do ombro. Além disso, pode a arma ainda ser empregada para o estrangulamento, em diversas posturas e posições, sendo eficiente tanto para o Ki Tomeru (interrupção do fluxo de ar - respiração) como para o Chi Tomeru (interrupção do fluxo sanguíneo).

Os estrangulamentos, também como as chaves, seguidas ou não de projeções violentas, geralmente são impregadas após uma técnica de impacto ou bloqueio, e constituem uma forma eficiente de imobilização.

Porém, por mais que a forma de utilização do Tanbō seja simples, existe uma peculiaridade racional dentro de sua execução. Podemos ver inúmeros artistas marciais demostrarem técnicas acrobáticas ou de malabarismo com o Tanbō. Vale ressaltar que a palavra Kobujutsu significa “A Arte da Velha Guerra”. Assim, uma arma não deve ser usada em vão ou em movimentos que facilitem e favoreçam a perda de seu controle ou domínio.


REFERÊNCIAS

http://www.sarahbr/paginas/doencas/po/p_07_traumatismo_cranioence.htm#Anchor-As%20l-38509

*Bailey,B:Otolaringology Head & Neck Surgery -vol.2

*Cummings:Otolaringology Head & Neck Surgery-vol.4



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