quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 

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Entrevista: Jorge Garcia Perez...

Desde o início de 2006, o antropólogo Jorge Garcia Perez, cubano, vem se correspondendo com a diretoria da SB a fim de estudar o lado mitológico e cultural da visão espiritualista do Bugei. Segundo Jorge Perez, a quantidade de materiais e artigos produzidos pela SBB o impressionou, principalmente ao avaliar duas das obras da Instituição. Ele ainda mencionou a possibilidade de levar membros da diretoria para palestrar em Cuba.


Acompanhe aqui uma pequena entrevista com esse ilustre profissional.

SBB – Dentro da relativa posição existente entre os aspectos voltados à cultura cubana, cuja origem é africana, qual o interesse central desta busca pelo espiritual japonês?

Jorge Garcia – Não é uma busca pelo espiritual japonês. Estou interessado no processo histórico que fundamenta a realização da manipulação de energias da natureza. Não é diferente de outras culturas que empregam os aspectos dos reinos mineral, vegetal e animal para uma comunhão sistemática com o mundo espiritual.



SBB – E o que o fez procurar a SBB?

Jorge Garcia – Como antropólogo, sou apaixonado por história e por isso sou um ávido leitor. Não é de hoje que acompanho o site de vocês e o seu maravilhoso conteúdo. É realmente impressionante. São muitos artigos, muito embasamento e muita inspiração para tantos textos. Confesso que se tornou importante fonte de pesquisa. Cheguei a indicar para algumas pessoas, mas como está em português, existe a barreira da língua.



SBB – E como o senhor faz?

Jorge Garcia – Estou acostumado a ler livros de Jorge Amado, Paulo Coelho e outros. No início foi muito difícil, mas existe uma certa similaridade.Procuro entender com a ajuda de dicionários.



SBB – Voltando à questão a respeito de vosso interesse, qual o centro de sua pesquisa com a nossa Instituição?

Jorge Garcia – Li dois livros de sua instituição. A enciclopédia de Bugei e um outro que tratava dos aspectos mais espirituais. O que me fascinou foi a construção séria da personalidade imparcial com a história. É comum escritores expressarem apenas o seu ponto de vista e esquecerem dos aspectos históricos que conservam as culturas.Isso ocorre em Cuba. Alguns escritores querem escrever sobre a nossa cultura, mas esquecem da influência religiosa africana.



SBB – Como assim?

Jorge Garcia – As pessoas se interessam pela música, por Fidel, por charutos, e esquecem dos aspectos culturais africanos que influenciaram o pensamento da classe mais pobre em Cuba. Ao contrário do que se pensa, muitas das crenças que se originaram na África tomaram proporções diferentes em relação às condições dos países para o qual migraram. No Brasil você tem o samba, na Jamaica o reggae, nos EUA o blues, e assim por diante. Dentro dos aspectos das crendices populares, vocês no Brasil têm o hábito de utilizar uma série de coisas, rezas, simpatias, que conhecemos aqui como Santeria.



SBB – Pelo que sabemos, a Santeria é uma versão do Candomblé, com alguns acréscimos. Shidoshi Jordan e Juliana Galende, que são estudiosos, no explicaram que no Brasil, dentro da cultura afro, possuidora de uma série de variantes, a Santeria se pareceria mais com uma mistura do Candomblé e Omoloco. Ressaltaram ainda que no Candomlé são cultuados 16 Orixás, um resumo do Candomblé original cultuado na África. Na Santeria seriam apenas 7. É isso mesmo?

Jorge Garcia – Corretíssimo. Estive conversando com a Sra. Galende e o Sr. Jordan e é isso que me traz à SBB. A seriedade das pesquisas que não se restringem apenas ao ponto de vista japonês. No fundo as culturas espirituais falam a mesma coisa, e é esse o ponto de vista da pesquisa que a Sra. Galende e o Sr. Jordan fizeram sobre o Inconsciente Coletivo que me interessam. Alguns amigos japoneses que estão lendo os livros de sua instituição salientaram o conhecimento e a seriedade a cerca da religiosidade japonesa. São messiânicos, me parece. Bem... Mas de uma forma ou de outra, sou da mesma opinião da Sra. Galende, que podemos conhecer e acumular aprendizados para podermos realizar melhor aquilo que acreditamos, mesmo que não misturemos as coisas. Não precisamos misturar as crenças para fortalecermos o que já existe em nós. Esse é um pensamento maravilhoso.



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