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(por Jordan Augusto)
"Quando alguém evolui, evolui tudo que está a sua volta."
Muitos mestres ainda conservam as formas antigas da relação senpai-kohai, onde a felicidade e tristeza do aprendiz são decididas pelo mestre. Bem... No passado esta forma de treinamento refinava os sentidos aguçando a flexibilidade e a perseverança para lidar com as adversidades do caminho. Para muitos era uma demonstração de que aquele mestre de fato gostava de seu pupilo e faria de tudo para que este fosse um vitorioso. Assim, muitas foram as formas de treinamento que sucederam esta relação. Este pensamento não se deu somente no oriente. Podemos ver gravados na história dos capoeiristas, onde o saudoso mestre Bimba – Manoel dos Reis Machado – pedia a maus elementos que atacassem seus alunos em tocaia para ver se estes haviam aprendido a lição e se conseguiriam se defender. Parece que isto era uma praxe no inconsciente coletivo dos grandes mestres. A preocupação fazia com que situações fossem criadas como forma de preparação e não de destruição.
Nos dias de hoje, se algo semelhante é feito, o mestre supostamente será acusado de formação de quadrilha ou algo parecido e jamais dará conta de se explicar. É certo que o acusariam de ser uma pessoa leviana, sem escrúpulos e com certeza, se seu aluno fosse mal sucedido, seria acusado de ter tido a intenção de ficar com algum pertence. Uma coisa é certa, os tempos mudaram!
Nas épocas destes mestres as violências eram veladas e os gatunos sempre se aproveitavam dos mais fracos. Esta forma de ensinar e testar, durante séculos foi o que salvou a vida de muitos homens e mulheres.
De acordo com Morin, enquanto o pensamento simplificador desintegra a complexidade do real, o pensamento complexo integra, ao máximo possível, os modos simplificados de pensar. Por outro lado, o pensamento complexo aspira o conhecimento multidimensional e sabe, desde sempre, que o conhecimento completo é impossível. O princípio de incompletude e de incerteza estão por detrás desse tipo de pensamento.
Para os pensadores e hoje esta forma de ensino tradicional é complexa e absurda. Afinal, o que seria a complexidade? Para Morin, é um fenômeno quantitativo, ou melhor, um fenômeno que possui uma quantidade extrema de interações e interferências entre um número muito grande de unidades. Compreende, porém, não só grandes quantidades de interações e unidades que desafiam nossas possibilidades de cálculo, mas também incertezas, indeterminações e fenômenos aleatórios.
Pode-se entender que a complexidade incorpora em seu princípio uma forma dialética de compreender as oposições entre unidade/diversidade, acaso/necessidade, quantidade/qualidade, sujeito/objeto e, também, holismo/reducionismo. Com isto, esta nova forma de ver a ciência, a natureza humana e suas relações com o mundo, não prioriza o objeto ou o sujeito. Não deixa de promover a redução para buscar o holismo, pois isto faria da complexidade uma forma dicotômica de se ver a realidade. Ela busca uma forma de unidade complexa.
Talvez o mestre fosse tão fiel a seus ensinamentos que se dedicava ao máximo para a preparação daquele que lhe era querido.
Para muitos, os mestres poderiam ser fiéis aos ensinamentos, mas não demonstravam lealdade à relação que exerciam com seus alunos.
Muitos mestres explicavam que a cooperação com o crescimento pessoal deveria vir de dentro para fora. Ou seja, o êxito da cooperação depende da satisfação das necessidades e expectativas dos atores em função dos esforços realizados. A eficiência da ação coletiva reside no fato de que os benefícios advindos com a mudança devem ser suficientemente superiores à situação atual, de modo a estimular a cooperação.
A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável -(Mahatma Gandhi)
Talvez, acreditassem que para um êxito coletivo deveriam descobrir que os fracos também poderiam se tornar fortes. Agora... Como ensinar isso nos dias de hoje? Para entendermos estes fatos históricos é preciso que se tenha o bom senso de se considerar as condições e pensamentos da época. Certa vez, em plena década de noventa, um mestre japonês nos disse que estudávamos água com açúcar e não Bugei. Vale lembrar que a partir da década de oitenta, com o desenvolvimento das tendências educacionais críticas no Brasil, as relações entre conhecimento teórico, conhecimento cotidiano e conhecimento prático têm sido continuamente focalizadas pelos pesquisadores e estudiosos, haja vista a ação forte e evolução da justiça que nos é oferecida hoje. Certamente que em 1800 os crimes ficavam impunes e a civilização necessitava de algo a mais, não que hoje não necessite. Mas se faz necessária uma análise coerente e munida de bom senso.
O mundo evolui e com ele devemos também caminhar.
"Existem pessoas que se acostumam com seus próprios erros, e em pouco
tempo confundem seus defeitos com virtudes."
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