Com 56 anos de idade, Antonio Manuel Santana Monteiro Torres é um exemplo de dedicação àqueles que pensam em um dia seguir os caminhos do Bugei. Natural de Lisboa - Portugal, atualmente reside no Rio de Janeiro e é a segunda vez que vem à Sede Central para seguir os passos do Shidoshi Jordan Augusto.

Nesta conversa informal, acompanhe aqui o pensamento de um homem que é exemplo de que idade e distância não são empecilhos para se estudar na Sociedade Brasileira de Bugei.
1- O Sr. foi praticante de várias artes marciais, tendo se tornado faixa preta em uma delas. Durante estes dias de convivência, tivemos a oportunidade de perceber que o Sr. possui muito conhecimentos sobre várias áreas. O que o atraiu no Bugei?
R- Quando eu me interessei pelo Bugei, pensava apenas em estudar kenjutsu pois, foi o que me atraiu à escola do Rio de Janeiro, depois tive a grata surpresa de verificar que o Bugei era tudo aquilo que sempre quis conhecer sobre artes marciais mas não tinha ainda encontrado a oportunidade de possuir um mestre com o qual pudesse aprender estas artes, além de usufruir dos elevados princípios morais e espirituais presentes nesta tradição.

2 – Muitos ficaram encantados com vossa vitalidade... De onde vem tanta força?
R- Essa força vem da minha forma de alimentação e de uma prática constante de atividades físicas. Meu tipo de alimentação é conhecido como vegetarianismo crudívoro, na qual a base nutricional é constituída em alimentos de origem vegetal, com ênfase em sementes germinadas, frutas e hortaliças, sendo que nada é cozinhado, nem congelado e havendo restrição total a produtos de origem animal. Outro fator é a não aceitação do modelo que a sociedade procura estabelecer para as pessoas acima de uma determinada faixa etária, ou seja, se aceitamos o modelo imposto pela sociedade, este então, torna-se um pacote. Do qual as pessoas ficam dependentes diante da coerção social.

3 – O Sr. está hospedado na casa do Shidoshi, o que para nós é um privilégio. Como tem sido esta convivência?
R- Para mim tem sido uma experiência muito rica em ter o privilegio de estar perto do Shidoshi por mais tempo e de maneira mais próxima, proporcionando uma oportunidade de absorver mais de sua sabedoria. Sinto-me muito honrado pelo convite feito por Shidoshi em me aceitar em sua casa.

4 – Como tem sido o ambiente que o Sr. encontrou neste curso de inverno?
R- Um ambiente muito harmonioso, em que existe uma excelente convivência e cooperação entre os participantes – tanto alunos como instrutores – dentro do respeito a tradição do Bugei.

5 – Está claro para todos que o Sr. não é nenhum garotinho... E mesmo assim, resolveu iniciar do zero nesta arte tão difícil. O que representa o Bugei para o Sr. hoje?
R- Bugei representa a satisfação de uma busca pelo conhecimento das artes militares tradicionais japonesas e isso, além da evolução no domínio destas artes proporciona também um crescimento em termos de caráter e espiritualidade.

