quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 

Notícias            


Bomba!!! Entrevistamos Hashimoto Shidoshi...

Hoje uma das pessoas que mais idolatra e respeita Shidoshi Jordan, é seu contemporâneo de treinamento e formatura Isao Hashimoto. Foi aluno de Araki Sensei com quem cortou relações há anos. Hashimoto Shidoshi, que é professor de Sérgio Fujimoto, recentemente entrevistado em nosso site (ver sessão de entrevistas), propõe ao Shidoshi Jordan hoje um trabalho em conjunto nos EUA.

Hashimoto San, que hoje reside no Japão, está em São Paulo em visita ao Brasil e estará enviando em breve um aluno para que se especialize com Shidoshi Jordan Augusto em Goiânia. Juliana Galende propôs entrevistá-lo via Internet para trazer em nosso site o pensamento vivo de um dos mais importantes e inativos Shidoshi da atualidade.



JG - Muitas saudades do Brasil?

Muitas... O Brasil é um país lindo, é pena que financeiramente seja difícil viver aqui. O Japão oferece condições mais justas de se ter uma dignidade profissional.



JG – Há muito que o Sr. não dá aulas. O que houve?

Tive muitos problemas pessoais que fizeram direcionar minha vida para outras áreas divergentes ao Bugei. Tive problemas internos com Ogawa Sensei... Eu era muito novo e não possuía a experiência que tenho nos dias de hoje. Talvez fizesse de maneira diferente. Mas acredito que as coisas tinham que ser desta maneira, a situação estava insuportável.



JG – Mas o Sr. é um shidoshi... O que facilita um retorno à prática e a dar aulas... Hoje o Sr. tem alunos no Japão?

Não. Há muito que não dou aulas. Minha estada no Japão é única e exclusiva para um ganho financeiro. Possuo apenas contatos com alunos que tive no Brasil, mas nada demais. Durante muito tempo acreditei que nunca mais pegaria em minha espada.



JG – Nos fale dos planos que o Sr. tem ao lado de nosso Shidoshi Jordan?

Jordan sempre foi um ídolo para nós que fazemos parte de uma turma depois da dele. Acredito ser a pessoa certa para nos orientar nesta nova etapa.



JG - Como assim?

Recentemente, mais ou menos um ano, tive contato com Hasegawa Shidoshi que faz parte da turma do Jordan, e o mesmo me disse que Jordan hoje faz um interessante trabalho do qual eu não tinha conhecimento. Entrei no site e vi que além de um grande professor, Jordan havia conseguido absorver bem os ensinamentos de Ogawa Sensei que hoje nos faz muita falta. Quando leio seus artigos no site de vocês, tenho me transportado ao passado e parece que escuto as palavras de nosso mestre. Talvez seja isso que me direcione mais para a Sociedade Brasileira de Bugei. Pretendo em Breve fazer uma homenagem ao Jordan no Japão na presença de amigos que praticam Katori Shinto Ryu e Tamiya Ryu.



JG – E por que não Kaze no Ryu?

Tenho problemas políticos com Motoshima Sensei e outros professores. Em verdade, desde que fui para o Japão nunca tive acesso à pessoa dele. Nem sei se está vivo. Só tenho recordações dele no Brasil e para dizer a verdade, nunca conversamos. Hoje penso que é melhor trilhar meu próprio caminho.



JG – Particularmente, interesso-me muito pelo passado do Bugei no Brasil, pois estou escrevendo um livro. Fale-nos mais a respeito destas épocas passadas.

Ogawa Sensei era um homem forte, mas de temperamento tempestuoso e terrível. Um homem que não nos permitia ter personalidade própria. Um japonês forte e militar. Hoje sei que muitos ficaram felizes com sua morte. Mas não sinto isso. Sou eternamente grato a meu mestre, mas digo que foram épocas duras e penosas.

O Bugei no Brasil durante muito tempo trabalhou a mando de Ogawa Sensei na proteção de japoneses que hoje sei que não eram pessoas de caráter. Foi formado um grupo especial e muito se investiu nestas pessoas nas áreas de conhecimentos estratégicos e táticos que impressionou muitas vezes homens da polícia e exército brasileiro. Fazemos parte deste grupo de pessoas. Eu, o Jordan, Hasegawa, Okaza e outros. Acredito que ninguém que pertenceu a este grupo teve paz em sua vida pessoal. Trabalhávamos como loucos e nunca fomos valorizados.

Sabemos que ele usava muitos nomes diferentes o que muitas vezes nos foi ensinado em aulas de estratégia. Éramos treinados em aulas especiais com grupos de cinco pessoas e vários professores. Tínhamos um treinamento de elite e com certeza não eram práticas comuns a alunos normais do Bugei.



JG – E o que o faz enxergar em Shidoshi Jordan um caminho?

Foi uma pessoa que resistiu a absurdos e caprichos de pessoas mais velhas. Penso que uma pessoa que resistiu a tudo isso e ainda continua sua luta, merece no mínimo ser referência de caminho. Jordan viveu infernos internos e externos relacionados ao seu caminho no Bugei que hoje me envergonho.



JG – Fale-nos mais a respeito...

Esse grupo preparado era o grupo que estava pronto para entrar na frente dos assuntos de Ogawa Sensei. Os treinamentos eram levados ao extremo e muitos não resistiram e se afastavam com ódio e amargura. O Bugei durante muito tempo funcionou com uma escola fechada e rígida que não se permitia ser conhecida. Tamanha era a força do Bugei no passado que alguns presidentes da república se aconselhavam com homens do Bugei. Minha família pôde presenciar isso. Como muitos, o Bugei se manteve quieto e sem ser notado durante décadas. As práticas marciais nunca foram valorizadas e sim os conhecimentos estratégicos e místicos. Tanto que nenhuma pessoa desta época que possui o título de Saiko Shidoshi sabe com profundidade as técnicas ensinadas posteriormente por Ogawa Sensei. Como disse, não era importante. Os homens precisavam se instruir, fazer universidade, tornar-se competente.

Muita coisa veio à tona com os problemas com a Shindo Renmei no Brasil, e que teve os homens do Bugei como inimigos. Ogawa Sensei sempre nos disse que poderia morrer a qualquer momento, pois acreditava possuir inimigos desta época. Hoje penso que muitos foram preparados para um suposto confronto. A Shindo Renmei foi caçada e isso facilitou o relacionamento de Ogawa sensei com militares.



JG – O Sr. parece de fato magoado... Como pensa em lidar com isso no caminho do Bugei?

É um dos motivos pelo qual quero estar mais próximo de Jordan... Acredito que juntos podemos fazer um Bugei diferente e maravilhoso.



JG – No começo de nossa conversa informal o Sr. me disse que o Shidoshi Jordan é como um ídolo para o Sr. Como assim?

Como exemplo de vida... Como atleta!... E hoje como o mestre que vejo direcionar um trabalho fabuloso que tem assustado muitas pessoas pela competência. Para se ter uma idéia, um amigo no Japão me mostrou os vídeos que vocês colocaram no site e pensei. Nossa como ele envelheceu!... Brincadeira! Senti orgulho de conhecê-lo!



Topo da Página Voltar Notícias

 

As informações contidas neste web site são de uso exclusivo da Sociedade Brasileira de Bugei Ltda. O uso indiscriminado de textos, ensaios, artigos ou imagens com a marca d'água sem prévia autorização dos autores é proibido, sob pena previstas pelas leis de copyright.

2010 © Sociedade Brasileira de Bugei - Todos os direitos reservados - All rights reserved
bugei@bugei.com.br  [Contato - Contact Us]

SOBRE A SBB

 
Quem somos
Currículos
Atuação e Projetos
Corpo Jurídico e Executivo
CNKB
Escolas
Contato
Galeria

SOBRE O BUGEI

 

Origens e Definição

Kaze no Ryu Bugei

Bugei no Brasil

Ogawa Ryu ou Kaze no Ryu?

Disciplinas Físicas

Disciplinas Mentais

Grandes Nomes do Koryu

Japonês 

Textos do Shidoshi Jordan Augusto 

Shodo - caligafia japonesa de Shidoshi Jordan

artigos disponíveis






 

 

Artigos Específicos sobre Koryu

Clique Aqui

 

MAIS...

Hall Of Fame 2009

Seção de Sumi-e

Cursos e Seminários Courses and Seminary

Textos, Contos e Crônicas

Cultura e Tradição Japonesas

Documentos Tradicionais

Makimono - Confira Aqui!

Livros, Vídeos e Outros Produtos

NEW PROJECT 2008 Representative person

Hall of Fame 2007 e 2008

CD Jordan Augusto y Pedro Lucena

Bugei na Revista Budo International