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(por Jordan Augusto)
“A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude.” (François La Rochefoucauld)
O mundo transgrediu interessantes épocas, povos, regiões, ensinou-nos que tudo possui um motivo, uma razão, uma forma de ser, com propósitos maiores que, quase sempre, instigam algo melhor e progressivo. Um forte exemplo ao longo dos anos levou-nos a ver a hipocrisia inserida em acontecimentos como a santa inquisição, guerras forjadas, côrtes, ou mesmo em tempos mais atuais, a aristocracia das grandes metrópoles, as gerações anteriores, e etc., moldadas por um costume onde as aparências eram o tesouro mais valioso para uma família, principalmente a conservação do bom nome e manutenção das boas impressões geradas nos demais; hábitos que demonstravam que as limitações conscienciais salientavam uma mente entorpecida pela síntese do que “falariam os demais” – e ainda, em parte é assim; o ponto de maior preocupação e ênfase para a época. Quem nunca escutou as histórias contadas pelos nossos pais, avós, sobre os costumes, os bons modos das décadas anteriores que envolviam rapazes, moças, negociantes...?
Contudo, a modernidade chega e com ela as suas adaptações, alterações nos padrões sociais, hábitos, costumes, regras... O novo se funde ao velho e, pouco a pouco, vai modificando toda uma rígida sucessão de épocas. Estamos em pleno ano 2012!!! Época em que supostamente deveríamos estar visitando outros planetas, viajando em naves estelares... O curioso é que ainda parecemos os mesmos de outrora; os costumes mudaram, mas os vícios, os crimes, as barbáries, prevalecem como um vírus inatingível. A moda agora é se redimir diante de Deus. Se isso for para melhor, podemos todos dizer: ainda bem! Todavia, o ser humano é um ser que transita de acordo com a moda do momento; atua pela conveniência e joga com as cartas marcadas de uma manipulação que busca, unicamente, o “auto-favorecimento”.
Recentemente, em um dos programas da televisão espanhola, um pensador, que eu gosto muito, disse que “...ainda somos vítimas da hipocrisia humana.” Concordo! Uma interessante anedota ocorreu com um amigo:
Cansado de ser perseguido por sua sogra e sogro, e chefe da área de investigação de um destes países da comunidade europeia (não vou dar detalhes porque é famoso), de “saco-cheio” de ser acusado disso e daquilo e, quase sempre, em nome de Deus, reprimido como se fosse o próprio diabo, este resolve investigar a vida de ambos. Como sempre acontece com os falsos moralistas, o que existe por trás é podre e cheira mal. Ao mostrar as fotos, vídeos gravados, e etc., para ambos, alegaram estar sendo (ele) um perseguidor a mando do próprio demônio; que este queria desmoralizá-los!!! Já dizia Confúcio: “Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita.”
Isso é mais comum do que se imagina; o funcionamento da mentalidade humana está sujeito a inúmeras represálias contra si mesmo, haja vista ser verdade que a ignorância humana é o ponto que muitas vezes estabelece os padrões de uso e ação do que seria a consciência, o equilíbrio: para uns a santificação representa a cegueira que move o chicote contra os demais, esquecendo-se de que é em si que Deus e o Diabo vivem. Em nós, principalmente no que rege a nossa consciência, a vida se encarrega de aplicar-nos constantes e cotidianas injeções de bom senso com o intuito de fazer-nos entender que a nossa verdade acaba onde começa a dos demais.
Isso significa que o homem deve olhar seu próximo com respeito e sensatez – para não dizer ética, uma vez que esta não é comum à realidade de uma sociedade que vive da fofoca, do maldizer! Facultamos em perspectivas que indicam que a ética seria o antibiótico para determinados seguimentos; no entanto, ainda somos seres animais com uma dose de racionalidade; violência, latrocínio, violações, abusos, falso testemunho, mentiras... São tantas as “lombrigas” que consomem a mente humana que o resultado não poderia ser outro a não ser corrupção, mentiras, escândalos, roubos... Cada povo tem o governante que merece!
Vivemos nossos dias pautados em tantas regras e burocracias, para não dizer hipocricias, que superar a ferocidade e o egoísmo alheio é tarefa quase impossível. Lendo um livro de Ubaldi este diz algo fabuloso a depender do ponto de vista: “Que interessam as diferenças entre os vários planos políticos do mundo, se os imperialismos são todos iguais e tudo se reduz à substância biológica de vencer para dominar?”
“A intolerância irracional de muitos escusa ou justifica a hipocrisia ou dissimulação de alguns.” (Marquês de Maricá)
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