domingo, 26 de maio de 2013

 

Notícias            


Aquietando a revolta!...

(por Jordan Augusto)


"Uma pessoa para compreender tem de se transformar." (Antoine De Saint Exupery )

Por mais que se diga que não, nós, seres humanos, padecemos em meio à confusão mental que enfrentamos todas as vezes que necessitamos reagir frente à vida, aos acontecimentos... Acreditamos ser mais fácil o caminho que nos leva à revolta do que o que projeta a compreensão. A questão é que, humanos que somos, transformamos os momentos em perspectivas pessoais e acreditamos, com isso, que as realidades se alterarão em proporção ao que enxergamos. Obviamente que não!

Por outro lado, a compreensão é sempre o ponto mais débil em uma relação de aproveitamento e abuso. Sempre alguém espera que o outro compreenda; o triste é quando isso é premeditado; quando o mal é feito contando com a compreensão de alguém! Nem é preciso dizer que esta foi arma de muitos que ousaram enganar, ludibriar, acreditando que com o uso da esperteza será sempre o outro quem perde. Entretanto, aquele que engana deixa suas marcas, são fáceis de serem seguidas; ganham uma vez, mas fecham as portas para tantas outras. Após cruzar com tantos que atuaram desta forma, penso que as linhas de repercussão entre o desonesto e a sua desonestidade é sempre fina como um fio de cabelo; malandro, esperto, de visão adiantada, que vê lá na frente, pensamento e fala rápida, mal percebe que em sua caminhada já não é mais sobrevivente (como muitos dizem e se justificam), mas um estigmado ser que caminha em constante rivalidade; já não consegue confiar em ninguém... Vive um cenário de eterna luta contra a falta de oportunidades, vive e transita em atmosferas de inimizades e eterna disputa, desconfiança!

Cada vez mais estou certo de que a compreensão pode ser mais fácil que as consequências e custos de uma revolta. Todavia, compreensão não significa perdão; nem tão pouco voltar a amizade ou convivências. A pior punição para o mau-caráter é este não ter mais a oportunidade de afiar ou utilizar as suas garras. Há de se pensar que se alguém o engana uma vez, a culpa é dele; se o engana uma segunda vez, a culpa será sua! E a oportunidade, onde fica? Ainda que esta exista, que seja permeada pelo perdão e boa consciência, sabedoria, ela jamais pode estar sob as mesmas circunstâncias e posicionamentos. É como a subida de uma grande montanha: cada vez que você desejar uma segunda oportunidade, deverá voltar a subí-la! "Ninguém pode ver nem compreender nos outros o que ele próprio não tiver vivido. " – disse Hermann Hesse.

Disse Johann Goethe que “Não se possui o que não se compreende.” Por este viés, cada um de nós leva dentro uma realidade que se expressa à medida que damos forma e vida aos nossos movimentos. Todas as características ordinárias do real e imaginário mundo que projetamos através de nossas individuais compreensões são, quase sempre, paralelos aos nosso esforços para o bem e para o mal; a mente confusa instiga a consciência a seguir pelo mesmo caminho; dependerá unicamente do que você entende por olhar para si mesmo para perceber que em linhas de subjeção, as reações são sempre parte de uma paisagem que em meio ao todo não consegue discernir entre uma coisa ou outra. Tanto a ilusão quanto a verdade estabelecem padrões que se sustentam quando queremos, ou acreditamos, ter razão; o engano se manifesta em formas de sabedorias atrativas e palavras de intensa profundidade.

Em vias de uma sabedoria real, imediata, há de se verificar bem que a consciência que não se deixa impressionar por tais malabarismos, sabe restaurar em suas condições internas o ato de observar, perceber, de dissolver a ilusão para que o eu, seja ele em vias de expansão ou contração, não represente uma posição instável, medrosa, míope, frágil, refém de algo ou alguém! Mas um ponto que estimula o movimento, a observação, a profundidade que está em contínua transformação, em contínuo aprendizado, descobertas... "Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas." – disse Confúcio.









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