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(por Jordan Augusto)
Sim, parte, não deve ser o objetivo final! A claridade com que a nossa mente se relaciona com as adversidades, sobretudo aquelas que nos oferecem uma impressão de serem intransponíveis, que soam “a desafio”, desperta o subconsciente que emite a ordem de seguirmos, avançarmos, ou retrocedermos. Diante da vida, quase todos nós, perecemos por não encontrarmos as respostas adequadas para os supostos momentos adequados. Isso significa que nenhum problema está isolado de uma realidade que o sustenta. Em profundidade, podemos dizer que em um panorama vital nada se resolve isoladamente. O paralelo que surge em decorrência de nossa íntima e individual forma de lermos os momentos nos indica que, humanos que somos, insistimos em buscamos soluções externas para problemas internos. Vejo ser mais do que natural que esta dissonância existente em cada universo separado (interior e exterior), ainda que se comuniquem através de nós, conduza-nos à expansão de nossas sensações; o que por sua vez, pode gerar confusão e, por conseguinte, induzir-nos ao sofrimento.
Albert Einstein dizia que “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.” Todos estamos inseridos neste mar de tensões e energias que chamamos de mundo, planeta, existências... Contudo, poucos de nós possuem a consciência de que isto, de fato, influencia-nos em nossas realidades mais íntimas; em nossa forma de ser. Podemos dizer, em alternada reflexão, que nossas mentes estão constantemente buscando se adaptar aos momentos, mas raramente a compreendê-los. Por mais que as nossas verdades adquiridas nos sirva para algum tipo de reordenação e posicionamento, esta mesma mente, estando à mercê de realidades e influências, está constantemente desejando, construindo, alterando, identificando-se, associando-se, criando, modificando... Para todos nós a realidade da vida se mostra de maneira diferente; cada época, instante, atende a propósitos por nós mesmos criados. Se for verdade que a evolução é um tipo de lei que nos empurra para frente alternado suas direções, também será fato que não existe outra via senão a da compreensão. Pois é, mas aí está: o que é compreensão?
Como disse em outros artigos, em minha forma de ver, entendimento é ver um objeto, um fato, uma pessoa, seja o que for, através de um único ângulo. Compreensão é ver este mesmo objeto por vários ângulos e perspectivas diferentes. Todos chegamos a um tipo de compreensão interna através de uma grande transformação de valores e posições. Quanto maior for a compreensão maior será a condição de atuação da consciência. Toda busca humana gira em torno do encontro com a felicidade, com o prazer de viver, de existir em plena estabilidade e equilíbrio. Não há outra maneira de valorizar o céu senão conhecendo o inferno. Dizem as mentes mais sábias que é através das adversidades que valorizamos a serenidade, a quietude... É através do extremo que mensuramos e descobrimos a necessidades de olhar para si.
Uma pessoa muito interessante, sábia, que conheci em Barcelona, dizia-me que estamos inseridos em uma realidade que expressa diversas qualidades de uma grande luta social hodierna que, no final, basicamente se reduz a esse desejo intenso de adquirir tranquilidade, estabilidades financeira, ou em extrema investida: poder. É curioso, mas nossas realidades se misturam em um tipo de auto-deterioração e desejos futuros. Perde-se a saúde, a felicidade, para garantir uns dez anos de alegria na velhice. Isto é, rouba-se do futuro o tormento imposto pelo medo vivenciado no agora. É aí que vê-se emergir do profundo a necessidade de aumentar os bens, trabalhar ainda mais, pela necessidade de conservá-los. Quiçá, o grande desafio da vida não seja somente entendê-la, mas transitar neste universo de maneira racional e lúcida. Diz Pietro Ubaldi em um de seus belos livros que “O mundo atual anseia por essa prisão dourada, que segura e enquadra em seus muros e da qual, depois, é tão difícil e penoso sair.”
“A sorte favorece a mente bem preparada.” (Louis Paster)
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