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Vivendo
uma importante e positiva fase
profissional, Shidoshi Jordan rejeitou
importante proposta de se mudar para o
exterior e causou polêmica ao responder
a uma entrevista que será publicada em
um informativo de uma pequena escola de
empresários nos EUA. O Shidoshi hoje
goza de prestígio no exterior devido ao
importante trabalho que vem sendo
desempenhada na reorganização de
pesquisas com conceitos de Koryu e
cultura.
Para o próximo ano, um livro será
publicado com os principais depoimentos
de importantes nomes do meio marcial que
admiram e aprendem com o Shidoshi, que
recentemente foi citado em um
vídeo-documentário sobre o Kaze no Ryu
que está sendo produzido no Brasil como
um dos maiores conhecedores da cultura
Bugei, ressaltado pela perfeição técnica
e pelo número de artigos e livros
publicados.
Alunos da Universidade Católica de Goiás
passaram alguns momentos ao lado do
Shidoshi procurando saber mais a
respeito, o que resultou em uma gostosa
entrevista. Confira!

Alunos-UCG – De acordo com os
rumores que escutamos, muitas reuniões estão decidindo o destino
da SBB. Até onde podemos afirmar que em meio a tantas propostas,
este é o momento de expandir profissionalmente para outros estados
e países?
Considero tudo isto especulação. Os planos são outros e não é o
momento de pensar nisto. Se considerarmos o atual momento, ele é
apenas uma conseqüência de um trabalho já iniciado. Não tem nada a
ver com o que se fala por aí. É um momento de uma reavaliação de
tudo o que passou... Os ganhos, as perdas, e uma reestruturação
para algo melhor. É complicado pensar da maneira que as pessoas
querem. Mal sobem em um tijolo e já querem fazer discurso. O
caminho não é esse! É um momento de aperfeiçoamento... De
melhoramento... Crescimento pessoal. Não tem nada a ver com estas
bobagens. O ser humano cada dia que passa está mais difícil, e uma
boa técnica demora tempo para ser construída. O mundo todo se
tornou um só comércio. O lado empresarial é importante, mas
existem conceitos que não podem cair no ostracismo.
O mundo hoje se resume em um conceito: vaidade! E este não pode
ser o ponto de partida. É exatamente o contrário! O bom caráter, a
boa técnica, o bom professor ou mestre deve abster desta idéia.
Entendo que as pessoas que ensino querem ver o Bugei florescer e
crescer, mas ainda não é o momento. Existe muita coisa antes
disso! O que penso para mim não envolve este tipo de política que
me apresentaram. Prefiro me exercitar de outra forma.
Alunos-UCG – Mas até onde isto não seria importante para o
Bugei?
O que o Bugei hoje precisa é o mesmo que qualquer outro caminho
precisa, de verdade, objetivo e direcionamento. O mundo está cheio
de pessoas cheias de energia, mas perdidas. Tal como Weber em sua
teoria sociológica afirma, precisamos exercitar uma “Ciência da
Realidade”, voltada para a compreensão da significação cultural
atual dos fenômenos e para o entendimento de sua origem histórica.
Entendo que neste aspecto que você me citou, a realidade é
entendida como algo infinito, que pode ser apreendido a partir de
inúmeros ângulos, mas jamais na sua totalidade ou essência. O
conhecimento seria sempre fruto de um recorte particular, da
seleção de um conjunto específico de problemas e de fenômenos.
Essa seleção ou recorte particular seria, necessariamente, feita a
partir das referências pessoais dos sujeitos cognoscentes. Podemos
como Weber, negar assim, a possibilidade de um conhecimento
absoluto, livre de quaisquer pressupostos, capaz de definir de
modo completamente neutro qual a verdade absoluta das coisas.
Penso que só seria importante para o Bugei se este conseguisse se
projetar com seriedade em todos os lugares a que se propõe, e
posso lhe dizer com propriedade que as coisas não são tão simples.

Alunos-UCG – O que complica este
processo? Seria um fator externo?
Dizemos que são externos porque são
fatos coletivos, como a religião ou o
sistema econômico, por exemplo,
independentes dos indivíduos, que já os
encontram prontos quando nascem e que
morrerão antes que esses deixem de
existir. Ou seja, existem fora dos
indivíduos e são internalizados através
do processo de socialização.
Essas maneiras de agir e pensar são,
além de externas, capazes, pelo seu
poder coercitivo, de obrigar um
indivíduo a adotar um comportamento
qualquer. A coerção pode se manifestar
direta ou indiretamente.
É direta, por exemplo, quando o
professor estabelece seus critérios de
avaliação, aos quais o aluno é coagido a
se adaptar para se sair bem na prova.
Mas é indireta quando um empresário
passa a utilizar computadores para
administrar os seus negócios, pois ele
faz isso pressionado pela concorrência,
embora não exista nenhuma lei que o
obrigue explicitamente.
A coerção pode também ser formal ou
informal. É formal, como o próprio nome
já diz, quando a obrigação e a punição
pela transgressão estão estabelecidas
formalmente. O Código Penal, por
exemplo, apresenta um grande número
coerções formais para diversos atos
predefinidos.
É informal quando é exercida
espontaneamente pelas pessoas no seu dia
a dia. Quando, por exemplo, uma pessoa
chama a atenção de outra por tentar
“furar” uma fila.
Finalmente, a coerção pode estar oculta.
A pessoa que cumpre de bom grado e com
satisfação as suas obrigações sociais
não sente o peso da coerção sobre o seu
comportamento. Uma pessoa que gosta de
sua profissão, por exemplo, geralmente
cumpre seus deveres com prazer, sem a
necessidade de imposições. Mas a coerção
nunca deixa de existir. Está sempre à
espreita.
Não acredito que isto agora seja bom
para o Bugei.
Alunos-UCG – Mas como funciona essa
relação de coerção?
Os regimes do Bugei como forma
tradicional de Koryu são rígidos, daí o
fato de serem analogamente mencionados
como militarismo. Porém não funciona o
fato de você simplesmente expor uma
idéia e não dar condições dela ser
seguida, ou seja, exemplos,
direcionamentos, ensinamentos, que só
são apreciados com uma pessoa que tenha
muito tempo de prática que conseguiu
adquiri-la para si e que aplique no
dia-a-dia.
Não acredito que representantes que não
tenham no mínimo de dez anos de
experiências ao lado de um bom mestre
tenha condições de transmitir uma
cultura sem a interferência de vaidades
e imposições. De uma forma geral, no
caso do Bugei, pois não tenho
conhecimento para falar de outras artes,
os alunos que têm contato com esse tipo
de cultura através de terceiros são
sempre engolidos por esse tipo de
coerção, pois são obrigados a se
adaptarem a um sistema sem um
entendimento gradativo, que proporcione
uma absorção sadia. Seria o mesmo que um
estrangeiro tentar entender o carnaval
por uma enciclopédia, ou com alguém que
na verdade uca desfilou... Jamais ele
entenderá o porquê que pessoas
sacrificam um ano de trabalho em troca
de minutos na avenida. Eu acredito que a
técnica ela é como um bonsai de
qualidade, deve ser regada, aparada, com
observação constante para um bom
crescimento.

Alunos-UCG – As pessoas comentam de
muita rigidez no aspecto da seriedade da
SBB, sendo famosa por convidar muitos
alunos a se retirar da instituição.
Nesse mundo capitalista e num âmbito
empresarial, isso não seria uma
contradição?
É importante estabelecer que tipo de
trabalho se está desenvolvendo.
É uma coisa pequena? Grande? Digo isso
porque se for grande, você estará
lidando com uma quantidade relativa de
pessoas. Estas por sua vez podem ser
analisadas dentro de um aspecto de você
estar lidando com uma multidão ou com o
“povo” propriamente dito. Analise você
no caso de um esporte. Bem vamos lá...
Considero que o conceito de “multidão”,
por contrapor àquele, mais familiar, de
“povo”, seja uma ferramenta decisiva
para toda reflexão sobre a esfera
pública contemporânea. É preciso ter
presente que a alternativa entre “povo”
e “multidão” esteve no centro das
controvérsias práticas (fundação do
Estado centralizado moderno, guerras
religiosas, etc.) e teórico-filosóficas
do Século XVII. O que você espera de uma
arte tradicional em seus ensinamentos ao
se lidar com um grande número de pessoas
que não nasceram naquela cultura?
Ensinamentos parciais ou integrais? E se
parciais, como controlar o caráter
humano? O Brasil hoje é um exemplo deste
tipo de problema. Então para se fazer um
trabalho grande é importante refletir
que neste caso dos conceitos que
abordei, esses dois conceitos em luta,
forjados no fogo de agudos contrastes,
jogaram um papel de enorme importância
na definição das categorias
sócio-políticas da modernidade. Agora
para se fazer um trabalho sério e
direcionado você tem que se decidir
entre ser professor ou amigo. Na relação
senpai-Kohai no que tange à instrução
uma mistura entre os dois pode não ser
salutar para a manutenção de um caminho.

Alunos-UCG – Crescer sem expandir...
Mesmo com obstáculos? Como se dá isto?
Todos os dias nós nos defrontamos com
obstáculos pessoais e profissionais que
dificultam nosso trabalho. Mas, olhando
por outro ângulo, são esses mesmos
empecilhos que enriquecem nossas vidas,
porque nos obrigam a que nos tornemos
melhores para poder superá-los. Se não
fosse assim, qualquer um teria sucesso.
Foi Moliére, o teatrólogo francês, quem
disse: 'Quanto maior o obstáculo, maior
a glória ao superá-lo'. Mas é necessário
um sistema para aprender a enfrentar
essas dificuldades e sobrepujá-las.
Vocês do curso de administração, falam
muito em desenvolvimento, mas O que é
desenvolvimento? Segundo o dicionário,
desenvolvimento é "Ação e efeito de
desenvolver; crescimento. ...". Fazer
crescer; aumentar. ...Identificar as
próprias habilidades e aprimorá-las é um
dos caminhos para o sucesso.
Conheço vários profissionais e
executivos de grandes corporações que
superam qualquer dificuldade, solucionam
todos os problemas e conseguem o que
querem; que se sentem motivados pelos
desafios, não amedrontados. E também
identifico com freqüência, pessoas que,
por medo de desafios, consideram-se
incapazes de pensar em caminhos
diferentes, criar alternativas, ter
idéias que inovem e gerem resultados.
Devido a esses bloqueios, elas perdem
grandes oportunidades – ou, o que é
pior, não conseguem nem sobreviver.
O problema dessas pessoas é que elas
ainda não descobriram que possuem um
maravilhoso potencial a ser
desabrochado: sua própria criatividade.
Então, o que eu faço é demonstrar-lhes
que qualquer um pode aprender a utilizar
plenamente seu potencial criativo. Está
ao alcance de todos o aprendizado de
técnicas, maneiras e dicas que farão no
Bugei a diferença entre o sucesso e o
fracasso, entre uma vida com muito
brilho e sucesso ou insípida e medíocre.
Crescimento não se dá somente no aspecto
exterior da questão. Palavra que não
pode faltar no vocabulário é qualidade.
Ser bem-sucedido é saber privilegiá-la,
mostrar eficiência e comprometimento com
os objetivos direcionados ao ensino.
Hoje não é hora de expandir. Mas de
formar pessoas capacitadas para uma boa
perpetuação da cultura. O caminho para o
sucesso profissional pede, sobretudo,
que o profissional tenha objetivos e
metas definidas. E por falar em metas...
Sucesso é também sinônimo de
persistência. Se não formos
persistentes, não chegaremos a lugar
nenhum. Quero te dizer uma coisa: Quando
você for uma bigorna, fique parado!
Transformando-se num martelo bata com
firmeza!
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