quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 

SBB Entrevista Sherman Calixto             


 

 

A SBB entrevistou Sherman Calixto do Prado. Aluno recente da Instituição, Sherman, carinhosamente, ocupou seu espaço despertando para si respeito e admiração dos demais devido à sua seriedade e clareza de caráter. Sabemos que pessoas como Sherman - que busca incessantemente respostas sem saber se irá encontrá-las, porém sempre seguindo adiante de coração aberto e espírito forte - reafirmam a recompensa do trabalho realizado pela SBB.

Pensamos que uma longa viagem começa com um único passo, assim, devemos analisar esse primeiro passo na vida do kohai como único e verdadeiro. Dessa forma, na caminhada do kohai, "devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas"  (Voltaire)

 

 

1) Como você conheceu o Bugei?

Meu primeiro contato foi através de alunos de outra arte. Conheci o Bugei através de comentários e brincadeiras sem fundamento e que não vale a pena comentar. A partir de então minha curiosidade foi aumentando. Quanto mais eu ouvia maledicências sobre esta nobre arte mais eu me interessava. Pude conhecer, verdadeiramente, um pouco sobre o Bugei através de amigos que estudavam na escola. Entre eles o shidoin Ronaldo que na época era Kohai. Via sua dedicação e a forma honrosa que falava sobre o Shidoshi Jordan. Isso fez com que me interessasse, mas não a ponto de querer entra na escola.

Quando o site da SBB foi lançado uma mudança ocorreu. Pude conhecer mais de perto o que de fato era o Bugei. O site é uma verdadeira biblioteca de ensinamentos fantásticos. Todos os  dias eu me deparava com um artigo novo e belamente escrito pelo Shidoshi Jordan e seus alunos. A cada artigo um ensinamento, a cada leitura um aprendizado. Artes marciais, cultura, filosofia, uma infinidade de possibilidades abrindo minha mente e alimentando minha curiosidade.

Após alguns anos ouvindo pessoas e estudando no site eu me senti finalmente seguro de que o Bugei seria algo que eu deveria conhecer mais de perto. Foi então que no dia 6 de janeiro de 2004 eu entrei como Kohai.  

 

2) Você já tinha praticado outras artes marciais antes de entrar na nossa escola, fale um pouco sobre esta experiência.

Desde pequeno sempre gostei de artes marciais. Pratiquei Judo, Karate, Aikido e Hapkido. A que eu mais me dediquei e gostei de fato de ter praticado foi o Aikido. Uma filosofia muito bonita e profunda. Sempre fui uma pessoa curiosa e sempre busco aprofundar naquilo que estudo. Pude conhecer a filosofia do Aikido através de estudos sobre o fundador Morihei Ueshiba. Neste ponto algo me intrigava. Era como se eu tivesse aprendendo uma coisa nos livros e praticando outra. Aí eu me perguntava: Qual é o verdadeiro? Depois de um ano praticando e estudando tive problemas pessoais que me fizeram parar de praticar. Eu não queria parar. Estava fascinado pela arte. Apesar de não poder praticar eu continuei estudando apenas através da literatura.

Quando finalmente pude retornar a pratica escolhi a Escola de Bugei. Um novo mundo se abriu diante de mim. Tudo que eu imaginava em artes marciais podia ser estudado nesta escola. Com o passar de três meses estudando na escola posso dizer que meu conceito sobre tudo que aprendi sobre artes marciais mudou bastante. Antes eu praticava e era treinado para saber lutar. Treinava horas e horas meu corpo para ser forte. Hoje, praticando Bugei a história é totalmente diferente. Pratico artes marciais sim, mas pratico para crescer ainda mais como homem, como marido, como filho e como amigo.

 

3) Sabemos que o caminho do Bugei é muito difícil, exige muita disciplina e perseverança. Como você mantém  hoje esta motivação? 

A minha motivação de hoje é a mesma do primeiro dia. Isso é possível pois as pessoas aqui do Bugei proporcionam isso. Trilhar nesta arte não é tarefa fácil. Não digo isso por mim que ainda sou iniciante, mas digo através de conversas com o Shidoshi e com alunos mais velhos que estão me preparando dia após dia para trilhar em um caminho cheio de pedras e espinhos, mas que é maravilhoso.

Como manter a motivação diante de um caminho tão difícil? Posso resumir isso em uma palavra. SONHO. Tenho comigo muitos sonhos que podem ser realizados e vividos aqui dentro da escola. O Shidoshi é uma pessoa que se preocupa muito com isso. No Bugei as possibilidades são infinitas. É normal um turbilhão de sonhos aflorarem em nossa mente. Este é um dos motivos pelo qual o Shidoshi tira parte de seu tempo precioso para nos instruir. Diante de tal dedicação e por respeito eu digo por mim que é difícil não haver motivação para continuar. É certo que ainda estou engatinhando no Bugei. Muita coisa virá pela frente. Espero estar preparado.

 

4) Na sua visão qual é importância da oportunidade de ter aulas diretamente com Shidoshi Jordan Augusto?

Somos privilegiados por isso. Shidoshi é uma pessoa muito importante e muito atarefada. As responsabilidades na escola lhe exigem muita dedicação. Mesmo assim ele consegue conversar com todos os alunos, ensinar e partilhar um pouco da vivência de uma vida inteira dedicada ao Bugei com todos nós.

O caminho por ele percorrido foi muito mais duro do que será para qualquer um de nós. Pelo pouco que pude ouvir e ler, sei que para chegar aonde ele chegou muito sofrimento e dedicação fizeram parte de sua vida. Devemos respeitá-lo e honrá-lo por tudo isso. Ter oportunidade de ser instruído por um verdadeiro mestre sem dúvida me deixa muito emocionado. É difícil retribuir tudo que o Shidoshi nos passa de ensinamentos que são preciosos. Dedicação, respeito e gratidão. Acho que é um bom começo para tentar retribuir.

 

5) Qual a contribuição que os ensinamentos do Bugei trouxe para sua vida pessoal e profissional?

Bom, como tenho pouco tempo de escola eu estaria fantasiando se afirmasse que, hoje, o Bugei mudou toda minha vida. Sou Kohai. Ainda tenho muito que aprender. Mais uma coisa realmente mudou. A forma de pensar e encarar as dificuldades do dia-a-dia. Lendo os artigos do site, alguns livros do Shidoshi e conversando com ele e seus alunos mais graduados, aprendi a ver as coisas de uma forma diferente. Aprendi a me posicionar de varias maneiras para melhor avaliar alguma situação que eu esteja vivenciando. Dessa forma posso amenizar alguns sofrimentos que antes eram difíceis de lidar.

Na esfera marcial pude mudar minha visão a respeito de tudo que havia aprendido anteriormente. Antes eu me considerava um lutador que praticava um estilo. Hoje me considero alguém em crescimento espiritual constante através das artes ensinadas na escola. Pretendo ir muito além. Não me permitirei ficar parado. Ainda que meu progresso seja lento, sei que sempre haverá progresso.

 

 


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