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SBB entrevistou Sherman Calixto do
Prado. Aluno recente da Instituição,
Sherman, carinhosamente, ocupou seu
espaço despertando para si respeito e
admiração dos demais devido à sua
seriedade e clareza de caráter. Sabemos
que pessoas como Sherman - que busca
incessantemente respostas sem saber se
irá encontrá-las, porém sempre
seguindo adiante de coração aberto e
espírito forte - reafirmam a recompensa
do trabalho realizado pela SBB.
Pensamos
que uma longa viagem começa com um
único passo, assim, devemos analisar
esse primeiro passo na vida do kohai
como único e verdadeiro. Dessa forma,
na caminhada do kohai, "devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas
que pelas respostas" (Voltaire)
1) Como você conheceu o Bugei?
Meu primeiro contato foi através
de alunos de outra arte. Conheci o Bugei
através de comentários e brincadeiras
sem fundamento e que não vale a pena
comentar. A partir de então minha
curiosidade foi aumentando. Quanto mais
eu ouvia maledicências sobre esta nobre
arte mais eu me interessava. Pude
conhecer, verdadeiramente, um pouco
sobre o Bugei através de amigos que
estudavam na escola. Entre eles o
shidoin Ronaldo que na época era Kohai.
Via sua dedicação e a forma honrosa
que falava sobre o Shidoshi Jordan. Isso
fez com que me interessasse, mas não a
ponto de querer entra na escola.
Quando o site da SBB foi lançado
uma mudança ocorreu. Pude conhecer mais
de perto o que de fato era o Bugei. O
site é uma verdadeira biblioteca de
ensinamentos fantásticos. Todos os
dias eu me deparava com um artigo
novo e belamente escrito pelo Shidoshi
Jordan e seus alunos. A cada artigo um
ensinamento, a cada leitura um
aprendizado. Artes marciais, cultura,
filosofia, uma infinidade de
possibilidades abrindo minha mente e
alimentando minha curiosidade.
Após alguns anos ouvindo pessoas
e estudando no site eu me senti
finalmente seguro de que o Bugei seria
algo que eu deveria conhecer mais de
perto. Foi então que no dia 6 de
janeiro de 2004 eu entrei como Kohai.
2) Você já tinha praticado outras artes marciais antes de
entrar na nossa escola, fale um pouco
sobre esta experiência.
Desde pequeno sempre gostei de
artes marciais. Pratiquei Judo, Karate,
Aikido e Hapkido. A que eu mais me
dediquei e gostei de fato de ter
praticado foi o Aikido. Uma filosofia
muito bonita e profunda. Sempre fui uma
pessoa curiosa e sempre busco aprofundar
naquilo que estudo. Pude conhecer a
filosofia do Aikido através de estudos
sobre o fundador Morihei Ueshiba. Neste
ponto algo me intrigava. Era como se eu
tivesse aprendendo uma coisa nos livros
e praticando outra. Aí eu me
perguntava: Qual é o verdadeiro? Depois
de um ano praticando e estudando tive
problemas pessoais que me fizeram parar
de praticar. Eu não queria parar.
Estava fascinado pela arte. Apesar de não
poder praticar eu continuei estudando
apenas através da literatura.
Quando finalmente pude retornar a
pratica escolhi a Escola de Bugei. Um
novo mundo se abriu diante de mim. Tudo
que eu imaginava em artes marciais podia
ser estudado nesta escola. Com o passar
de três meses estudando na escola posso
dizer que meu conceito sobre tudo que
aprendi sobre artes marciais mudou
bastante. Antes eu praticava e era
treinado para saber lutar. Treinava
horas e horas meu corpo para ser forte.
Hoje, praticando Bugei a história é
totalmente diferente. Pratico artes
marciais sim, mas pratico para crescer
ainda mais como homem, como marido, como
filho e como amigo.
3)
Sabemos que o caminho do Bugei é muito
difícil, exige muita disciplina e
perseverança. Como você mantém
hoje esta motivação?
A
minha motivação de hoje é a mesma do
primeiro dia. Isso é possível pois as
pessoas aqui do Bugei proporcionam isso.
Trilhar nesta arte não é tarefa fácil.
Não digo isso por mim que ainda sou
iniciante, mas digo através de
conversas com o Shidoshi e com alunos
mais velhos que estão me preparando dia
após dia para trilhar em um caminho
cheio de pedras e espinhos, mas que é
maravilhoso.
Como
manter a motivação diante de um
caminho tão difícil? Posso resumir
isso em uma palavra. SONHO. Tenho comigo
muitos sonhos que podem ser realizados e
vividos aqui dentro da escola. O
Shidoshi é uma pessoa que se preocupa
muito com isso. No Bugei as
possibilidades são infinitas. É normal
um turbilhão de sonhos aflorarem em
nossa mente. Este é um dos motivos pelo
qual o Shidoshi tira parte de seu tempo
precioso para nos instruir. Diante de
tal dedicação e por respeito eu digo
por mim que é difícil não haver
motivação para continuar. É certo que
ainda estou engatinhando no Bugei. Muita
coisa virá pela frente. Espero estar
preparado.
4)
Na sua visão qual é importância da
oportunidade de ter aulas diretamente
com Shidoshi Jordan Augusto?
Somos
privilegiados por isso. Shidoshi é uma
pessoa muito importante e muito
atarefada. As responsabilidades na
escola lhe exigem muita dedicação.
Mesmo assim ele consegue conversar com
todos os alunos, ensinar e partilhar um
pouco da vivência de uma vida inteira
dedicada ao Bugei com todos nós.
O
caminho por ele percorrido foi muito
mais duro do que será para qualquer um
de nós. Pelo pouco que pude ouvir e
ler, sei que para chegar aonde ele
chegou muito sofrimento e dedicação
fizeram parte de sua vida. Devemos
respeitá-lo e honrá-lo por tudo isso.
Ter oportunidade de ser instruído por
um verdadeiro mestre sem dúvida me
deixa muito emocionado. É difícil
retribuir tudo que o Shidoshi nos passa
de ensinamentos que são preciosos.
Dedicação, respeito e gratidão. Acho
que é um bom começo para tentar
retribuir.
5)
Qual a contribuição que os
ensinamentos do Bugei trouxe para sua
vida pessoal e profissional?
Bom,
como tenho pouco tempo de escola eu
estaria fantasiando se afirmasse que,
hoje, o Bugei mudou toda minha vida. Sou
Kohai. Ainda tenho muito que aprender.
Mais uma coisa realmente mudou. A forma
de pensar e encarar as dificuldades do
dia-a-dia. Lendo os artigos do site,
alguns livros do Shidoshi e conversando
com ele e seus alunos mais graduados,
aprendi a ver as coisas de uma forma
diferente. Aprendi a me posicionar de
varias maneiras para melhor avaliar
alguma situação que eu esteja
vivenciando. Dessa forma posso amenizar
alguns sofrimentos que antes eram difíceis
de lidar.
Na
esfera marcial pude mudar minha visão a
respeito de tudo que havia aprendido
anteriormente. Antes eu me considerava
um lutador que praticava um estilo. Hoje
me considero alguém em crescimento
espiritual constante através das artes
ensinadas na escola. Pretendo ir muito
além. Não me permitirei ficar parado.
Ainda que meu progresso seja lento, sei
que sempre haverá progresso.
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