terça-feira, 6 de janeiro de 2009

 

SBB Entrevista Pedro Sadao Okaza             


 

Okaza sensei, desde a década de oitenta, tem grande convivência com o Shidoshi Jordan Augusto. Viu e compartilhou vários dos altos e baixos momentos na vida do responsável pela Sociedade Brasileira de Bugei.

Okaza Sensei treinou e aperfeiçoou sua técnica, segundo ele, graças ao incentivo e o otimismo do Shidoshi Jordan.

 

Como foi o ingresso do Sr. na arte do Bugei no Brasil?

Eu nasci no Japão, mas meus pais vieram para o Brasil quando eu ainda era muito jovem. Cresci no Estado do Paraná juntamente com uma colônia muito grande de japoneses. Meu pai havia iniciado seus treinamentos de autodefesa com Ogawa sensei, que sempre foi amigo da família. Então posso dizer que sempre estive no meio do Bugei, mas gostava muito de futebol, então demorei até decidir o que realmente queria.

 

Como conheceu o Shidoshi Jordan Augusto?

Isso já foi bem depois. A vida do Jordan no meio dos japoneses não foi fácil. Houve muita discriminação por ele ser gaijin, mas parecia que isso não o afetava. Jordan possui uma coisa que é muito forte: determinação. Sua coragem sempre assustou a todos. Bem, mas sua pergunta é como o conheci. Foi em uma aula de Hideyoshi sensei de kenjutsu. Ele estava quieto, tímido em um canto, e o sensei pediu que eu treinasse com ele. Daí então houve uma grande afinidade entre nós.

 

De acordo com outras pessoas o Sr. estava presente no exame de Shidoshi. Como foi?

Confesso que impressionou a todos. Tranqüilo, bem direcionado, técnicas boas, justas, eu fui um dos que achei perfeito. Mas segundo dizem, ele foi preparado durante a noite por Araki sensei, que deu os caminhos das pedras. Mas, de toda forma, ele teve que executar diante de uma rígida banca examinadora onde muitos queriam reprová-lo. Infelizmente sabemos que o mundo é cheio disso. Segundo Michie, sacerdotisa do O-Chikara, em suas orações ela havia visto Jordan vestido de branco e, segundo ela, sentiu todo o seu corpo arrepiar. Acredito que ela tentou avisar o Jordan, mas este não foi encontrado. Com certeza estava com Araki sensei. Isso é comentado até hoje.

 

Como o Sr. vê o trabalho do Shidoshi Jordan nos dias de hoje?

Eu o acho um gênio. Acredito que ele conheça de verdade o que fala. É determinado e possui uma técnica ímpar dentro do Koryu.

 

Como o Sr. vê esta técnica?

O Jordan era fanático por treinamento, chegava a treinar nove horas por dia. Araki sensei e o próprio Ogawa sentiam-se orgulhosos. Jordan sempre teve um temperamento e uma personalidade muito forte. Por outro lado, Jordan absorveu o lado estrategista der Araki sensei. Estudou bastante e conseguiu compreender o espírito do Bugei. Ogawa sensei sempre disse que Bugei não existe só no Dojo.

 

O sr. foi o Uke do Shidoshi quando este treinou com Sussumo Motoshima Sensei. Como se deu isto?

O método ensinado por Motoshima sensei é muito militar, muito rígido, e o Jordan seguiu a risca todos os direcionamentos. Motoshima sensei admirou muito o empenho dele para com as técnicas. Jordan realmente aprendeu o que Motoshima sensei queria.

 

Certa vez, em seu depoimento, o Sr. afirmou que o Shidoshi Jordan foi o único que não o machucou em combate. Explique melhor.

Não foi bem assim... O que acontece é que nesta época Jordan era muito forte e rápido e em determinado momento eu estava caído em sua frente e ele teria todas as chances de me levar a nocaute. Neste momento, ele parou e me estendeu a mão me abraçando. Achei muito interessante e esta cena me marcou. Por isso que quando dou minhas palestras cito essa passagem. No passado Jordan era uma pessoa muito violenta e machucou muitos de seus adversários, mas acredito que a partir dali ele já estava absorvendo uma sabedoria diferente.

 

Como está sua relação com o Shidoshi hoje em dia?

Somos amigos, mas cada um tem seu caminho. Quando Araki sensei pediu que vocês me entrevistassem, acredito que é porque o Bugei está crescendo e o Jordan é um dos fortes pilares deste crescimento.

 

E como o Sr. vê tudo isso?

O Jordan é homem de verdade, não enjeita parada. Em outros termos não foge da raia. Todos sabemos disso.

 

 

 


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