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Okaza sensei, desde a década de
oitenta, tem grande convivência com o
Shidoshi Jordan Augusto. Viu e
compartilhou vários dos altos e baixos
momentos na vida do responsável pela
Sociedade Brasileira de Bugei.
Okaza Sensei treinou e aperfeiçoou
sua técnica, segundo ele, graças ao
incentivo e o otimismo do Shidoshi
Jordan.
Como foi o ingresso do Sr. na
arte do Bugei no Brasil?
Eu nasci no Japão, mas meus pais
vieram para o Brasil quando eu ainda era
muito jovem. Cresci no Estado do Paraná
juntamente com uma colônia muito grande
de japoneses. Meu pai havia iniciado
seus treinamentos de autodefesa com
Ogawa sensei, que sempre foi amigo da
família. Então posso dizer que sempre
estive no meio do Bugei, mas gostava
muito de futebol, então demorei até
decidir o que realmente queria.
Como conheceu o Shidoshi Jordan
Augusto?
Isso já foi bem depois. A vida
do Jordan no meio dos japoneses não foi
fácil. Houve muita discriminação por
ele ser gaijin, mas parecia que isso não
o afetava. Jordan possui uma coisa que
é muito forte: determinação. Sua
coragem sempre assustou a todos. Bem,
mas sua pergunta é como o conheci. Foi
em uma aula de Hideyoshi sensei de
kenjutsu. Ele estava quieto, tímido em
um canto, e o sensei pediu que eu
treinasse com ele. Daí então houve uma
grande afinidade entre nós.
De acordo com outras pessoas o
Sr. estava presente no exame de Shidoshi.
Como foi?
Confesso que impressionou a
todos. Tranqüilo, bem direcionado, técnicas
boas, justas, eu fui um dos que achei
perfeito. Mas segundo dizem, ele foi
preparado durante a noite por Araki
sensei, que deu os caminhos das pedras.
Mas, de toda forma, ele teve que
executar diante de uma rígida banca
examinadora onde muitos queriam reprová-lo.
Infelizmente sabemos que o mundo é
cheio disso. Segundo Michie, sacerdotisa
do O-Chikara, em suas orações ela
havia visto Jordan vestido de branco e,
segundo ela, sentiu todo o seu corpo
arrepiar. Acredito que ela tentou avisar
o Jordan, mas este não foi encontrado.
Com certeza estava com Araki sensei.
Isso é comentado até hoje.
Como o Sr. vê o trabalho do
Shidoshi Jordan nos dias de hoje?
Eu o acho um gênio. Acredito que
ele conheça de verdade o que fala. É
determinado e possui uma técnica ímpar
dentro do Koryu.
Como o Sr. vê esta técnica?
O Jordan era fanático por
treinamento, chegava a treinar nove
horas por dia. Araki sensei e o próprio
Ogawa sentiam-se orgulhosos. Jordan
sempre teve um temperamento e uma
personalidade muito forte. Por outro
lado, Jordan absorveu o lado
estrategista der Araki sensei. Estudou
bastante e conseguiu compreender o espírito
do Bugei. Ogawa sensei sempre disse que
Bugei não existe só no Dojo.
O sr. foi o Uke do Shidoshi
quando este treinou com Sussumo
Motoshima Sensei. Como se deu isto?
O método ensinado por Motoshima
sensei é muito militar, muito rígido,
e o Jordan seguiu a risca todos os
direcionamentos. Motoshima sensei
admirou muito o empenho dele para com as
técnicas. Jordan realmente aprendeu o
que Motoshima sensei queria.
Certa vez, em seu depoimento, o
Sr. afirmou que o Shidoshi Jordan foi o
único que não o machucou em combate.
Explique melhor.
Não foi bem assim... O que
acontece é que nesta época Jordan era
muito forte e rápido e em determinado
momento eu estava caído em sua frente e
ele teria todas as chances de me levar a
nocaute. Neste momento, ele parou e me
estendeu a mão me abraçando. Achei
muito interessante e esta cena me
marcou. Por isso que quando dou minhas
palestras cito essa passagem. No passado
Jordan era uma pessoa muito violenta e
machucou muitos de seus adversários,
mas acredito que a partir dali ele já
estava absorvendo uma sabedoria
diferente.
Como está sua relação com o
Shidoshi hoje em dia?
Somos amigos, mas cada um tem seu
caminho. Quando Araki sensei pediu que
vocês me entrevistassem, acredito que
é porque o Bugei está crescendo e o
Jordan é um dos fortes pilares deste
crescimento.
E como o Sr. vê tudo isso?
O Jordan é homem de verdade, não
enjeita parada. Em outros termos não
foge da raia. Todos sabemos disso.
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