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Em entrevista por telefone,
Takeshi Hasegawa — considerado o
melhor amigo do Shidoshi Jordan — dá
o seu parecer depois de todos esses
anos.
Alexandre Takeshi Hasegawa,
Shidoshi formado pela Ogawa Shizen Kay,
foi sempre o companheiro fiel do
Shidoshi Jordan Augusto. Essa amizade
cada dia mais forte teve início em Goiânia,
onde os dois estudaram no mesmo colégio.
Após termos sido informados de
que Takeshi Hasegawa, possivelmente,
poderá se mudar para os EUA e assumir a
diretriz do Kaze no Ryu Bugei da
linhagem Ogawa naquele país, resolvemos
entrevistá-lo e trazer mais do
pensamento desse grande Shidoshi da
atualidade. Acompanhe!
Obs: Hasegawa sensei pode ser
contatado pelo e-mail: hasegawatekeshi_a@yahoo.com.br
JG -
Como está a nova vida de casado?
TH - A Satiko é uma mulher
maravilhosa e uma mãe exemplar, e é
disso que eu estava precisando.
JG - Há tempos que eu gostaria
de conversar com o Senhor.
TH - É... Jordan sempre me
falou disso, mas os caminhos eram
diferentes.
JG -
O que foram todos esses anos de
convivência?
TH - É de fato complicado tentar
explicar todas as vivências em uma
simples entrevista, sendo que você
mesmo sabe que, nos dias de hoje, tudo
é muito intenso. Mas, por um outro
lado, as lembranças, sem dúvida
alguma, hoje se tornaram o grande tônico
de minha caminhada.
JG - Segundo o Shidoshi Jordan,
sua pessoa sempre foi muito polêmica no
sentido de autenticidade, caráter e
direcionamento. O que diz disso?
TH - Sempre tive um temperamento
muito forte, e dificuldade em conter as
minhas opiniões. No passado era mais fácil
de você lidar com as pessoas dentro do
Bugei, pois o respeito pelo giri, ninjo
e uma série de outros conceitos se
faziam valer. Hoje isso não existe. Você
vê alunos que enganam professores,
professores que enganam alunos, e de
forma barata e desprezível. É triste
você ver pessoas dessa natureza falando
em Bushido... Segurando uma katana e se
sentindo um samurai. Estamos longe
disso.
JG -
Muita polêmica existiu entre os
problemas do senhor com alunos da SBB. O
que de fato ocorreu?
TH - Acho que isso não é
verdade, pois costumo resolver os meus
problemas. Não deixo para depois. O que
ocorreu é que acho que o trabalho
executado pela SBB é perfeito em tradição,
direcionamento, raiz, ainda que pague um
preço alto por isso. A prova é a
conquista do makimono. O que não posso suportar
é ver um trabalho bonito cercado de
aproveitadores que falavam em nome do
Jordan quando o mesmo não era informado
das situações.
JG -
A quê o senhor está se referindo?
TH - Sempre acompanhei o Jordan
em toda a sua trajetória. Fomos
companheiros em tudo. Conheço a sua
forma de pensar. E ele errou por pensar
igual ao Ogawa Sensei... Ser fiel à
relação sempai-kohai quando a recíproca
não era verdadeira. Essa relação só
funciona se o kohai tiver caráter e
honestidade. É como um casamento.
Dentro dela não pode haver traição
nem desrespeito. Em nossa época nós
morreríamos pelo nosso professor.
Embora muitos falem isso da boca para
fora, ou até acreditem nessa mentira
interior, fazem isso para ter confiança
e crédito diante de terceiros, o que
é um jogo sujo e medíocre. Jurar
fidelidade depois de uma traição é
talvez a maior de todas as covardias,
pois se está jogando informações para
convencer terceiros de que há, no caso,
uma injustiça. É o pior atentado à
honra de um mestre.
Contratamos as melhores empresas
de investigação para que tivéssemos
conhecimento dos fatos. O último
problema envolvendo a exclusão de um
aluno de alta graduação dentro da SBB —
que é implacável dentro de uma
resolução correta — foi um verdadeiro
absurdo. Sei que problemas com alunos
podem ocorrer em qualquer lugar e a
qualquer instante do momento em a
natureza humana é complicada. O grande
absurdo que falo é esse problema ter
surgido de uma pessoa de confiança do
Jordan. Jordan se manteve de forma ímpar,
se responsabilizando por todos os
problemas e resolvendo todas as conseqüências
desse aluno irresponsável.
Estive presente em todas as
resoluções como amigo, companheiro e
conselheiro, e posso dizer, com
propriedade, que por muitas vezes vi
Jordan nesse problema livrar estas
pessoas de conseqüências drásticas
com a justiça criminal.
JG -
O que Araki sensei achou disso tudo?
TH - Araki Sensei acha que, mesmo
contra sua vontade, Jordan se manteve íntegro
diante das famílias de tais pessoas, não
permitindo que mal maior os alcançasse.
Porém, na opinião de Araki Sensei,
Jordan agiu dessa forma para que depois
disso não
tivesse mais responsabilidade nenhuma
sobre tais pessoas. Araki sempre
salientou que Jordan foi impecável em
conceitos como giri, fidelidade e
lealdade, pois, recordo-me bem quando
conversávamos em reunião e o próprio
Araki Sensei perguntou o que Jordan
faria a respeito de tudo isso. Jordan
repetiu as mesmas palavras do Ogawa
Sensei: “não culpe, resolva”. Em
seguida Araki rebateu perguntando de que
forma ele faria isso, e Jordan respondeu
que da melhor maneira que pudesse.
Por essas e outras é que digo
que, ainda que naveguem em águas
turbulentas, o futuro da SBB estará
garantido.
JG -
O Senhor tem raiva dessas pessoas?
TH - Respondendo, em verdade,
para você, se eu dissesse que não
estaria mentindo. Mas acredito que
pessoas com esse tipo de caráter, ou
falta dele, ainda têm muito que
aprender e muito o que se direcionar. Não
existe Bugei só dentro do dojô, e
essas pessoas sabem disso. A vida é a
melhor escola, e ela sempre dá voltas.
JG - O que o faz tecer tantos
elogios quanto ao trabalho da SBB?
TH - Não é necessariamente o
trabalho da SBB, e sim, qualquer
trabalho que seja sério e bem
direcionado. Vou ao Japão todo ano e me
dedico incansavelmente às pesquisas e
resgate de tradições já perdidas. E
essa dedicação eu vejo no Jordan. É
forte, incansável e direcionado no que
quer. Com certeza será um dos melhores!
JG - E a suposta parceria entre o
senhor e o Shidoshi Jordan?
TH - Não conversamos ainda. Foi
uma proposta vinda de Araki Sensei, que
é um homem de visão. Mas, ainda não
decidimos nada.
JG - Quanto aos ensaios do
Shidoshi Jordan que o senhor mencionou
comigo... O que pode nos falar a
respeito?
TH - Não são para qualquer um.
Com certeza é um pesquisador e tudo que
é direcionado à pesquisa não pode ser
lido apenas, deve ser estudado. Estive
ainda hoje conversando com amigos no
exterior que são fãs do Jordan. É
disso que nós precisamos! De pessoas
competentes, e têm muitas por aí
contribuindo para um melhor entendimento
da cultura.
JG - Existe muita desinformação?
TH - Existe muita bobagem, jogos
de vaidade e interesse e pouco estudo,
pouca pesquisa, pouco direcionamento.
JG - E sobre essa viagem ao Japão?
TH - Meus pais moram lá e de uma
forma ou de outra tenho que ir.
Supostamente haverá um evento com
amigos de outra escola e todos querem
que o Jordan esteja lá. Estamos
combinando.
JG - Muito Obrigada!
TH - Abraços.
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