terça-feira, 6 de janeiro de 2009

 

SBB Entrevista Takeshi Hasegawa             


 

Em entrevista por telefone, Takeshi Hasegawa — considerado o melhor amigo do Shidoshi Jordan — dá o seu parecer depois de todos esses anos.

Alexandre Takeshi Hasegawa, Shidoshi formado pela Ogawa Shizen Kay, foi sempre o companheiro fiel do Shidoshi Jordan Augusto. Essa amizade cada dia mais forte teve início em Goiânia, onde os dois estudaram no mesmo colégio.

Após termos sido informados de que Takeshi Hasegawa, possivelmente, poderá se mudar para os EUA e assumir a diretriz do Kaze no Ryu Bugei da linhagem Ogawa naquele país, resolvemos entrevistá-lo e trazer mais do pensamento desse grande Shidoshi da atualidade. Acompanhe!

Obs: Hasegawa sensei pode ser contatado pelo e-mail: hasegawatekeshi_a@yahoo.com.br

 

JG - Como está a nova vida de casado?

TH - A Satiko é uma mulher maravilhosa e uma mãe exemplar, e é disso que eu estava precisando.

 

JG - Há tempos que eu gostaria de conversar com o Senhor.

TH - É... Jordan sempre me falou disso, mas os caminhos eram diferentes.

 

JG - O que foram todos esses anos de convivência?

TH - É de fato complicado tentar explicar todas as vivências em uma simples entrevista, sendo que você mesmo sabe que, nos dias de hoje, tudo é muito intenso. Mas, por um outro lado, as lembranças, sem dúvida alguma, hoje se tornaram o grande tônico de minha caminhada.

 

JG - Segundo o Shidoshi Jordan, sua pessoa sempre foi muito polêmica no sentido de autenticidade, caráter e direcionamento. O que diz disso?

TH - Sempre tive um temperamento muito forte, e dificuldade em conter as minhas opiniões. No passado era mais fácil de você lidar com as pessoas dentro do Bugei, pois o respeito pelo giri, ninjo e uma série de outros conceitos se faziam valer. Hoje isso não existe. Você vê alunos que enganam professores, professores que enganam alunos, e de forma barata e desprezível. É triste você ver pessoas dessa natureza falando em Bushido... Segurando uma katana e se sentindo um samurai. Estamos longe disso.

 

JG - Muita polêmica existiu entre os problemas do senhor com alunos da SBB. O que de fato ocorreu?

TH - Acho que isso não é verdade, pois costumo resolver os meus problemas. Não deixo para depois. O que ocorreu é que acho que o trabalho executado pela SBB é perfeito em tradição, direcionamento, raiz, ainda que pague um preço alto por isso. A prova é a conquista do makimono. O que não posso suportar é ver um trabalho bonito cercado de aproveitadores que falavam em nome do Jordan quando o mesmo não era informado das situações.  

 

JG - A quê o senhor está se referindo?

TH - Sempre acompanhei o Jordan em toda a sua trajetória. Fomos companheiros em tudo. Conheço a sua forma de pensar. E ele errou por pensar igual ao Ogawa Sensei... Ser fiel à relação sempai-kohai quando a recíproca não era verdadeira. Essa relação só funciona se o kohai tiver caráter e honestidade. É como um casamento. Dentro dela não pode haver traição nem desrespeito. Em nossa época nós morreríamos pelo nosso professor. Embora muitos falem isso da boca para fora, ou até acreditem nessa mentira interior, fazem isso para ter confiança e crédito diante de terceiros, o que é um jogo sujo e medíocre. Jurar fidelidade depois de uma traição é talvez a maior de todas as covardias, pois se está jogando informações para convencer terceiros de que há, no caso, uma injustiça. É o pior atentado à honra de um mestre.

Contratamos as melhores empresas de investigação para que tivéssemos conhecimento dos fatos. O último problema envolvendo a exclusão de um aluno de alta graduação dentro da SBB  — que é implacável dentro de uma resolução correta — foi um verdadeiro absurdo. Sei que problemas com alunos podem ocorrer em qualquer lugar e a qualquer instante do momento em a natureza humana é complicada. O grande absurdo que falo é esse problema ter surgido de uma pessoa de confiança do Jordan. Jordan se manteve de forma ímpar, se responsabilizando por todos os problemas e resolvendo todas as conseqüências desse aluno irresponsável.

Estive presente em todas as resoluções como amigo, companheiro e conselheiro, e posso dizer, com propriedade, que por muitas vezes vi Jordan nesse problema livrar estas pessoas de conseqüências drásticas com a justiça criminal.

 

JG - O que Araki sensei achou disso tudo?

TH - Araki Sensei acha que, mesmo contra sua vontade, Jordan se manteve íntegro diante das famílias de tais pessoas, não permitindo que mal maior os alcançasse. Porém, na opinião de Araki Sensei, Jordan agiu dessa forma para que depois disso não tivesse mais responsabilidade nenhuma sobre tais pessoas. Araki sempre salientou que Jordan foi impecável em conceitos como giri, fidelidade e lealdade, pois, recordo-me bem quando conversávamos em reunião e o próprio Araki Sensei perguntou o que Jordan faria a respeito de tudo isso. Jordan repetiu as mesmas palavras do Ogawa Sensei: “não culpe, resolva”. Em seguida Araki rebateu perguntando de que forma ele faria isso, e Jordan respondeu que da melhor maneira que pudesse.

Por essas e outras é que digo que, ainda que naveguem em águas turbulentas, o futuro da SBB estará garantido.

 

JG - O Senhor tem raiva dessas pessoas?

TH - Respondendo, em verdade, para você, se eu dissesse que não estaria mentindo. Mas acredito que pessoas com esse tipo de caráter, ou falta dele, ainda têm muito que aprender e muito o que se direcionar. Não existe Bugei só dentro do dojô, e essas pessoas sabem disso. A vida é a melhor escola, e ela sempre dá voltas.

 

JG - O que o faz tecer tantos elogios quanto ao trabalho da SBB?

TH - Não é necessariamente o trabalho da SBB, e sim, qualquer trabalho que seja sério e bem direcionado. Vou ao Japão todo ano e me dedico incansavelmente às pesquisas e resgate de tradições já perdidas. E essa dedicação eu vejo no Jordan. É forte, incansável e direcionado no que quer. Com certeza será um dos melhores!

 

JG - E a suposta parceria entre o senhor e o Shidoshi Jordan?

TH - Não conversamos ainda. Foi uma proposta vinda de Araki Sensei, que é um homem de visão. Mas, ainda não decidimos nada.

 

JG - Quanto aos ensaios do Shidoshi Jordan que o senhor mencionou comigo... O que pode nos falar a respeito?

TH - Não são para qualquer um. Com certeza é um pesquisador e tudo que é direcionado à pesquisa não pode ser lido apenas, deve ser estudado. Estive ainda hoje conversando com amigos no exterior que são fãs do Jordan. É disso que nós precisamos! De pessoas competentes, e têm muitas por aí contribuindo para um melhor entendimento da cultura.

 

JG - Existe muita desinformação?

TH - Existe muita bobagem, jogos de vaidade e interesse e pouco estudo, pouca pesquisa, pouco direcionamento.

 

JG - E sobre essa viagem ao Japão?

TH - Meus pais moram lá e de uma forma ou de outra tenho que ir. Supostamente haverá um evento com amigos de outra escola e todos querem que o Jordan esteja lá. Estamos combinando.

 

JG - Muito Obrigada!

TH - Abraços.  

 

 


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