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Giovanni
Nunes é um fantástico aluno que,
juntamente com Sérgio Botelho, é
responsável pelo departamento de
Química da Sociedade Brasileira de
Bugei. Dedicado membro e estudioso de
matérias mas intelectuais, Giovanni vem
se destacando no meio interno e
contribuindo para a formação
educacional de toda a Instituição.
Interessantemente sua pessoa é
uma das que mais pesquisa na área de
intelectualidade do Bugei. Como
professor de colégios de ensino médio,
qual a sua visão quanto à forma
educacional empregada no Bugei?
O Bugei tem o privilégio de
ensinar aos alunos a forma do respeito
empregado dentro de várias visões.
“Reigi to saho” — uma das matérias
exigidas para se freqüentar uma escola
de Bugei — não se restringe apenas na
forma da etiqueta em si, mas é lamentável
enxergarmos nessa nova fase em que o
mundo se encontra a terrível falta de
respeito com o professor em uma sala de
aula. Na minha época levantávamos
diante da presença inesperada do
professor, e saliento com propriedade
tal fato. Meus pais diziam que os
professores funcionavam como segundos
pais e que a educação era completada
na sala de aula. Hoje não sabemos se o
aluno é aluno ou dono da escola.
Encontrei dentro do Bugei algo que me
completasse dentro da visão
mestre-aluno. Formas mencionadas da
humildade, respeito e satisfação da
convivência diária. Desta forma,
consigo hoje mensurar a importância que
a boa educação munida de verdade,
seriedade e sabedoria contribuem para a
formação de um ser humano de que a
sociedade tanto necessita.
É bem simples... Certa vez disse
o mestre: “Feche os olhos. Não precisa sequer fechar os olhos. Basta
imaginar a seguinte cena: um bando de pássaros
voando. Ok... Agora me diga quantos pássaros
você vê: cinco? onze? dezessete?”
Seja qual for a resposta — e
dificilmente alguém sabe dizer o número
exato —, alguma coisa fica bem clara
nesta pequena experiência. Você pode
imaginar um bando de pássaros, mas o número
de aves fugiu do seu controle.
Entretanto, a cena era clara, definida,
exata. Em algum lugar existe a resposta
para esta pergunta. Quem definiu quantos
pássaros deviam aparecer na cena? Você,
não foi?
Assim somos nós educadores...
Porém, não é fácil
compreender uma cultura onde o sistema
ortodoxo de hierarquia determina o próximo
passo a ser dado dentro da Instituição.
Como o Sr. enxerga tal fato?
Ainda que o sistema ortodoxo
fosse de fato como as pessoas o colocam,
este por sua vez, falando em Bugei,
completa o raciocínio do verdadeiro
Koryu. Este não pode ser vivido apenas
dentro do dojo. Em uma universidade,
quando temos que defender uma tese,
possuímos um orientador que também
determina nosso próximo passo a ser
dado. Como disse anteriormente, o mundo
atual precisa de mais respeito. Respeito
pelo seu humano, pelo próximo, pelos
mas velhos, pela família e etc.
Compreendo que a liberdade é a coisa
mais maravilhosa que existe e que o
mundo, tal como as pessoas, sempre
precisarão disso. Assim, a interação
que podemos ter dentro ou fora dos meios
mais tradicionais, não importando qual
seja a cultura, resume-se talvez em uma
única palavra: “Sonkei” —
Respeito. O que aprendemos em primeiro é o que melhor sabemos.
Qual a sua forma de visão técnica
sobre a filosofia do Bugei?
Tetsugako ou filosofia é uma matéria
que requer atenção e direcionamento em
suas análises. Estudar o zen e sua
forma não é tão simples como dizermos
que o zen é o vazio. Preparar um aluno
para enfrentar a sociedade não é
tarefa fácil. Entendo que em primeiro,
por um ponto de vista filosófico,
devemos ensiná-lo a controlar sua
energia interior, a compreender a si
mesmo. Ainda que Platão, Sócrates e
uma série de outros que vislumbraram
toda essa maravilha chamada de filosofia
tenham nos ditado o caminho a ser
seguido, as reflexões devem ser feitas
pelo nosso interior. É um caminho
interno. Filosofia é isso... Dê um
peixe a um homem faminto e você o
alimentará por um dia. Ensine-o a
pescar, e você o estará alimentando
pelo resto da vida.
Como o Sr. vê as outras escolas
que ensinam Koryu?
Bem... Em verdade, não conheço
pessoalmente outras instituições, pois
me interesso por Bugei e não
necessariamente a tudo o que se refere
ao Koryu. Acredito que o caminho é
esse... Para mim tudo está certo... O
que é sério e bem direcionado merece
seu lugar ao sol. Sabemos de muitas
pessoas que dizem ensinar Koryu. Se é
verdade ou não, se é koryu ou não,
isso deixa de ter importância, pois
cada um possui seu karma e dharma, tal
como sua lenda pessoal. Não acredito em
palavras. O resultado de um bom trabalho
é sempre aparente. “Ron yori Sho
ko” — A evidência é melhor que a
discussão. Belos trabalhos são
realizados no Brasil, assim como o
charlatanismo e a má intenção estão
presentes.
O Bugei hoje está a todo
vapor nesta nova fase em que a ascensão
é evidente. Como o Sr. enxerga isso?
O Bugei é um caminho muito rígido
e, assim sendo, passamos por muitos
momentos em que foi necessário um pulso
firme para a direção certa. Somos
cientes que todo trabalho bem
direcionado é difícil e exige dedicação.
Esta nova sede e o retorno da parceria
com importantes pessoas do Bugei nos
proporciona uma nova visão de
direcionamento. Acredito que os ciclos
de construção são sempre recheados de
surpresas boas e más, mas não basta
dirigir-se ao rio com a intenção de
pescar peixes; é preciso levar também
a rede. Portanto, em nossa rede também
poderão vir muitos peixes ruins, mas
como a água do Bugei é salgada e de
pouco oxigênio, somente os fortes
e honestos permanecem.
Todo plantio é difícil e ainda
que o Brasil e seu povo seja
maravilhoso, ensinar outra cultura é
trabalhar em terreno arenoso de pouca
fertilidade. É necessária muita atenção
e bons cuidados para que no final a
colheita seja próspera. Deixe-me te
contar uma história... Adoro histórias...
"Era
uma vez uma flor que nasceu no meio das
pedras.
Quem
sabe como, conseguiu crescer e ser um
sinal de vida no meio de tanta tristeza.
Passou uma jovem e ficou admirada com a
flor. Logo pensou em Deus. Cortou a flor
e a levou para a igreja. Mas, após uma
semana a flor tinha morrido.
Era
uma vez uma flor que nasceu no meio das
pedras. Quem sabe como, conseguiu
crescer e ser um sinal de vida no meio
de tanta tristeza. Passou um homem, viu
a flor, pensou em Deus, agradeceu e a
deixou ali; não quis cortá-la para não
matá-la. Mas, dias depois, veio uma
tempestade e a flor morreu...
Era
uma vez uma flor que nasceu no meio das
pedras. Quem sabe como, conseguiu
crescer e ser um sinal de vida no meio
de tanta tristeza. Passou uma criança e
achou que aquela flor era parecida
com ela: bonita, mas sozinha. Decidiu
voltar
todos os dias. Um dia regou, outro dia
trouxe terra, outro dia podou, depois
fez um canteiro, colocou adubo... Um mês
depois, lá onde tinha só pedras e uma
flor,
havia um jardim!..."
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