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Vaidade
Kumitachi – uma importante visão
(por Jordan
Augusto)
Para muitos
alunos, este é apenas um exercício de movimentos combinados... Porém, mais do
que isso, o Kumitachi visa muito mais do que gestos combinados que demonstram as
formas estudadas na época.
O koryu e
seu aspecto clássico representam em suma, características remanescentes que
correspondem às necessidades vigentes em épocas em que a espada ainda era a mais
forte arma empunhada pelo homem. Estudar uma seqüência de ataques e defesas que
prepararão a mente do adepto para o entendimento do sentimento verdadeiro do
combate na antiguidade pode não ser suficiente para que este compreenda de fato,
a razão de cada movimento. Assim, as grandes escolas conservam as formas
primárias para que a lógica das movimentações faça sentido durante tal prática.
Sem dúvida
alguma, podemos definir que foi no período Edo que a classe samurai se organizou
através de escolas que possuíam um forte seiteigata.
Vamos
entender melhor:
Em 1603
Tokugawa Ieyasu iniciou o shogunato Tokugawa estabelecendo a capital em Edo
(atual Tóquio) e continuou o trabalho de unificação do Japão. Foi uma virada
decisiva na história japonesa e Ieyasu criou o modelo pelo qual foram moldadas
todas as facetas da vida da nação, em especial suas instituições políticas e
sociais, por 265 anos.
Os
sucessivos Shoguns, ou Comandantes Militares Supremos, designados pela Corte
Imperial da Família Tokugawa, dominaram toda a nação. Sob o comando do Shogunato,
os lordes feudais governavam seus respectivos domínios com poder absoluto sobre
povo e propriedade.
Em 1635 se
instituiu o Sankin Kotai -obrigação para os daimyo (senhores feudais autônomos)
de residir em Edo, como verdadeiros hospedes.
Como havia
crescido a influência do Cristianismo (no início deste século, existia cerca de
700.000 cristãos no país) o shogunato Tokunaga compreendeu que esta religião
poderia ser tão explosiva quanto as armas de fogo que o acompanharam, por isso
continuou a perseguição aos seus adeptos. Em 1613 houve a segunda perseguição
com a deportação de todos os missionários e destruição de igrejas cristãs. Em
1620 ocorreram severas perseguições aos missionários e cristãos. Foi somente em
1857 que foi decretado o fim da perseguição aos cristãos.
Por volta de
1620 aconteceram as primeiras trocas comerciais com Macau, Camboja, Tailândia e
Coréia. Para preservar a integridade da estrutura político-social que construiu,
o shogunato Tokugawa tomou a drástica medida de “fechar as portas” do Japão para
o mundo exterior em 1639, à exceção com poucos comerciantes holandeses
confinados na pequena ilha Dejima, na baía de Nagasaki, alguns chineses que
viviam em Nagasaki e ocasionais enviados reais da dinastia Lee, da Coréia.
Durante dois séculos e meio essas pessoas foram o único contato entre o Japão e
o mundo exterior. Foi através dos comerciantes de Dejima que os sábios japoneses
puderam adquirir um conhecimento básico sobre a medicina ocidental e outras
ciências, durante o longo período de isolamento do país.
No período
Edo a população foi dividida em 04 classes sociais distintas: guerreiros,
camponeses, artesãos e comerciantes. Como havia desigualdade no tratamento, a
maioria do povo tinha a vida muito limitada. Embora superiores aos artesãos e
comerciantes na hierarquia social, os camponeses não tinham permissão de deixar
suas terras e pesados impostos recaíam sobre eles.
Com relação
a cultura, por volta de 1600 aconteceu a primeira aparição do Kabuki e em 1630
houve o nascimento de ningyo joruri (teatro de marionetes) em Kyoto e Osaka.
Apesar do isolamento com o mundo, a cultura nativa japonesa teve progresso no
período Genroku (1688 – 1703). Foi no governo Tokugawa que nasceram grandes
autores como Basho Matsuo ( 1644 – 1694) que foi o maior poeta de haiku (poemas
de 17 sílabas) e Monzaemon Chikamatsu (1653 – 1724) o "Shakespeare" japonês que
começou escrevendo para teatro de Marionetes.
Nesta época
a kataná era considerada a alma do Samurai, desta forma a sua forma de manuseio
e convivência com tal arma, era capaz de designar para os outros sua forma de
caráter.
Antigamente
só podia ser manejada pelo samurai, sendo proibido seu uso pelos mercadores e
camponeses. Ela ficava presa à cintura, do lado esquerdo do corpo, com o corte
virado para cima. Geralmente usava-se um par de espadas, o daishô (pequena e
grande) - uma com 60 a 90 cm de comprimento (kataná) e a outra de 30 a 60 cm (wakizaki).
"Um fio tão
delicado como uma navalha, tão forte como a quilha de um arado", é a definição
do kataná feita por Laerte Ottaiano, especialista brasileiro em espada japonesa.
Não só a lâmina, o acabamento também tinha que atingir a perfeição, através da
habilidade dos ferreiros e dos laqueadores.
A
empunhadura e a bainha (saya) eram cobertas e decoradas com desenhos
sofisticados. Entre a lâmina e o cabo ficava a guarda (tsuba) para aparar os
golpes e proteger as mãos. A partir do século XVI passaram a ser feitas por
artesãos especializados e também se transformaram em objetos de arte. As tsubas
geralmente tinham uma abertura central que unia a lâmina com a empunhadura.
Outras tinham mais duas aberturas para o kazuka (empunhadura do kogatana,
pequena faca) e o kogai que se acredita, originalmente teria sido usado para
arrumar o cabelo sob o elmo.
A fabricação
dessa arma sempre foi um segredo de cada artista. Geralmente, além do processo
de purificação do minério de ferro, o material era temperado com dois ou três
metais para produzir uma lâmina super-resistente.
A espada
japonesa tem a forma elegantemente curva desde o período Heian (794-1191) e, por
séculos, foi a principal arma de luta. Com a introdução das armas de fogo no
século XVI, pouco a pouco ela foi se restringindo aos eventos cerimoniais.
Com o
desaparecimento da classe samurai, a partir da restauração do poder imperial
(1868), as espadas se transformaram em objeto de arte sendo disputadas por
colecionadores, mas o código moral dos samurais (Bushidô) continua vivo na
maneira de agir e pensar dos nipônicos. O Bushidô baseava-se, fundamentalmente,
no cultivo das virtudes marciais, na demonstração de absoluta indiferença à
morte e à dor e na dedicação e lealdade ao seu senhor. "A vida e a morte estavam
separadas pelo fio da kataná, assim como viver e morrer são inseparáveis e
inevitáveis", escreve Laerte Ottaiano.
Os
principais preceitos éticos desse código eram: retidão ou justiça, guiri (tem
sentido de dever, obrigação. Fala-se, por exemplo, guiri que se deve aos pais,
aos superiores, aos inferiores, aos parentes e amigos), coragem, benevolência,
polidez, veracidade, sinceridade, honra, dever e lealdade.
O Kumitachi
ainda é a forma essencial de se verificar a perícia, sentimento e a alma do
Kenshi – espadachim.
Nas escolas
de Koryu, o Kumitachi é a representação da forma expressiva de ataques e defesas
de cada seguimento.
Desta
maneira, acredita-se que através dos Kumitachi, pode-se perceber com facilidade
as características peculiares de cada escola.
Referência:
Conversas
com Araki Sensei, Michie Hosokawa, Paulo Hideyoshi, Masa, sadao, Luiz yamada,
Hidetaka Sensei. Textos e apostilas Ogawa Shizen Kay, Fatos sobre o Japão;
Jornal International Press, Revista Planeta Zen, As Upanishads, Bhagavad Gita,
trad.
Huberto Rohden, Ed.
Martin Claret.
http://www.desa.com.br
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