segunda-feira, 1 de setembro de 2014

 

Textos e Ensaios de Jordan Augusto            


 

Vaidade

A visão de cima da montanha

 

(Por Jordan Augusto)

 

Não há nada de nobre em sermos superiores ao próximo. A verdadeira nobreza consiste em sermos superiores ao que éramos antes. (Autor desconhecido)

De fato, o ser humano atual nunca se viu em uma necessidade tão grande de alto- afirmação. Podemos ver isto nas capas das grandes revistas que anunciam tratamentos revolucionários de beleza, pessoas que gastam verdadeiras fortunas tentando estabelecer uma beleza programada.

As idéias liberais no Brasil estão confinadas a um gueto de imperdenidos homens de elevados ideais e aguçado senso histórico, que anunciam que o perigo — não um mero sentimento de perigo, uma simples ameaça potencial — mas um perigo real que ameaça a vida e a liberdade das pessoas está à espreita, seja pela desordem econômica, seja pelo estímulo ao conflito social, seja porque pessoas despreparadas para o poder e dispostas a implantar seus preconceitos destrutivos como ação de governo estão na iminência de assumirem a presidência da República. São tempos de grandes perigos, de fato, os que estamos a viver.

Longe vai o tempo em que os seres humanos se submetiam espontaneamente aos ditames de seu rei. Desnecessários se faziam o uso de exércitos ou a imposição de temores. A população obedecia por confiança, respeito e admiração, e eram felizes porque o rei correspondia à confiança que nele depositavam zelando pelo bem estar geral e aprimoramento da população.

Os erros cometidos na educação das novas gerações impediram uma formação mais sadia, propiciando o surgimento de seres humanos rebeldes e indisciplinados. Para impedir atitudes e situações indesejáveis, desde longa data vem sendo imposta uma rigidez comportamental determinada por regulamentos, condicionamentos e dogmatismo.

A educação, visando o aprendizado da atividade certa do cérebro, deveria culminar com o adequado aprendizado do espírito a dominar o corpo todo para que, ao atingir a fase adulta, o indivíduo se torne verdadeiramente criatura humana de pleno valor que contribui de maneira positiva com tudo o que faz, alegrando-se com o seu trabalho. Na falta dessa postura, reveladora de plena conscientização espiritual e responsabilidade, foram introduzidas na vida humana, rígidas normas disciplinadoras.

Mas dinheiro, poder e prestígio subiram a cabeça dos seres humanos e o poder passou a ser cobiça dominante. Uma vez conquistado exige constantes esforços para a sua conservação. A expansão do poder e o aumento da riqueza se tornaram eficientes meios de anular concorrentes e de conservar o poder.

Poucos mandam. Muitos obedecem, conscientemente ou inconscientemente, desconhecendo os mecanismos da manipulação que fazem com que muitos obedeçam a poucos. Atualmente as relações do poder são tão intrincadas que dificilmente conseguiremos enxergá-los com precisão. O poder é disputado, muitos querem exercê-lo, mas são dissimulados, porque sempre que uma cabeça se levanta na direção da conquista do poder, é logo cortada. Nem precisa disso, basta revelar os seus talentos para o mando, o seu potencial para a liderança e já, automaticamente, se torna alvo daqueles que escondem a sua cobiça para alcançar o mando.

No mundo, o dinheiro é um padrão ou um certo critério de valor. É difícil expressar tudo o que o dinheiro significa para nós. É o símbolo do trabalho, da atividade, do talento. É com freqüência uma amostra da bênção de Deus para com esforços diligentes. É o equivalente a uma grande parte de tudo quanto se pode ter ao serviço da mente e do corpo, da propriedade, do conforto ou do luxo, da influência e poder. Não é de estranhar que o mundo o ame, procure adquiri-lo e, com freqüência, lhe rende adoração. Não é de admirar que seja o padrão de todos os valores, não apenas para coisas materiais, como também do próprio homem e, que, o homem, seja freqüentemente medido pelo dinheiro que possui ou não.

Se conduzirmos nosso pensamento dentro de um entendimento que pode ter início no passado, veremos que O Ocidente conquistador tornou-se vitorioso e supremo. Com a supremacia do poder, a supremacia das idéias. A ideologia predominante, com suas verdades abstratas, é ocidental. A religião verdadeira é a cristã ocidental — não importando as suas seitas, que se fundamentam num evangelho comum, intensamente ocidentalizado —, que correu com os seus missionários a catequizar os povos. O Estado modelo é o ocidental, com a sua tripartição de poderes. A filosofia é ocidental, com a ideologia alemã a dizer que só o alemão favorece o pensamento filosófico, logo o saber só pode ser produzido e apropriado pela Europa. As escolas literárias são européias, o idioma predominante vem da Europa, a música é do Ocidente e a ciência seu patrimônio final. A moeda é ocidental. Ao fim e ao cabo, a economia mundializada pertence ao Ocidente, assim como as suas deduções políticas: o capitalismo, a burguesia, o proletariado, o imperialismo, o liberalismo e o marxismo. Para lembrar Weber, a organização empresarial do trabalho é uma característica do sistema econômico implementado pelo Ocidente, numa forma não encontrada nem na Antigüidade, nem conhecida anteriormente no mundo não ocidental, provocando a desagregação dos vínculos econômicos primitivos, com "a supressão das barreiras existentes entre economia interna e externa, entre moral dentro e fora da estirpe, a penetração do princípio mercantil na economia interna e a organização do trabalho sobre esta base," enfim, a organização racional do trabalho" desvinculado de quaisquer aspectos litúrgicos.

A cultura ocidental, em razão da sua hegemonia política e econômica sobre o mundo, nos últimos séculos, tornou-se o único paradigma da civilização, e a medida absoluta da civilidade. Com a sua síntese norte-americana, a Europa passou a simbolizar o civilizatório. Os demais espaços do mundo tornaram-se periféricos, espaços da subcultura. A ciência tornou-se patrimônio ocidental, universalizando leis, terminologias, conceitos. Definiram-se os parâmetros do conhecimento geral, pelos quais a inteligência dos demais povos foi sendo moldada e condicionada. Da primazia na apreensão, abordagem e apropriação das leis científicas do Universo físico transitou-se para o universo das relações humanas, fluido e opaco, para o qual estabeleceram-se normas definitivas, as quais, ainda que marcadas pela idiossincrasia do ethos europeu, mundializaram-se como verdades comportamentais e culturais, sobretudo como modelos sociais, a partir dos quais se identificam as nações como civilizadas ou incultas. E, de forma mais profunda ainda, no modelo das idéias e na metodologia do pensar da Europa ocidental, capturou-se a inteligência de todos os povos, numa alienação indefectível do intelecto culto dos colonizados. Ou se pensa à européia, ou não se pensa validamente. O Ocidente tornou-se sinônimo de civilização, universalizando os seus conceitos como definitivos e únicos do conhecimento geral. Assim, os demais povos que pretendessem modernizar as suas nações teriam que reproduzir o modelo ocidental europeu. Pedro, o grande, moderniza a Rússia começando pelo calendário e tomando o Ocidente europeu como sinônimo de modernidade e de Europa. Desaparecido o império otomano, Mustafá Kemal organiza a nova nação turca sob os moldes da cultura ocidental. Reinventa a língua turca com a substituição da escrita arábica pelo alfabeto latino. O Japão moderniza-se copiando essa Europa da burguesia ascendente, que seduz as elites de todos os povos. A América tornou-se a extensão territorial desse Ocidente poderoso, que é capaz de produzir intelectuais e pensamentos revolucionários que influenciam todos os povos, e os EUA a síntese completa desse absoluto cultural. A China e a Índia, jóias do império, orbitam esse centro majestoso, que transformou a África no seu pasto e a Arábia na sua fonte de energia.

Podemos enxergar aqui o raciocínio que ainda reside na mentalidade ocidental do séc. XXI

Não seria muito deixarmos aqui uma liberdade de raciocínio para o leitor. Um raciocínio dirigido sobre as palavras de Chaplin em o grande ditador.

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá”.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin 

A criação prossegue incessantemente por meio do homem, mas o homem não cria: descobre. (Antonio Gaudi)

 

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