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Medicina Oriental

A
singularidade do clássico
Por: Shidoshi Jordan Augusto
(Resposta
dada a uma entrevista em 2001)
Depois da morte de Yoritomo, o
cargo de Shogun perdeu muito de seu poder pela falta de uma figura central capaz
de reproduzir-lhe a integridade. O espírito do samurai era o espírito
do auto-sacrifício, sendo suas virtudes as necessárias a um guerreiro
eficiente. A proteção e a conservação de
todos estes valores em uma era atual exprime dois aspectos.
Em tempos de guerra, os
pensamentos sempre se voltam para a morte. Entretanto, para a cultura que se
desenvolveu no Japão de todos estes anos, a ênfase maior era colocada na
maneira de como se enfrenta a morte. A opção pela evisceração - o
Sepukku, uma excruciante forma de suicídio e, para o ocidente, um bizarro
ritual - tem profundas raízes na cultura japonesa. O baixo abdome, “hara”, além
de ser o lugar em que se concentra a coragem, é considerado a sede da consciência
terrena, quer seja da mente ou espírito. É o ponto, no ser humano, onde nascem
e se juntam as energias espiritual e material. No ocidente, é comum escutar as
pessoas de origem inglesa dizerem “ler a mente” de alguém, para conhecê-lo
ou enxergar-lhe os sentimentos, mas os japoneses têm a expressão: “Hito no
hara wo yomu”, que significa: ler o Hara, ou abdome do outro. O samurai não só morria de boa
vontade no campo de batalha como, pela sabedoria e honra de sua própria mão e
espada, morria quando falhava em uma missão importante ou quando cometia um
crime capaz de trazer a desgraça para o seu clã ou o seu nome. Essa atitude em relação ao suicídio
talvez seja um dos grandes exemplos que possa ilustrar a diferença existente no
pensamento clássico entre Japão e ocidente.
Contudo, tanto em suas crenças
espirituais quanto em suas habilidades guerreiras, o samurai sabia que a morte não
é o fim do espírito ou sequer da existência terrena. Até o mais ínfimo dos detalhes
cotidianos, o guerreiro vivia como se cada dia fosse o último. Muitas vezes, no
fragor da batalha, sabendo que a derrota era iminente, o samurai se retirava
para um local sossegado e, um pouco distante dos horrores da guerra, dava cabo
da própria vida. O inimigo não o perseguia, mas,
com sincera reverência, deixava que cumprisse o derradeiro ato de lealdade. O processo evolutivo rumo ao
desfecho tecnológico tem sido uma espiral ascendente de novas descobertas,
progresso e transformações dramáticas. No passado, quando ventos, frio e
calor destruíam a saúde do ser humano, vestiu-se a nudez e criou-se abrigos
como meio de proteção.
Nos dias atuais, através da
evolução natural o homem descobriu coisas novas e esqueceu que deveria
acompanhar novas descobertas em seu “eu interior”. Lealdade, cortesia e valor
representavam ideais elevados e nobres, mas concentravam-se nos campos de
batalha, e o samurai era agraciado mais por sua habilidade em combate. O estudo intenso do Bujutsu
aprimorava o espírito, mas apenas para que a morte pudesse ser arrostada sem
medo e o inimigo fosse destruído. Nessa época o caractere chinês
“BU” só era associado à guerra. Contudo, de acordo com professores mais
antigos, a tradução fidedigna é “governar e proteger o povo”, para,
assim, edificar uma sociedade mais sólida.
A espada era o símbolo da classe
samurai - uma obra de arte maravilhosa e refinada. Uma excelente espada fabricada
pelo mais famoso fabricante da época podia representar o mais precioso bem, até
mais que a própria vida. Antes de fabricar cada lâmina, o
espadeiro ou mestre ferreiro limpava o corpo, a mente, o espírito e o espaço
à sua volta, numa antiga cerimônia xintoísta de “Misogi”, ou purificação.
O aço era purificado pelo fogo e
pela água, enquanto ia sendo malhado até que todas as escórias
desaparecessem. Quando a espada é utilizada de
modo adequado e eficiente, os movimentos do corpo devem conformar-se com
naturalidade às regras artísticas da linha e movimento, bem como ao uso
equilibrado do espaço.
Nos dias atuais, com o
capitalismo à flor da pele, os homens armam-se de palavras e estratégias que
aniquilam aqueles que ainda possuem o bom pensamento. Porém, em um ciclo
natural, ascensão e queda passam a ser cotidiano diante de tais atitudes. Para
aqueles que se encontram em paz, tais fenômenos vão e vem em calmaria, para
outros enfrentam a própria tempestade. A
evolução é necessária, mas o antigo sempre estará presente. Seja em
conceitos, palavras, linguagem, pensamentos ou raciocínios: no que for, a evolução
é apenas uma conseqüência do bom aprendizado.
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