sexta-feira, 3 de setembro de 2010

 

Textos e Ensaios de Jordan Augusto            


 

Medicina Oriental

Giri - Gratidão

(Por Jordan Augusto)

 

À medida que o tempo passa percebemos mais freqüentemente que nos dias de hoje já não existe mais o sentimento de gratidão do aluno para com o mestre.

Dito no Bugei como Kansha no Shin, os sentimentos de gratidão devem ser cultivados desde o primeiro dia de treinamento. A manifestação mais simples é a repetição constante da palavra "Obrigado". Se, desse modo, reverenciarmos verdadeiramente tudo que existe ao nosso redor, sentiremos realmente que tudo que nos rodeia manifesta o brilho da Sabedoria e do Amor de Deus, assim compreenderemos o verdadeiro significado da expressão "Sentir gratidão". Por exemplo, mesmo quando tomamos banho podemos agradecer.  

 

Dizer obrigado e possuir este sentimento no interior faz bem e nos torna honrados diante de um benefício. Talvez aí esteja o tão comentado “Giri” — o sentimento de gratidão.

Segundo os mais estudiosos, na filosofia de Tomás de Aquino, as palavras têm um potencial expressivo muito maior do que nós possamos imaginar — de tão familiar e quase automático é o uso que delas fazemos. Daí a atenção do filósofo para os modos de dizer, os contextos, as sutilezas da linguagem comum em sua própria língua ou em outras.

L. Jean Lauand expressa belíssimamente em um texto seu tal consentimento.

Quando a filosofia se volta para a linguagem comum, não está praticando um procedimento periférico, mas atingindo algo de muito essencial pertencente ao próprio núcleo da reflexão filosófica.

Tal apropriação, dizíamos, não é fácil nem imediata. Nossa tendência é antes a de embotamento e esquecimento do profundo sentido originário que acabou por se consubstanciar nesta ou naquela formulação. Pois, sempre vige aquela verdade fundamental, ressaltada tanto pela antropologia ocidental quanto pela oriental: o homem é, essencialmente, um ser que esquece! E, assim, a linguagem, a língua viva do povo, acaba por ser em muitos casos a depositária das grandes experiências esquecidas. E se quisermos resgatar o sentido do humano que elas encerram, devemos voltar-nos, criticamente, para esse depósito...

Não é de estranhar, pois, que num clássico como Tomás de Aquino encontremos uma filosofia altamente comprometida com a linguagem. Nesse sentido, é oportuno recordar alguns de seus princípios metodológicos.

1) Nossas palavras, freqüentemente, só alcançam fragmentariamente — Tomás usa o advérbio divisim — a realidade, que é complexa, que supera, de muito, a capacidade intelectual humana. Aliás, é de Tomás a aguda observação de que "filósofo algum jamais chegou a esgotar sequer a essência de uma mosca". Ao contrário de Deus, que expressa tudo num único Verbo, "nós temos de expressar fragmentariamente os conhecimentos em muitas e imperfeitas palavras".  

 

2) Outro fenômeno interessante, também ele ligado à limitação de nosso conhecimento/linguagem, é o que poderíamos denominar: efeito girassol, assim explicado por Tomás: "Já que os princípios essenciais das coisas são por nós ignorados, freqüentemente, para significar o essencial (que não atingimos) nossas definições incidem sobre um aspecto acidental". Assim, por exemplo, todo o ser da planta que chamamos girassol é designado por um fenômeno-gancho, acidental e periférico, no caso o do heliotropismo.

3) Daí, também, que não escape ao Aquinate o fato de que, freqüentemente, é diferente o gancho, o aspecto, o caminho pelo qual cada língua acessa uma determinada realidade: o mesmo objeto que me protege contra a água (guarda-chuva) produz uma sombrinha (umbrella). Daí, diz Tomás, que "línguas diferentes expressem a mesma realidade de modo diverso".

 

"Muito Obrigado" — Os Três Níveis da Gratidão

Dizíamos que a limitação do conhecimento humano reflete-se na linguagem: não podemos expressar o que as coisas são, na medida em que não sabemos completamente o que elas são. Além do mais, muitas vezes, uma palavra acentua originariamente só um dentre os muitos aspectos que a realidade designada oferece. E pode ocorrer que, com o passar do tempo, essa realidade mude, evolua substancialmente a ponto de perder a conexão com o étimo da palavra, que permanece a mesma. Isto não nos choca, pois, no uso quotidiano, as palavras vão perdendo transparência: falamos em salada de frutas porque envolve mistura e nem notamos que salada deriva de sal. Do mesmo modo, o barbeiro, hoje em dia, quase já não faz barbas, mas cortes de cabelo; como também o tintureiro já não tinge, mas só lava; o garrafeiro compra jornais velhos e muito poucas garrafas; o chauffeur não aquece, mas dirige o carro; e nem nos lembraríamos de associar funileiro a funil.

Se essas incompatibilidades não nos causam estranheza é porque a linguagem tornou-se opaca para nós: dizemos colar, colarinho, coleira, torcicolo e tiracolo e não reparamos que derivam de colo, pescoço (daí que seja incompreensível, à primeira vista, a expressão "sentar no colo").  

 

Essas considerações são importantes preliminares ao estudo da gratidão e das formulações que ela recebe nas diversas línguas. Tomás ensina que a gratidão é uma realidade humana complexa (e daí também o fato de que sua expressão verbal seja, em cada língua, fragmentária: este ou aquele aspecto-gancho é o acentuado): "A gratidão se compõe de diversos graus. O primeiro consiste em reconhecer (ut recognoscat) o benefício recebido; o segundo, em louvar e dar graças (ut gratias agat); o terceiro, em retribuir (ut retribuat) de acordo com suas possibilidades e segundo as circunstâncias mais oportunas de tempo e lugar" (II-II, 107, 2, c).

Esse ensinamento, aparentemente tão simples, pode ser reencontrado nos diferentes modos de que as diversas línguas se valem para agradecer: cada uma acentuando um aspecto da multifacética realidade da gratidão. Algumas línguas expressam a gratidão, tomando-a no primeiro nível: expressando mais nitidamente o reconhecimento do agraciado. Aliás reconhecimento (como reconnaissance em francês) é mesmo um sinônimo de gratidão. Neste sentido, é interessantíssimo verificar a etimologia: na sabedoria da língua inglesa to thank (agradecer) e to think (pensar) são, em sua origem, e não por acaso, a mesma palavra. Ao definir a etimologia de thank o Oxford English Dictionnary é claro: "The primary sense was therefore thought". E, do mesmo modo, em alemão, zu danken (agradecer) é originariamente zu denken (pensar). Tudo isto, afinal, é muito compreensível, pois, como todo mundo sabe, só está verdadeiramente agradecido quem pensa no favor que recebeu como tal. Só é agradecido quem pensa, pondera, considera a liberalidade do benfeitor. Quando isto não acontece, surge a justíssima queixa: "Que falta de consideração!". Daí que S. Tomás — fazendo notar que o máximo negativo é a negação do grau ínfimo positivo (a última à direita de quem sobe é a primeira à esquerda de quem desce...) — afirme que a falta de reconhecimento, o ignorar é a suprema ingratidão: "o doente que não se dá conta da doença não quer se curar".  

 

A expressão árabe de agradecimento shukran, shukran jazylan situa-se diretamente naquele segundo nível: o de louvor do benfeitor e do benefício recebido. Já a formulação latina de gratidão, gratias ago, que se projetou no italiano, no castelhano (grazie, gracias) e no francês (merci, mercê) é relativamente complexa. Tomás diz (I-II, 110, 1) que seu núcleo, graça comporta três dimensões:

1º) obter graça, cair na graça, no favor, no amor de alguém que, portanto, nos faz um benefício;

2º) graça indica também dom, algo não devido, gratuitamente dado, sem mérito por parte do beneficiado;

3º) a retribuição, "fazer graças", por parte do beneficiado. No tratado De Malo (9,1), acrescenta-se um quarto significado de gratias agere: o de louvor; quem considera que o bem recebido procede de outro, deve louvar.

No amplo quadro que expusemos — o das expressões de gratidão em inglês, alemão, francês, castelhano, italiano, latim e árabe — ressalta o caráter profundíssimo de nossa forma: "obrigado". A formulação portuguesa, tão encantadora e singular, é a única a situarse, claramente, naquele mais profundo nível de gratidão de que fala Tomás, o terceiro (que, naturalmente, engloba os dois anteriores): o do vínculo (ob-ligatus), da obrigação, do dever de retribuir. Podemos, agora, analisar a riqueza de sugestões que se encerra também na forma japonesa de agradecimento.

Arigatô remete aos seguintes significados primitivos: "a existência é difícil", "é difícil viver", "raridade", "excelência (excelência da raridade)". Os dois últimos sentidos acima são compreensíveis: num mundo em que a tendência geral é a de cada um pensar em si, e, quando muito, regularem-se as relações humanas pela estrita e fria justiça, a excelência e a raridade salientam-se como característica do favor. Mas, "dificuldade de existir" e "dificuldade de viver", à primeira vista, nada teriam que ver com o agradecimento. No entanto, S. Tomás ensina (II-II, 106, 6) que a gratidão deve — ao menos na intenção — superar o favor recebido. E que há dívidas por natureza insaldáveis: de um homem em relação a outro, seu benfeitor, e sobretudo em relação a Deus: "Como poderei retribuir ao Senhor — diz o Sl. 115 — por tudo o que Ele me tem dado?". Nessas situações de dívida impagável — tão freqüentes para a sensibilidade de quem é justo — o homem agradecido sente-se embaraçado e faz tudo o que está a seu alcance (quid-quid potest), tendendo a transbordar-se num excessum que se sabe sempre insuficiente (cfr. III, 85, 3 ad 2).  

 

Arigatô aponta assim para o terceiro grau de gratidão, significando a consciência de quão difícil se torna a existência (a partir do momento em que se recebeu tal favor, imerecido e, portanto, se ficou no dever de retribuir, sempre impossível de cumprir...).

Sinônimos?

Tomás é muito estrito no uso da palavra "sinônimo": para ele, são sinônimas somente palavras de significados absolutamente equivalentes, isto é, que não só indicam a mesma realidade (res), mas também o mesmo aspecto, a mesma ratio. Diz, por exemplo: "Embora essas palavras signifiquem a mesma realidade, não são sinônimas porque não a enfocam sob o mesmo aspecto".

Assim, para Tomás, duas (ou mais) palavras são sinônimas se (e somente se...) em quaisquer contextos puderem ser comutadas sem real alteração de sentido: o exemplo que dá, no Comentário às Sentenças, é tunica, vestis e indumentum. O que quer que se afirme (ou negue) de tunica, será afirmado (ou negado...) também de vestis. É como trocar "meia-dúzia" por "seis"... Nós, hoje, com menos precisão, admitimos como sinônimas justamente palavras que — embora com diferentes títulos ou ênfases — apontam para a mesma realidade. Assim, de "sinônimo", diz o Aurélio: "palavra que tem quase (sic) a mesma significação que outra". Já o Larousse, explicita melhor: "mots qui se présentent dans la langue avec des sens très proches et qui se différencient entre eux par une nuance (trait particulier)". Já o Oxford distingue e registra dois sentidos, o estrito e o lato: "Synonym - 1. Strictly, a word having the same sense as another (in the same language); but more usually (grifo nosso), either or any of two or more words (in the same language) having the same general sense, but possessing each of them meanings which are not shared by the other or others, or having different shades of meaning (grifo nosso) or implications appropriate to different contexts: e.g. serpent, snake; ship, vessel etc.".  

 

Para Tomás, pelo contrário, como dizíamos, duas palavras podem referir-se à mesma e única realidade e, no entanto, não serem sinônimas: porque diferentes são suas rationes. É o caso, por exemplo, dos diversos nomes pelos quais designamos a Deus ou seus atributos (Criador, Onipotente, a Bondade, a Justiça etc.): todos incidem sobre a mesma realidade, mas não são sinônimos. Seja como for, do ponto de vista metodológico, são de especial interesse para o filósofo, dois pontos:

1- A busca de contextos da linguagem comum em que uma palavra não pode — sem alteração de sentido — ser substituída por nenhum "sinônimo": este é um fecundo procedimento para atinar com a realidade antropológica significada pelo vocábulo.

2- O segundo ponto a destacar é o fato de que cada "sinônimo" tem sua ratio, aponta para um determinado aspecto diferente da mesma e única realidade: tal como quando falamos em "casa", "lar", "domicílio" ou "residência". Em si, a realidade a que se referem estas palavras é a mesma e única edificação — na Rua Tal, número tal — mas ninguém diz "domicílio, doce domicílio", nem a Prefeitura cobra impostos sobre meu lar, etc. Essa multiplicidade de formas de linguagem para a mesma res tem importância na análise que Tomás faz do amor.

"Meu caro" — A riqueza (e a precisão) de vocabulário vivo para determinado assunto em uma língua denota o interesse vital dos falantes por aquele tema. Nesse sentido, note-se, por exemplo, o incrível detalhamento a que chegou o léxico futebolístico no Brasil, em que a resolução da linguagem chega a distinguir: bicicleta, meia-bicicleta, puxeta e voleio! Do mesmo modo, S. Tomás apresenta distinções entre diversos "sinônimos" de amor em latim, interessantes do ponto de vista da antropologia filosófica. Assim, ao afirmar (em I Sent. d.10, q.1, a. 5, ex) que o Espírito Santo é amor ou caritas ou dilectio do Pai e do Filho, precisa que amor indica a simples inclinação de afeto para o amado, enquanto dilectio ("como a própria etimologia indica") pressupõe escolha e é, portanto, racional. Já caritas, objeto de particular estudo neste tópico, enfatiza a veemência do amor (dilectio) enquanto se tem o amado por inestimável preço ("inquantum dilectum sub inaestimabili pretio habetur"), no mesmo sentido em que dizemos que as coisas (o custo de vida, as compras) estão caras ("secundum quod res multi pretii carae dicuntur").

Há aqui um fato surpreendente e muito sugestivo. Não é por acaso que, também em outras línguas, se use a mesma e única palavra para dizer: "meu caro amigo" e "o feijão está caro" ("my dear friend", "beans are too dear"; "mon cher ami" e "haricots sont trop cher"). Para o realismo medieval, não há nenhum choque em que a palavra "caridade", escolhida para designar o amor de Deus (e o amor ao próximo por Deus) seja a palavra, pré-cristã, ligada a dinheiro, preço: caridade, o amor pelo amado, insiste Tomás, indica aquilo (uma coisa, um objeto) que consideramos de inestimável preço, como caríssimo: "Caritas dicitur, eo quod sub inaestimabili pretio, quasi carissimam rem, ponat amatum caritas" (In III Sent. d.27, q.2, a.1, ag7).

Assim, quando dizemos "meu caro amigo" ou "caríssimo Fulano", estamos valendo-nos de metáforas de preço (daí, também, a-preço, prezado, menos-prezo, des-prezo etc.), de estima, de estimativa.

Nesta mesmíssima linha, situa-se a fórmula de cortesia árabe, ante um amigo que diz que vai pedir algo: "Anta gally wa talibuka rakhiz" ("você é caro e seu pedido é barato"). E quando nos lembramos que Cristo compara o Reino dos Céus a um tesouro que um homem encontra num campo ou a um mercador que procura pedras preciosas e que a obtenção desse bem requer a venda de todo o resto, não nos surpreenderá que "caridade" seja a palavra para designar o bem apreciado.

Voltemo-nos agora para uma outra situação de nossa vida quotidiana, a de felicitação, procurando resgatar o sentido originário dos votos de congratulação. Seguindo o procedimento medieval, estaremos atentos à etimologia.

   

"Parabéns" — Quando transcendemos o âmbito protocolar das formalidades e da praxe, os votos de felicitação: "Parabéns!" (e seus irmãos: o espanhol Enhorabuena!, o inglês Congratulations!, o italiano Auguri!), vemos que eles trazem em si diferentes e complementares indicações sobre o mistério do ser e o do coração humano. O que significam exatamente essas formulações? O que realmente queremos dizer, quando dizemos "parabéns" ou "congratulations" etc.? Todas essas expressões trazem em si um profundo significado, por assim dizer, "invisível a olho nu".

Comecemos pela fórmula castelhana: Enhorabuena!, literalmente "em boa hora". Enhorabuena indica que um determinado caminho (os anos de estudo que desembocaram numa formatura, o árduo trabalho de montar uma empresa que se inaugura etc.) chega, nesta hora, em que se dão as felicitações, a seu termo: esta é que é a hora boa, enhorabuena! Precisamente o fato de ser a hora da conclusão é que a torna uma boa hora. A sabedoria dos antigos fala da "hora de cada um", de horas boas e más. Mas a hora boa, a hora melhor é a da conclusão, a da consumação, a do bom termo do caminho, a hora do fim, que é melhor do que a do começo: "Melior est finis quam principium" (Ecl. 7,8), diz a própria Sabedoria divina.

Já a formulação inglesa, também presente no alemão e em outras línguas, congratulations, expressa a alegria compartilhada pelo bem do outro, com quem nos congratulamos, isto é, nos co-alegramos. Essa comunhão na alegria é sugerida também pela forma depoente dos verbos latinos gratulor e congratulor. A forma depoente está a indicar que a ação descrita no verbo não é ativa nem passiva: mas uma ação que, exercida pelo sujeito, repercute nele mesmo. Ou seja, no caso, que a alegria que externamos ao felicitar tal pessoa é também, a título próprio, muito nossa.

O árabe mabruk lembra o caráter de bênção daquele dom pelo qual felicitamos alguém.

Com a encantadora forma nossa, "Parabéns!", estamos expressando precisamente isto: que o bem conquistado, que a meta atingida seja usada "para bens". Pois, qualquer bem obtido (o dom da vida, dinheiro ou a conquista de um diploma) pode, como todo mundo sabe, ser empregado para o bem ou para o mal.

O italiano, auguri, auguri tanti!, anuncia (ou enseja) que este bem celebrado é só prenúncio, prefiguração, augúrio de outros ainda maiores que estão por vir.

Não somente somos todos os receptores das bênçãos espirituais além da nossa capacidade de total compreensão, mas todos compartilhamos as muitas bênçãos temporais também — tais como o sol, a chuva, e o encanto com a beleza natural do planeta. A maioria de nós é cidadão em países relativamente livres, onde podemos viver nossas vidas (pelo menos por enquanto) com pouca interferência do governo e prosperar em proporção direta aos nossos esforços, criatividade e capacidade. Os avanços tecnológicos dos últimos anos facilitaram muito a vida e parece que até o aspecto de ganhar a vida com o suor do rosto foi grandemente reduzido para as massas. Claramente, cada um de nós teria que admitir que quando olhamos para nossas vidas e começamos a contar as bênçãos de todos os dias, verificamos que o número é muito grande — na verdade, elas são tantas que acabamos assumindo que são coisas normais da vida.

Da mesma forma que na vida, devemos saber agradecer também dentro do Dojo. Pois não temos idéia do que representa a paciência a nós dispensada.

Cita-se no Budismo as quatro espécies de débitos de gratidão como: em primeiro retribua aos débitos de gratidão aos pais, em segundo retribua aos débitos de gratidão ao soberano, em terceiro retribua aos débitos de gratidão a todos os seres e em quarto retribua aos débitos de gratidão aos Três Tesouros. Diz-se para retribuir em primeiro aos débitos de gratidão aos pais, pois o corpo é formado pela fusão em boa harmonia das gotas branca e vermelha do pai e da mãe. Alojando-o no útero durante duzentos e setenta dias, ou seja, nove meses, teve trinta e sete vezes o sofrimento como se fosse morrer. No momento de dar à luz, a respiração fica presa a ponto de não mais suportar, o vapor que exala da cabeça atinge o céu Bonten. Após nascer, o leite que mamou soma acima de cento e oitenta koku. Durante os três primeiros anos brincou no colo dos pais e após crescer, caso venha a crer no Budismo, deve em primeiro retribuir aos débitos de gratidão ao pai e à mãe. Diante da altura dos débitos de gratidão ao pai, o Monte Sumeru é ainda mais baixo. Diante da profundidade dos débitos de gratidão à mãe, o grande oceano é ainda mais raso. Deve sem falta retribuir aos débitos de gratidão aos pais!  

 

Madre Tereza de Calcutá nos ensinou certa vez que: tenha sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos... Mas o que é importante não muda.

A tua força e convicção não tem idade.

Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.

Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.

Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo. Não vivas de fotografias amareladas.

Continua, quando todos esperam que desistas. Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.

Quando não conseguires correr atrás dos anos, trota. Quando não conseguires trotar, caminha. Quando não conseguires caminhar, usa uma bengala. Mas nunca te detenhas

 

 

Gratidão

(Autor:Renato Veneroso)


Se se lamenta da fadiga,
sê grato pois que ainda tem o trabalho;

Se reclama da falta de dinheiro ou da matéria,
sê grato pois o que te falta hoje, para muitos nunca existiu;

Se se lamenta por ter falhado ou fracassado,
sê grato pois que teve a oportunidade de tentar;

Se reclama do sol ou da chuva, do vento ou do frio,
sê grato pois que a natureza está à sua volta;

Se está aborrecido ou triste com um amigo ou familiar,
sê grato pois que ainda os tem em sua vida;

Se se sente só e desamparado,
sê grato pois que ainda tem a sí próprio;

Se se lamenta da enfermidade ou da doença que te aflige,
sê grato pela vida que ainda há em tí;

Se seus pés doem porque sangram ao pisar sobre os espinhos do caminho,
sê grato pois que ainda pode caminhar;

Se se aflige com a morte inevitável do corpo,
sê grato pela vida eterna que te aguarda;

Se pensa que todas as suas preces têm sido em vão,
sê grato pois que ainda sabe orar;

Mas se de tudo ainda pensar que vida é dura e ingrata demais para tí,
e as lágrimas lhe vierem aos olhos, ainda assim e mais do nunca,
sê grato a Deus pois que seu coração ainda pode sentir.

 

 

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