terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

 

Textos e Ensaios de Jordan Augusto            


 

Medicina Oriental

A Importância do Musubi

(Por Jordan Augusto)

 

 

Para muitos praticantes das artes que envolvem a energia Ki, esta é uma palavra que passa despercebida visto que a busca nem sempre é paciente com o entendimento.

 

Para entendermos melhor o princípio de tudo, pois o caminho de compreensão do Musubi que estudamos como fundamento para a utilização da energia KI se dá de dentro para fora, falarei sobre essa forma, como um todo.

 

A palavra Musubi, de origem japonesa, tem como significado união, terminar, concluir, acabar; matar e dependendo de sua forma coloquial, podemos ainda encontrar outros significados.

 

Ao longo de minha jornada encontrei vários significados para tal palavra que sempre desencadeava como unir, amarrar, tornar junto.

 

Bom... De uma forma ou de outra seu significado é relevante, porém sua prática torna-se ainda incomensuravelmente importante para o caminho das práticas que envolvem o Ki.

 

Entender o Musubi exige primeiramente compreender que é uma experiência pessoal, especialmente indicada para aqueles que buscam o equilíbrio e harmonia, para gerar autodesenvolvimento, expansão da consciência, saúde e paz interior. Por mais diferente que seja o objetivo, ao chegar na montanha, ninguém pode fugir do próprio caminho, o caminho interior.

 

Para muitos, uma expressão forte do Musubi no Aiklijujutsu ocorre quando o Uke, em um movimento de “Tekubitori”, não consegue se soltar sua mão.

 

Permeado de mística, abstração e conceitos esotéricos, o fenômeno do Ki através do Musubi, começou a ser divulgado no ocidente há cerca de 50 anos. Desde então o ocidente vem assimilando lentamente conceitos básicos desta ciência, a ponto de poder nos dias de hoje, incorporá-los ao universo de possibilidades de abordagens, tanto nas áreas de autodesenvolvimento como na medicina, filosofia, artes marciais e estudos de tradições energéticas de forma geral.

O sistema energético de nosso corpo é constituído da seguinte forma:

·         Centros energéticos

·         Vasos energéticos

·         Meridianos ou canais

·         Submeridianos

·         Meridianos Flutuantes

 

Centros Energéticos: São lagos de energia que estão alinhados e interligados no interior do corpo. Possuímos sete centros mais importantes.

Vasos Energéticos: Em número de oito percorrem o interior do tronco, braços e pernas e estão diretamente ligados aos centros energéticos. Formam a estrutura básica no novelo energético.

Meridianos ou Canais: Temos doze importantes meridianos que se localizam entre a pele e os músculos. Seu objetivo é fazer a ligação com os órgãos internos.

Submeridianos: Pequenos canais de interligação dos meridianos.

Meridianos Flutuantes: Com o objetivo de bloquear ou assimilar as energias do meio ambiente, esses meridianos são formados por milhares de pequenos canais de energia que se espalham fora do corpo (aura humana).

 

A função básica de todos esse sistema energético é a de transportar ki e sangue para todas as partes do corpo. Fazer a conexão dos órgãos internos e equilibrar Yin e Yang e, conseqüentemente, possibilitar o equilíbrio entre o homem e o meio (natureza).

De certa forma, a ciência energética do KI divulgada no Ocidente se concentra na área onde a transmissão conceitual de um sistema energético via Canais de Acupuntura é de mais fácil aceitação e por isso mesmo deixa de ser esotérica, transformando-se assim em alternativa. Por outro lado, aos poucos é revelada a amplitude de utilização das energias para fins de controle psicológico e aprimoramento espirituais.

 

Escutei mestres japoneses executarem a prática do Musubi nas técnicas de Aikijujutsu como Alquimia Interior.

 

A Alquimia Interior dos opostos não é sinônimo do taoísmo. Ela se inspira no simbolismo do Tao. Foi desenvolvida pelos sábios taoístas e é essencialmente um sistema coerente, metódico e esotérico que não exige nenhuma filiação religiosa. Ela também não requer que o discípulo se afaste da sociedade. Não existe guru, apenas mestre.

 

Durante a maior parte de sua história seus métodos eram secretos. Havia diversas escolas de Alquimia Interior. O começo da história consiste em lendas. Supõe-se que Huang Ti (2698-2597 a.C.), tenha sido o fundador e que a partir de então foi transmitida oralmente até que Ko Hung por volta de 320 d.C., em seu famoso livro Nei Pien, rompesse o tabu que impedia que a tradição fosse registrada por escrito.

 

A Alquimia Interior do Tao trata basicamente de energia. Embora seja um sistema que pode ser praticado por qualquer pessoa, ele é um sistema chinês com um simbolismo chinês, abstrato para a estrutura de pensamento ocidental. A simbologia inerente nas técnicas e a utilização de capacidade imaginativa requerida pelo praticante pressupõem a presença e orientação de um mestre.

 

Em primeiro lugar, o estudante entra em contato com a energia existente em seu corpo e toma consciência dela. Essa energia chama-se ki. O discípulo aprende a orientar o ki através de seus principais canais de energia para formar um circuito dentro do corpo. Esses canais são os meridianos da acupuntura, também apelidados de Órbitas.

 

Nos dois principais canais de energia — Canal Regulador (base da espinha até ao topo do palato), e Canal Funcional (ponta da língua até ao períneo) — a energia pode circular nos dois sentidos, mas na maioria das pessoas esses canais podem estar bloqueados ou enfraquecidos. Através da prática o discípulo aprende a movimentar a circulação da energia nessa órbita.

 

O fluxo do ki é dirigido pela mente. O discípulo geralmente inicia essa órbita concentrando-se num ponto atrás do umbigo. Grande parte do trabalho posterior para chegar a formula alquímica intermediária, conhecida como Pequena Iluminação, concentra-se nesse ponto, chamado Tan Tien.

 

O Tan Tien é considerado o centro de gravidade do corpo. Assim como o feto está ligado a mãe pelo cordão umbilical, o praticante do Tao inicia o processo de ligar-se a Terra e ao infinito pelo centro Tan Tien atrás do umbigo. Muitas práticas espirituais falam da necessidade de centrar-se.

 

O Tan Tien está no centro do corpo. Sua localização exata difere de pessoa para pessoa, mas em geral fica quatro a seis centímetros atrás e pouco abaixo do umbigo. Os taoístas acreditavam que no útero o feto humano recebe um tipo especial de ki pelo cordão umbilical. Era o chamado ki pré-natal que circulava livremente em sua órbita bem como em todos os 32 meridianos de energia. Depois do nascimento e com o passar do tempo este ki perde seu controle sobre o corpo, não circula mais livremente, os meridianos ficam bloqueados e resultam em desequilíbrios emocionais, doenças físicas e fragilidade na velhice.

Por outro lado, Tan Tien é o nome dado aos três principais centros de energia localizados no eixo interno de nosso corpo:

1º) Tan Tien Superior - Localizado atrás do ponto médio entre as sobrancelhas - Hipófise

2º) Tan Tien Médio - Localizado na região do Plexo - Coração

3º) Tan Tien Inferior - Localizado três dedos abaixo do umbigo

Embora os três sejam utilizados na alquimia taoísta, dentro das análises ligadas às artes marciais, quando falo em Tan Tien estou me referindo ao Tan Tien Inferior, também chamado "Mar de Energia".

Além de ser o centro da rede de ki, o Tan Tien Inferior funciona como um grande reservatório. Nele encontramos armazenado o nosso ki Original - ki oriundo da fecundação.

Quando praticamos o ki através do Musubi Interno e respiramos com a intenção no Tan Tien, o ki da respiração desce para essa área.

 

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, estando cheio o reservatório, ele transborda para os oito vasos energéticos (vasos maravilhosos) e posteriormente, fluindo para os doze canais (meridianos), cada um dos quais associados a órgãos específicos. Dessa forma o ki circula por todo o corpo ao longo de canais (muitas vezes seguindo um percurso paralelo ao sistema cardiovascular), animando toda a matéria viva de nosso ser.

O Tan Tien portanto é claramente a base de todo o sistema energético.

Dois dos principais objetivos são restaurar no organismo o ki Pré-Natal e fazer com que ele circule livremente pelos meridianos de energia. Dessa forma, o processo é considerado um renascimento, um retorno ao estado de equilíbrio perfeito.

 

Assim, a primeira meta é recuperar um corpo e mente sadio. O estudante aprende a estabelecer contato com seus órgãos internos através de métodos e técnicas de relaxamento, direcionamento da imaginação e transformação de energia.

 

Por outro lado, sem dúvida alguma, o Musubi influenciou as técnicas circulares da tradição japonesa, sendo estas expressas em diversas áreas impregnadas pelo zen.

 

O círculo representa as coisas sem fim, cíclicas, evolutivas, perfeição de forma e função, que freqüentemente se usa para descrever sons e sensações agradáveis ("redondo"), e em termos de aerodinâmica são perfeitos pois diluem as forças das extremidades e concentram energia no interior.

 

Energeticamente, a luz e as forças psíquicas têm formas concêntricas circulares, com maior intensidade de luz/energia no centro. Os chakras são vórtices no corpo humano que concentram focos circulares de energia, por sua vez interligados em espiral formando a kundalini.

 

Vários professores atribuem a utilização do Musubi para um encontro com a energia interior, ou seja, unir-se a sua força interior.

 

Em cada técnica de Aikijujutsu deve-se compreende os cinco elementos que têm que ser severamente estudados. Cada um possui particularidades de respiração e execução. Explicarei melhor:

 

Cada civilização ou crença tem conhecimento dessa fonte natural e infinita de energia que está presente no Universo e em cada ser vivente. Não é ligada a qualquer sistema de crenças, religião ou filosofia e não depende de fé. É uma técnica simples aplicada com as mãos que pode ser utilizada no dia-a-dia e produz profundo relaxamento e energização de forma imediata, porque ela age sobre as glândulas, orgãos internos, plexos nervosos e energéticos (chakras). 

 

Promover um Musubi ou tornar-se uno com essas energias nos explica que o campo energético humano  ou campo aural está ao redor do corpo de cada ser vivo, em sete capas, que são os sete corpos. Cada capa tem sua própria função e  comunica-se com centros de energia que se chamam chakras.

 

Recentemente, conversando este assunto com um renomado mestre de Bugei e profundo conhecedor da ciência do haragei, ouvi ele afirmar que seu pai lhe ensinava que o Musubi é sinônimo de juntar energias. Segundo ele, a classe familiar de seu pai fazia movimentos circulares em volta do umbigo (9 movimentos no sentido horário e 9 no anti-horário) e em seguida colocavam as mãos espalmadas também sobre o umbigo. Este exercício visava a purificação da energia vital.

 

Interessantemente, havia mestres que ensinavam seus alunos exercícios de flatulência para a expansão do hara e da energia interna. É isto mesmo! Soltar pum!

 

Ogawa sensei era capaz de bater na cara de um aluno que fizesse isto na frente das pessoas... Mas vamos lá, vamos entender:

Todo modelo é uma construção imaginária que incorpora apenas as características que se supõe importantes para a descrição do sistema físico em questão, características estas selecionadas intuitivamente ou por conveniência matemática. A validade de um modelo é determinada pela experimentação. O modelo da teoria cinética para um gás ideal se baseia no seguinte:

· O gás é constituído por um número muito grande de moléculas em movimento desordenado descrito pelas leis de Newton;

· O volume próprio das moléculas é desprezível frente ao volume do recipiente;

· As forças intermoleculares são desprezíveis, exceto nas colisões mútuas e com as paredes do recipiente;

· As colisões são elásticas e de duração desprezível.

 

A característica mais importante desse modelo é que as moléculas, na maior parte do tempo, não exercem forças umas sobre as outras, exceto quando colidem. Assim, as propriedades macroscópicas de um gás são conseqüências primárias do movimento das moléculas e é por isso que se fala em teoria cinética dos gases.

 

As conseqüências mais importantes desse modelo são as relações:

            


onde N representa o número de partículas e o fator entre parênteses, a energia cinética média das partículas. A primeira expressão relaciona a pressão e a segunda, a temperatura absoluta à energia cinética média de translação das moléculas. Se a pressão de um gás aumenta, a energia cinética média de suas moléculas aumenta e também, a sua temperatura.

 

A distância média percorrida por uma molécula entre duas colisões sucessivas é chamada livre caminho médio. À medida que o volume do recipiente cresce, com a temperatura constante, o livre caminho médio das moléculas se torna cada vez maior e as forças intermoleculares se tornam cada vez menos efetivas. À medida que a temperatura cresce, com o volume constante, a energia cinética média das moléculas cresce e as forças intermoleculares se tornam cada vez menos efetivas porque o tempo de colisão diminui. Assim, o comportamento de um gás real se aproxima do comportamento de um gás ideal para baixas pressões e/ou altas temperaturas.

 

A alta compressibilidade de um gás é explicada pelos pequenos volumes próprios das moléculas relativamente ao espaço disponível para o seu movimento. A pressão exercida por um gás contra as paredes do recipiente é atribuída à taxa de transferência de momentum (quantidade de movimento) a estas paredes pelos impactos das moléculas.

 

As leis de Boyle e de Gay-Lussac valem para gases ideais. Ou seja, valem para um gás real na medida em que ele se comporta como ideal. Pela teoria cinética vimos que a pressão aumenta à medida que o volume diminui (lei de Boyle) porque as moléculas colidem com maior freqüência com as paredes do recipiente, e que a pressão aumenta com o aumento da temperatura (lei de Gay-Lussac) porque a elevação da temperatura aumenta a velocidade média das moléculas e, com isso, a freqüência das colisões com as paredes e a transferência de momentum. O sucesso da teoria cinética mostra que a massa e o movimento são as únicas propriedades moleculares responsáveis pelas leis de Boyle e de Gay-Lussac.

 

A Teoria Cinética dos Gases Ideais permite relacionar a pressão com as variáveis microscópicas do movimento das moléculas, considerando que a pressão exercida por um gás sobre as paredes do recipiente que o contém é devida aos choques de suas moléculas contra estas paredes.

 

A energia cinética média das moléculas de um gás ideal é diretamente proporcional à temperatura absoluta deste gás. Costuma-se dizer que a temperatura é uma medida da energia cinética média das moléculas ou átomos do corpo.

 

Conforme a Lei Zero da Termodinâmica, a temperatura deve estar relacionada com uma grandeza física que caracterize o estado de um corpo e que seja igual para dois corpos quaisquer que se encontrem em equilíbrio térmico. Assim, é a energia cinética média do movimento de translação das partículas (átomos ou moléculas) do corpo que possui esta propriedade excepcional. Se, em média, os valores da energia cinética são iguais para as partículas de dois corpos, não existe fluxo efetivo de energia entre eles.

 

 

Por outro lado, a velocidade do som em um certo gás deve ser da mesma ordem de grandeza da velocidade quadrática média das moléculas desse gás porque a velocidade do som é a velocidade de propagação das perturbações de densidade no interior do gás e, microscopicamente, o movimento das moléculas constitui o mecanismo de transporte destas perturbações.

 

No modelo cinético para um gás ideal, cada molécula possui apenas movimento de translação. Como este movimento pode ser decomposto em três movimentos ortogonais, dizemos que cada molécula tem três graus de liberdade.

 

Por outro lado, podemos ver que, para cada grau de liberdade de translação, uma molécula tem uma energia. Assim, a energia interna de um gás ideal, isto é, a soma das energias de todas as moléculas que o constituem.

          

Para uma melhor descrição dos gases reais, principalmente quanto aos seus calores específicos, é necessário levar em conta outros graus de liberdade como, por exemplo, os graus de liberdade de rotação (para moléculas não esféricas), de vibração (para moléculas não rígidas), etc. Se o resultado acima for estendido a estes outros graus de liberdade temos o teorema de equipartição de energia.

 

A cada grau de liberdade da molécula, qualquer que seja a natureza do movimento correspondente, está associada uma energia.

 

De qualquer forma, para gases reais a energia interna pode depender de outros fatores além da temperatura absoluta. Mas, para um gás ideal, a energia interna é função apenas da temperatura absoluta. Esta propriedade dos gases ideais é observada na experiência de expansão livre.

 

Após esta explicação que contei com maravilhosas explicações de amigos físicos e acesso a livros fantásticos, compreendo que pode até ser interessante a transmissão de gases, mas se Musubi para muitos resulta em “pum”, é melhor praticarmos outra técnica de Musubi.

 

 

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