sexta-feira, 3 de setembro de 2010

 

Textos e Ensaios de Jordan Augusto            


 

Medicina Oriental

O Efeito Diamante

(Por Jordan Augusto)

Para muitos, é apenas uma expressão que foi encontrada mediante acontecimentos no ocidente.

Com o passar dos tempos, os profundos estudiosos do O-Chikara, atribuíram aos direcionamentos em massa para um único ponto o termo “Efeito Diamante”. Nesse efeito, várias diretrizes se direcionam para um único lugar, estabelecendo um fenômeno cuja forma pode ser referida como semelhante a um diamante.

Isso se dá cotidianamente na vida de artistas, políticos e personalidades quando toda a atenção ou sentimentos diversos são direcionados a eles por um grande número de pessoas.

Os japoneses, de uma forma geral, sempre foram místicos e acreditavam em todas as formas de manipulação de energias que lhes coubesse.  

 

Não podemos negar que nós, brasileiros, também crescemos com a idéia de que inveja, mau olhado e uma série de outras coisas pode atrapalhar o sucesso.

O “mau-olhado” é um conceito que existe em praticamente todas as culturas, não sendo portanto, exclusivamente do conjunto de superstições judaicas, nem da Tunísia. Os sefaraditas do Oriente Médio costumam usar uma antiga expressão árabe Mashallah que significa: “Que Deus o livre do mau-olhado” quando saúdam uma criança ou um jovem. Na Turquia, por exemplo, os pais não costumam mostrar um recém-nascido a outras pessoas até que este complete 40 dias, pois a sua beleza poderia despertar inveja. Os italianos, por sua vez, chamam o mau-olhado de mal occhio e, em várias cidades do sul da Itália, é comum a presença de “especialistas”, geralmente mulheres, que supostamente o “afastam” com um ritual feito com azeite de oliva. Outras culturas possuem superstições similares.

O conceito judaico de mau-olhado aparece na Torá e no Talmud, estando presente em inúmeros comentários, apesar de se considerar de modo geral a superstição como sendo uma violação dos valores da Torá.

O budismo Zen é baseado na idéia de que, já que todos os seres sencientes têm uma natureza búdica, para atingir a iluminação é apenas necessário descobrir este buda interior. Já que você já é um buda, você está iluminado no momento em que entender sua verdadeira natureza. Digo que o Zen é mal entendido porque as pessoas muitas vezes acreditam que este "descobrimento" da natureza búddhica interior pode ser atingido sem trabalho. Este não é o caso. A prática Zen real é muito disciplinada e muitos anos de estudo devem necessariamente preceder a liberação "súbita" na verdade.  

 

Parece paradoxal que o Zen, a escola de meditação do Extremo Oriente que mais enfatiza o irracional, atraia mais os intelectuais do que os não-intelectuais. No entanto o Zen, como todas as escolas do budismo, tem uma base racional. Não depende nem da fé nem de dogmas petrificados, mas somente da experiência direta e da observação sem preconceito. Como uma escola budista, contudo, o Zen tem seu alicerce nos insights comuns a todas as escolas budistas, sem os quais o Zen não seria Zen. Essa base comum repousa na experiência, isto é, naquela área onde a ciência e o misticismo se encontram. A única diferença entre esses dois campos de experiência é que a verdade da ciência — sendo dirigida aos objetos externos — pode ser provada de maneira "objetiva", ou melhor, demonstrada, enquanto o misticismo, dirigido ao sujeito, pertence à experiência "subjetiva". O Zen, como todas as escolas budistas, se mantém à parte das opiniões pré-concebidas, dogmas e artigos de fé, juntamente com tudo que normalmente recebe o nome de "religião".

Para muitos, a influência do Taoísmo e suas diretrizes tornaram os japoneses fanáticos pela magia e esoterismo.

Mais profundamente, o Taoísmo se baseia no sistema politeísta e filosófico de crenças que assimilam os antigos elementos místicos e enigmáticos da religião popular chinesa, como: culto aos ancestrais, rituais de exorcismo, alquimia e magia. 

A origem da filosofia do Taoísmo é atribuída aos ensinamentos do mestre chinês Erh Li ou Lao Tsé (velho mestre), um contemporâneo de Confuncio, nos anos 550 a.C., segundo o Shih-chi (Relatos dos Historiadores). Apesar de não ser uma religião mundialmente popular, seus ensinamentos têm influenciado muitas seitas modernas. 

Como no Budismo, muitos fatos da vida de Lao Tsé são lendas. Uma delas é a questão dele já haver nascido velho. Supostamente, ele nasceu no sul da China em volta do ano 604 a.C. Ele tinha uma importante posição no governo, como superintendente judicial dos arquivos imperiais em Loyang, capital do estado de Ch'u.

Por desaprovar a tirania dos regentes de seu governo, Lao Tsé veio a crer e ensinar que os homens deveriam viver uma vida simples, sem honrarias ou conhecimento. Sendo assim, ele renunciou o seu cargo e foi para casa. 

Para evitar a curiosidade de muitos, Lao Tsé comprou um boi e uma carroça, e partiu para a fronteira da província, deixando aquela sociedade corrompida para trás. Ao chegar lá, o policial, um de seus amigos, Yin-hsi, o reconheceu e não o deixou passar. Ele advertiu Lao Tsé que deveria escrever seus ensinamentos, e só assim poderia cruzar a fronteira na região do Tibete. 

Na atualidade, o Taoísmo está dividido em dois ramos: o filosófico e o religioso.

O Taoísmo filosófico é ateísta e se diz ser panteísta. Ele trata levar o homem a uma harmonia com a natureza através do livre exercício dos instintos e imaginações.  

 

O Taoísmo religioso é politeísta, idólatra e esotérico, pois consulta os mortos. Ele teve início no segundo século, quando o imperador Han edificou um templo em honra a Lao Tsé, e o próprio imperador ofereceu sacrifícios a ele. Somente a partir do século VII é que o Taoísmo veio ser aceito como religião formal.

O Taoísmo religioso possui escritura sagrada, sacerdócio, templos e discípulos. Também crêem numa nova era que haverá de surgir e derrotará o sistema estabelecido. Com o tempo, o Taoísmo aderiu deuses ao sistema religioso, crença do céu e do inferno, e a deificação de Lao Tsé.

Antes do Comunismo tomar a China, para cada 11 chineses, um era taoísta. Suas práticas animistas têm diminuído na China, mas continua grandemente nas comunidades chinesas da Ásia. Apesar de não ser uma religião oficial nos Estados Unidos, seus princípios filosóficos são encontrados na maior parte das seitas orientais no Ocidente.

Atualmente, a religião conta com cerca de três mil monges e 20 milhões de adeptos em todo o mundo, sendo muito popular em Hong Kong, com mais de 360 templos.

Os taoístas acreditavam que por meio de certos atos e palavras, e por interferência de espíritos (demônios), efeitos e fenômenos contrários às leis naturais. Os discípulos de Lao Tsé diziam ter poder sobre a natureza e se tornaram adivinhos e exorcistas.

Na Torá quando Jacob mandou seus filhos para o Egito para trazer algumas provisões (Gênesis, 42), instruiu-os a entrar na cidade por portões diferentes. Por quê? Se todos os irmãos, que eram excepcionalmente belos e fortes, entrassem juntos por um mesmo portão, poderiam provocar nas pessoas que os vissem sentimentos de inveja, “provocariam o ayin hará”. José também é imune ao ayin hará, pois foi abençoado por Jacob (Gênesis, 49:22) para estar acima do mau-olhado, assim como seus filhos Efraim e Menasseh (Gênesis, 48:16). Pode-se, então, deduzir que o ayin hará não é mera superstição.  

 

Os sefaraditas costumam usar um amuleto em forma de mão como “proteção” contra o mau-olhado. A chamsa - mão -, em árabe, ou chamesh, o número cinco em hebraico (representando os cinco dedos da mão), é um amuleto antigo e popular contra o mau-olhado, assim como os fitilhos vermelhos e azuis que muitas mães amarram na roupinha de baixo dos bebês ou de seus berços.

O peixe, segundo o Talmud, é um outro símbolo que também representa proteção contra o mau-olhado. Como os peixes vivem dentro d´água, não estão na mira de olhares mal-intencionados. Já, na Turquia, Grécia e Tunísia, assim como em grande parte do Oriente Médio, usa-se um colar com um olho azul, que “age” como um espelho, refletindo e “confundindo” o “mau-olhado”.

No Brasil rural, uma caveira de boi espetada num tronco, um boneco feito de paus e roupas velhas, algumas rezas, uma ferradura ou um ramo de alecrim formam o "exército" de que o homem do campo ainda se vale para enfrentar as forças da natureza. Sitiantes de Tatuí, no interior de São Paulo, usam a ossada da cabeça do boi para espantar a inveja e o mau olhado, servindo também para proteger a horta dos ataques de pulgões e borboletas e tirar a ferrugem da couve.

Na minha busca por uma especialização na arte do O-Chikara, orientado por Shiniyuki Sensei, preparei uma tese (que citei em outro artigo) que em determinada parte falava do direcionamento do reflexo de energias extra-sensoriais.

Para o dito popular, muitas ferramentas podem ser úteis contra tal energia.  

 

Os amuletos ou talismãs são objetos de proteção que podem nos auxiliar em nosso  dia-a-dia. Sua origem remonta aos tempos da colonização do Brasil extraídos das tradições indígenas orientais e africanas. É bastante viável que tenha havido mudanças em seus formatos ao longo dos anos, mas, mesmo assim, o poder que deles emanam continua inalterado.

Além de atrair sorte, os amuletos também servem para afastar qualquer tipo de energia negativa. Para que o mesmo tenha um poder ainda maior, o ideal seria ganhá-lo de presente. Mas você também pode comprá-los em casas especializadas, como casa de umbanda, por exemplo.

OLHO-DE-CABRA - não é o olho do animal. Trata-se de um amuleto que é feito através das sementes vermelhas e pretas da planta chamada olho-de-cabra. Carregá-lo dentro da carteira vai afastar toda a inveja que estiver atrapalhando a sua vida.

PÉ DE COELHO - o coelho é considerado símbolo de fertilidade, portanto, quem tiver um pé de coelho como amuleto estará afastando as más energias que impedem a fertilidade em qualquer campo da vida, como na família, no amor e nos negócios.

FIGA - geralmente são feitas de metal ou madeira e indicam o gesto de colocar o dedo polegar entre o indicador e o médio. Atrai proteção e energia positiva, além de afastar a inveja e o mau-olhado de qualquer pessoa.

 

Em 1705, o Tribunal Rabínico da Tunísia foi presidido pelo Grande Rabino Simah Sarfati. Natural do Marrocos (apesar de o nome Sarfati indicar origem francesa), Rabi Simah, de repente, adoeceu gravemente, tendo sido diagnosticado como portador de uma doença incurável. Uma noite, Eliahu Hanavi, que segundo a tradição judaica assiste a todos os nascimentos, apareceu em sonho diante de Rabi Simah e lhe receitou um remédio: a cada nascimento de um menino, ele deveria organizar uma noite de estudos do Zohar (O Livro do Esplendor), no sétimo dia, véspera da Brit Milá. Essa noite de estudos acabou sendo conhecida como Billada (em ladino, castelhano ou português antigo: velleda, velada) e perpetuou-se no judaísmo tunisiano até os dias de hoje. Rabi Sarfati curou-se e foi para Jerusalém, através de Istambul. Faleceu em 1717 e foi enterrado no Monte das Oliveiras.  

 

Se seguir a verdade básica e a deixar ser tão espontânea como ela é, então compreenderá o que não tem começo nem fim, penetrando o universo. Isso é muito sutil e complicado. Os taoístas chamam de conhecimento dos sábios, os confucionistas de comunicação espiritual e os budistas de iluminação silenciosa. Todos são termos para indicar a verdadeira consciência, a acurada consciência, a grande consciência, a consciência primordial. A consciência sem esta percepção é chamada de falsa consciência. A não ser que a falsa consciência seja eliminada, ela obscurecerá a verdadeira percepção. [...] Mesmo quando o obstáculo da dúvida é removido, há ainda o obstáculo do princípio, que é ainda mais pernicioso para o caminho. O obstáculo é causado pelo apego individual e parcialidade, o que impede a compreensiva percepção. O obstáculo dos confucionistas é a materialização, o obstáculo dos confucionistas é inexistência, o obstáculo dos budistas é o vazio. [...]

Todos aqueles obstruídos pelos três obstáculos da materialização, da inexistência e do vazio são incapazes de se reconciliar com os três ensinamentos do confucionismo, do taoísmo e do budismo. Daí resultam diferenças sectárias e disputas. Os confucionistas criticam a inexistência dos taoístas; os taoístas criticam a vacuidade dos budistas; os budistas criticam a senda dos confucionistas — e assim vai infindavelmente, para trás e para frente. Não compreendem que a base é realmente uma só, mesmo que as doutrinas sejam diferentes. A percepção deles está dividida porque estão obstruídos pelos seus princípios. O obstáculo da materialização leva à ilusão, o que torna difícil o despertar. O obstáculo da inexistência leva ao definhamento, no qual não há realismo. O obstáculo do vazio leva ao quietismo, que reverte para o niilismo. Os antigos sábios eram realistas todavia abertos, vazios todavia realistas. Viam que o vazio não é o vazio, que o vazio não esvazia coisa alguma. Este é o caminho supremo. É alcançado pela integração. Somente por sucumbirmos diante do obstáculo do princípio que não conhecemos a isso. Deste modo, os discípulos do caminho devem ser cuidadosos. [...]

Na ausência de compreensão, toda a sorte de argumentos diferentes, opiniões e teorias surgem, resultando em diferentes escolas e seitas, cada uma sustentando um ponto de vista e repudiando outros. Teimosamente agarradas às suas teorias, elas atacam umas às outras; cada uma sustentando o seu ponto de vista, elas argumentam e asseveram as suas próprias doutrinas. Elas todas querem ser protetoras do caminho, mas embora não o digam, elas vão aos extremos. A mente que compreende o caminho é inteiramente imparcial e verdadeira.

Um pesquisador japonês  — Masaru Emoto — diz ter provado que pensamentos e sentimentos afetam a realidade física. A maior de suas descobertas é a influência do pensamento e das palavras na transformação das moléculas da água.

Segundo ele e os seus seguidores, a energia humana vibracional, os pensamentos, as palavras, as idéias e a música afetam a estrutura molecular da água. Para muitos, a estruturação da meditação quando esta é direcionada, é capaz de afastar qualquer energia que não seja bem vinda.  

 

Dentro do aspecto do Taoísmo, seu credo é: “Sujeite-se ao efeito e não busque descobrir a natureza da causa.”

A doutrina básica do Taoísmo se resume em uma forma prática, conhecida como as “Três Jóias”: compaixão, moderação e humilhação. A bondade, simplicidade e delicadeza também são virtudes que o Taoísmo busca aparentar às pessoas.

Os ensinos de LaoTsé eram, em parte, uma reação contra o Confucionismo humanístico e ético daquele tempo, o qual ensinava que as pessoas só poderiam viver uma vida exemplar se estivessem em uma sociedade bem disciplinada, e que se dedicassem aos rituais, deveres e serviços públicos. O Taoísmo, por sua vez, enfatizava que as pessoas deveriam evitar todo tipo de obrigações e convívios sociais e se dedicassem a uma vida simples, espontânea e meditativa, voltada à natureza. Por isso, o imperador Shi Huang Ti mandou queimar os livros de Confuncio. 

Segundo os ensinamentos do Taoísmo, o Tao (caminho) é considerado a única fonte do universo, eterno e determinante de todas as coisas. Os taoístas crêem que quando os eventos e coisas são permitidos existir em harmonia natural com a força macro-cósmica, então existe paz.

Eles consideram também que tudo no mundo é composto pelos elementos opostos Yin e Yang. O lado positivo é o yang, e o negativo, o yin. Esses elementos transformam-se, complementam-se e estão em eterno movimento, equilibrados pelo invisível e onipresente Tao. Yang é a força positiva do bem, da luz e da masculinidade. Yin é a essência negativa do mal, da morte e da feminilidade. Quando esses elementos não estão equilibrados, o ritmo da natureza é interrompido com desajustes, resultando em conflitos. Eles ensinam que, da mesma forma que a água se modela dentro de um copo, o homem deve aprender a equilibrar seu Yin e Yang a fim de viver em harmonia com o Tao.

O filme “Guerra nas Estrelas” foi baseado na filosofia taoísta em que a força universal existe e as pessoas determinam se a usam para o bem, ou para o mal.

Esta filosofia vai contrária a Teologia Bíblica. Deus é onipotente e a fonte de todo o bem. Lúcifer, hoje Satanás, foi criado por Deus, e por isso tem limites quanto à sua autoridade e poder. Como fonte do mal, o Diabo se opõe ao reino de Deus. Ele não é, nunca foi, e nunca será igual ou se harmonizará em sua oposição a Deus. 

Embora formulado há mais de 2.500 anos, o Taoísmo influencia a vida cultural e política da China até hoje. Suas manifestações mais populares são o chi-kung, arte de autoterapia; o wu-wei, prática da inação; yoga; acupuntura; e as artes marciais wu-shu ou kung-fu.

De uma forma ou de outra, “pequenas dúvidas levam a pequenos despertares. Grandes dúvidas levam a grandes despertares." Sem perguntas, não obtemos respostas. Sem dúvidas, não temos pontos de acesso a novas informações. Quem tem certeza de tudo não aprende nada. Nunca tenha medo de fazer uma pergunta, já que, definitivamente, o darma pode responder a todas as questões.

No budismo Ch'an, as dúvidas são utilizadas como técnica de meditação. Os mestres Ch'an nos aconselham a sondar e explorar as sensações de dúvida. Por centenas de anos, eles têm dito que as áreas mais obscuras do nosso ser são fontes incríveis de energia que não aproveitamos. Vastos estados de samadhi (concentração) podem se descortinar se ultrapassarmos as palavras e mergulharmos fundo nas reservas primordiais de fascínio e dúvida que jazem no fundo do nosso ser. As perguntas, na meditação Ch'an, são elaboradas para que nos aprofundemos nessas jazidas de prodígio e sabedoria. Os mestres Ch'an aconselham a fazer amizade com as dúvidas. Sugerem também que nos perguntemos: "Como era meu rosto antes de nascer? Quem é esse ser que está cantando o nome do Buda?" [...]

Os praticantes do Ch'an devem aprender a se deixar guiar pelo "não-pensamento". O não-pensamento é a mente do principiante, que encara todas as situações sem preconceitos e sem desejo por um resultado predeterminado. O não-pensamento é a mente original que reage à vida sem cobiça, raiva ou ilusão. O não-pensamento é a pura pureza interior que já é a natureza búdica. Aquele que age inspirado por essa natureza não é diferente de um Buda. [...] Em suma, para ver a natureza búdica, deve-se abandonar a ilusão e não ter desejo nem apego. Dessa forma, será possível "respirar com o mesmo nariz que o Buda". Um dia, na época da dinastia T'ang, o mestre Ch'an Chih-wei (?-680) recitou o seguinte poema a seis discípulos:

Não se aferre aos pensamentos
Pois pensamentos são como o rio da vida e da morte
E fluem apenas rumo aos vastos mares dos seis reinos.
A única forma de se libertar dessa corrente
É não se apegar às próprias opiniões.

Seu discípulo Hui-chung respondeu, também em versos:

Todos os pensamentos brotam da ilusão,
Sua natureza é a única coisa que não tem começo nem fim.
Quando se compreende isso,
A corrente de pensamentos cessa por si só.

Mestre Chih-wei disse:

Nossa natureza é vazia,
Nossa individualidade é gerada por condições da ilusão.
Como deter a ilusão?
Retorne ao assento do vazio.

Hui-chung replicou:

O vazio é o verdadeiro corpo;
Como poderia a individualidade existir?
Não é necessário deter a ilusão quando sabemos
Como utilizar o barco da sabedoria
Para navegar a corrente de nossos pensamentos.

Mestre Chih-wei ficou tão satisfeito com a resposta que, no mesmo instante, nomeou Hui-chung abade de seu templo.  

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