O Kaze no Ryu Bugei veio
para o Brasil trazido pela família Ogawa, cuja trajetória pode ser verificada em
nosso site com mais detalhes — não abordadas aqui para evitar repetições
desnecessárias.
Há indícios da história no
que se refere ao desenvolvimento das técnicas pelo próprio Ogawa Hiroshi. Assim,
dizem que até a década de 70 no Brasil, nossa linhagem era chamada também de
Ogawa Ryu, pois muito se desenvolveu em termos de eficiência devido ao nosso soke.
É possível, portanto, ver
diferenças no que tange ao Kakuto no Bujutsu (forma real da guerra) quando
comparado o Kaze no Ryu do Brasil e de outros países que tivemos oportunidade de
conhecer. Porém alguma coisa ainda fica no ar. Conversando com antigos
praticantes das décadas de 60 e 70, hoje já mais velhos, chegamos a um consenço
– que Ogawa sensei ensinava o Koryu seiteigata, mas a sua verdadeira paixão se
restringia à forma real da guerra. Muitos problemas pessoais foram salientados
em relação a Ogawa Sensei e seu país de origem, que o rejeitou por 15 anos e
depois reconheceu a sua competência e inteligência técnica, superando os
problemas pessoas que ocorreram. Logo, o Japão se mostrou humilde em aprender
com os praticantes japoneses imigrantes. Essa foi uma fase de ouro para o
Brasil, onde incomensuráveis oportunidades surgiram a partir de encontros e
festividades, o que possibilitou uma troca de conhecimentos e, supõe-se, uma
reestruturação do que chamamos de Kaze no Ryu Bugei.
Talvez o mais correto
fosse ser chamado de Kaze no Ryuha, embora isso não seja cogitado pelos mais
velhos.
Shidoshi Jordan nasceu em
74, e juntamente com os outros de sua turma, tiveram acesso há apenas histórias
repassadas por praticantes antigos, o que para nós e para ele, como estudioso,
não atesta em nada a veracidade dos fatos. Assim, na SBB, ensina-se as
seqüências ensinadas por Ogawa Sensei pertencentes ao Koryu Seiteigata.
A verdade é que existem
nessa estruturação de disciplinas muitas teóricas, como filosofia, meditação,
estudos de ki, pintura, teatro, chá, etc... Além disso, por possuir uma ligação
religiosa mantida até hoje, muitas são pertencentes a essa cultura, como
mitologia, orações, cantigas tradicionais, ... , o que amplia, inevitavelmente,
a número de disciplinas estudadas.
Compreende-se então que
para ampliar e aperfeiçoar o estudo nas artes do Koryu, muitas disciplinas foram
acrescentadas, algumas inclusive atingiram sua especialização no Brasil pela
nossa linhagem. Então, as 18 disciplinas do bugei Juhapan inspiraram a
introdução em função de aspectos culturais, aprofundando nos conhecimentos
intelectuais, visto que Ogawa Sensei era sonhava em contruir uma espécie de
"universidade"que ensinasse toda a cultura japonesa tradicional.
Muitos se investiu, ao
longo de todo esse tempo, em cursos e seminários, com professores das
respectivas ''áreas”, vindos do Japão, para que o projeto gerasse frutos. Enfim,
podemos afirmar que, nos dias de hoje, muito se perdeu, e desse projeto, de
maneira ativa, hoje (ensinadas de fato em aulas), há 30 matérias. As restantes
são vistas como disciplinas extras ou à parte, e que eventualmente são abordadas
em cursos mais simplificados ou de curta extensão.
Por isso o Kaze no Ryu
possui essa vasta quantidade de disciplinas, que abrangem artes físicas
(marciais ou não) e mentais ou espirituais.