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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
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Para
se pintar o Sumie é necessário um misto de controle e espontaneidade. Deve
haver a harmonia interior que guia a mão, conduzindo o pincel a uma expressão
cheia de sentimentos.
Mais
uma vez, Sumie é tradicionalmente um exercício espiritual, assim a meditação
e planejamento são predominantes. Por exemplo, dissolver a tinta na pedra
torna-se um tempo para contemplação. Isso é feito em um movimento na forma de
oito, constantemente levando e trazendo a tinta (oceano) na superfície da pedra
(terra).
Aprender
o processo real de pintura com um pincel de Sumie é difícil, mas gratificante
no final. O pincel é segurado em 90o em relação ao papel, entre o polegar, o
indicador e dedo médio. Preferencialmente deve ser segurado no centro do cabo,
de modo que o braço fica quase paralelo à superfície da pintura. Quando se
faz pinceladas, a mão e o pulso não se movem, e sim o braço.
Pinceladas
e Cores
O
artista deve aprender a usar a tinta livremente com uma pincelada controlada.
Eles devem ser capazes de capturar a essência ou espírito do tema em suas
pinturas. Para evocar a poética da natureza, os pintores criam linhas e formas
belas por meios de pinceladas usando muitas técnicas e métodos, trazendo vida
ao tema. O fluxo e o espalhamento de tinta no papel de arroz é a idealização
da forma em si. A essa técnica básica, a cor pode ser adicionada. As fontes
dessa cor são variadas, incluindo jade em pó, pérola branca, malaquita da
terra e outros pigmentos naturais como o rattan amarelo e índigo. Uma parte
integral da composição é o carimbo vermelho (hanko), que expressa o nome do
artista. Carimbos adicionais podem ser somados como indicações da cidade ou
filosofia.
Primeiros
Temas
A
pintura trata simplesmente da força de sua inspiração básica. Temas da
natureza são o assunto principal, mas os pintores não tentam imitar, copiar ou
dominar a natureza. Ao invés disso, eles apreciam cada aspecto dela e desfrutam
de cada processo natural. Eles buscam a harmonia com o universo através da
comunhão com todas coisas. A beleza artística freqüentemente reside no que é
natural e tem personalidade. Se observarmos essas pinturas com o pensamento e
coração abertos, seu significado interior lentamente tornar-se-á aparente.
A
princípio, o estudante pode permear quatro temas clássicos: bambu (take),
crisântemo (kiku), orquídea (ran) e flor de ameixeira (ume). O aluno de Sumie
deve passar por cada um dos temas acima. Para arriscar as pinceladas
características do crisântemo, por exemplo, ele deve primeiro dominar as
nuances do bambu. Além de abordar diferentes técnicas, o estilo Sumie envolve
três tonalidades, obtidas a partir da mistura do sumi (tinta) e da água. Para
se ter o tom puro, adiciona-se uma colher de água à tinta. O mediano resulta
da união do sumi e um pouco de água numa vasilha. A tonalidade clara surge do
aumento da quantidade de água na mistura.
O
Sumie consiste em poucas pinceladas, apenas o suficiente para representar o
tema, conferindo-lhe uma elegância simples. A economia do estilo levou o Sumie
a ser freqüentemente mencionado como o haiku de pintura, pois sua forma
abreviada é similar ao micro-poema. A natureza dos materiais e técnicas de
Sumie não permite re-trabalho ou correção de erros, assim as pinturas
imperfeitas são destruídas. Isso resulta num esforço oculto por atrás da
pintura final.
Isso
é muito importante, pois é comum verificar que alunos iniciante,
principalmente os ocidentais, possuam um impulso para corrigir traços que não
saiam de acordo com o imaginado em primeira instância. É a influência da
pintura a óleo exercida sobre o inconsciente, mesmo em alunos que não tiveram
anteriormente nenhuma aula de pintura.
*Texto
retirado do livro "Sumie - Um Caminho para o Zen" (Jordan Augusto,
2002)
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