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A
pintura à tinta desenvolveu-se da elegante caligrafia chinesa. A pincelada que
forma o caractere para o número um torna-se o tronco e os ramos da árvore do
bambu. Se observarmos bem a palavra cavalo, em chinês, podemos ver as pernas, o
rabo e a crina. Assim, podemos dizer que a própria caligrafia se originou de
desenhos que facilitassem as pessoas identificarem o que aquele caractere queria
expressar.
As
pinceladas aprendidas na caligrafia são as mesmas aplicadas na pintura e, por
esse motivo, a caligrafia e a pintura Sumie podem ser consideradas artes
gêmeas. As técnicas fundamentais para uso do pincel são mais bem absorvidas
pelos praticantes de caligrafia do que por outro aluno que não estuda essa
arte.
No
entanto, é muito comum que os praticantes da pintura Sumie já sejam
praticantes da caligrafia, uma vez que, na maioria das vezes, os pintores
acrescentam em suas obras alguns caracteres poéticos ou descritivos ao
terminarem.
Dentro
da pintura zen do Sumie, o artista deve aprender a usar graciosamente a estocada
do pincel no papel, de forma controlada. O excesso e a falta de força podem
distorcer a pintura. No Sumie, a meta é capturar a essência, o ki (energia
vital), o espírito ou a vida do assunto da pintura, evocando a poesia e a
natureza.
Na
pintura com o pincel, este deverá estar perpendicular ao papel, quase em um
ângulo reto à mão, estando firmemente agarrado a uma distância considerável
do ponto pelo polegar, indicador e dedo médio.
Durante
o processo de desenho, os dedos permanecem quase imóveis e o trabalho é
realizado pelo braço, que deve deslizar no ar, ou seja, não deverá estar
apoiado. Embora isso possa soar um tanto incômodo para os praticantes da arte
sumie, é a forma tradicional de ser feita. E como um antigo e sábio mestre
diz: “Se segurando o pincel desta maneira parece incômodo, também a isso
acostuma-te”.
*Texto
retirado do livro "Sumie - Um Caminho para o Zen" (Jordan Augusto,
2002)
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