sexta-feira, 21 de novembro de 2008

 

O Sumie e a Caligrafia           


A pintura à tinta desenvolveu-se da elegante caligrafia chinesa. A pincelada que forma o caractere para o número um torna-se o tronco e os ramos da árvore do bambu. Se observarmos bem a palavra cavalo, em chinês, podemos ver as pernas, o rabo e a crina. Assim, podemos dizer que a própria caligrafia se originou de desenhos que facilitassem as pessoas identificarem o que aquele caractere queria expressar.

As pinceladas aprendidas na caligrafia são as mesmas aplicadas na pintura e, por esse motivo, a caligrafia e a pintura Sumie podem ser consideradas artes gêmeas. As técnicas fundamentais para uso do pincel são mais bem absorvidas pelos praticantes de caligrafia do que por outro aluno que não estuda essa arte.

No entanto, é muito comum que os praticantes da pintura Sumie já sejam praticantes da caligrafia, uma vez que, na maioria das vezes, os pintores acrescentam em suas obras alguns caracteres poéticos ou descritivos ao terminarem.

Dentro da pintura zen do Sumie, o artista deve aprender a usar graciosamente a estocada do pincel no papel, de forma controlada. O excesso e a falta de força podem distorcer a pintura. No Sumie, a meta é capturar a essência, o ki (energia vital), o espírito ou a vida do assunto da pintura, evocando a poesia e a natureza.

Na pintura com o pincel, este deverá estar perpendicular ao papel, quase em um ângulo reto à mão, estando firmemente agarrado a uma distância considerável do ponto pelo polegar, indicador e dedo médio.

Durante o processo de desenho, os dedos permanecem quase imóveis e o trabalho é realizado pelo braço, que deve deslizar no ar, ou seja, não deverá estar apoiado. Embora isso possa soar um tanto incômodo para os praticantes da arte sumie, é a forma tradicional de ser feita. E como um antigo e sábio mestre diz: “Se segurando o pincel desta maneira parece incômodo, também a isso acostuma-te”.

*Texto retirado do livro "Sumie - Um Caminho para o Zen" (Jordan Augusto, 2002) 

 

 




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