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"Reigi to Saho" é o estudo da
etiqueta dentro do Bugei. Trata-se de uma matéria da maior importância, pois
o Bugei é um meio "militar", que exige do aluno disciplina, respeito
e caráter. Tais virtudes são condições sine qua non para o indivíduo
que decide seguir esse caminho.

A maior de
todas as etiquetas inicia-se no interior de cada pessoa, e é o respeito (sonkei).
Toda questão disciplinar e de etiqueta começa com essa palavra. O respeito é
o princípio de toda a conduta digna de uma pessoa do Bugei. Assim,
para entender os pensamentos e valores do Bugei, é necessário antes ter dentro
de si o respeito verdadeiro por tudo e todos, inclusive por si mesmo (kukimo
sonkei).
Existem dois
tipos de etiqueta – a pessoal e a formal.
A etiqueta
pessoal diz respeito à sua forma de conduta, de pensamento e a seus valores
morais. É a etiqueta construída pela pessoa, dentro
da sua forma de ser. A
etiqueta formal, por sua vez, engloba todo o estudo de normas de conduta social,
que devem ser aprendidas e decoradas, para tornar a pessoa apta a estar em
qualquer ambiente social, tendo como normas desde a maneira de conduzir uma
conversa com alguém à maneira de se vestir.
Embora haja
diferenças culturais entre as regras de etiqueta praticadas no Ocidente e no
Oriente, certas atitudes são universalmente bem quistas, como os cumprimentos,
os pedidos de licença e os agradecimentos. Entretanto, no meio do Bugei, há uma série de sutilezas nos gestos,
palavras e atitudes que indicam se a pessoa está agindo segundo a etiqueta, ou
não.
Alguns
exemplos ilustram as diferenças entre a etiqueta ocidental e a do Bugei. Um
exemplo é o pedido de desculpas. No Ocidente, quando se comete algum deslize
com alguém, naturalmente pede-se desculpas à pessoa. No Bugei, não. Os
mestres do Bugei não aceitam desculpas, pois acreditam que as pessoas que
necessitam dar muitas explicações não são dignas de sua confiança. Seguindo
esta linha de raciocínio, dentro do pensamento japonês esta pessoa um dia
poderá vir a traí-la.
Justificar os
próprios erros é o maior erro dentro do Bugei. A melhor conduta jamais será
dar explicações, pois o silêncio não comete erros, nem os amplia. O
reconhecimento e aceitação de um erro é uma atitude
nobre do ser humano.
Uma outra
questão é quanto a realizar tarefas que não lhes são atribuídas. Pela ótica
do Bugei, isso representa uma grande vergonha para aquele que não executou sua
tarefa. Cumprir
a obrigação do outro muitas vezes é crime passível de morte (através de um
combate, ou até mesmo a realização do ritual de seppuku).
Diante dessas
diferenças em relação à cultura ocidental, é natural que o aluno iniciante
cometa gafes a todo instante, pela falta de conhecimento. Porém, uma vez
corrigido pelos mais graduados, ele deve se esforçar para não errar novamente.
Do contrário, demonstrará displicência, o que é ainda mais grave.
Porém,
o aluno trilhará um caminho verdadeiro se tiver em seu interior os seguintes
atributos: humildade, responsabilidade, educação, respeito e disciplina
interior.
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