sábado, 4 de fevereiro de 2012

 

Ikebana           

Ikebana é a arte japonesa do arranjo floral. A princípio, foi uma arte apreciada pelos aristocratas no período Heian (794-1192) e espalhou-se para as outras classes sociais nos séculos XIV e XVI.

O ikebana apresenta o amor pela linha, e também apreciação pela forma e cor, o que destaca a diferença do arranjo floral japonês com relação aos outros arranjos. Em sua forma mais simples, representa o céu, a terra e o homem. O ikebana simbolizava certos conceitos filosóficos budistas mas, com o passar do tempo, esta arte foi se adaptando ao gênio peculiar do povo japonês. Aos poucos, muito da conotação religiosa foi desaparecendo, dando ênfase ao ensino do naturalismo.

O arranjo é linear na composição, com galhos comuns. No entanto, dá-se ênfase à perfeição linear e ao ensino do naturalismo, tentando passar o ensinamento da compreensão do crescimento natural do material utilizado e demonstrar o amor pela natureza em todas as suas fases. O arranjo floral deve seguir de alguma forma, o tempo e a estação em que se encontra.

O simbolismo do ikebana está muito associado a certas formas florais com a literatura, tradição e costume. Cada feriado nacional possui seu arranjo floral, assim como muitas celebrações familiares tem seu arranjo floral prescrito. É notável que qualquer arranjo floral japonês seja composto de três grupos triangulares de flores ou ramos. Um grupo ereto central, um grupo intermediário que parte em direção inclinada ao da estrutura ereta, e um outro grupo em triângulo invertido, que parte em direção inclinada ao grupo central e oposto ao intermediário.

É raro observar um arranjo floral desprovido de folhagem natural. Geralmente são poucos ramos de uma árvore ou arbusto e algumas flores. As flores mais utilizadas são as que crescem naturalmente no jardim ou no campo, e geralmente são escolhidos botões fechados e folhas que não estejam totalmente desenvolvidas. As razões são duas: enquanto o ramo está em botão, a beleza da linha da haste não é obscurecida e também porque será possível observá-lo desabrochar lentamente.

O ikebana quer transmitir a idéia de crescimento contínuo na vida e vitalidade.
O ikebana deseja alcançar a recriação do crescimento floral, baseando-se na importância da linha, ritmo e cor. É importante citar que os ocidentais dão maior importância à quantidade e cores do material, apreciando a beleza das flores; já os japoneses dão ênfase à linha do arranjo, desenvolvendo a arte com objetivo de incluir hastes, folhas, ramos assim como flores.

A haste principal é que forma a linha central do arranjo, chamado de "Shin", e simboliza o Céu, devendo-se escolher o exemplar mais forte que o arranjador tiver em mãos.

A haste secundária ou "Soe" representa o Homem, parte da linha central é colocada de maneira a produzir o efeito de crescimento lateral, devendo ter cerca de dois terços da altura da haste principal.

A haste terciária ou "Hikae" simboliza a Terra. É a mais curta e é colocada à frente ou ligeiramente no lado oposto ao das raízes das duas outras.


É de grande importância a posição correta de cada haste, podendo-se acrescentar flores para preencher o arranjo. Todas são colocadas de forma firme no recipiente, para dar a impressão de que crescem de uma mesma haste. A escolha do recipiente é muito importante, pois a disposição do arranjo dependerá muito do tamanho, profundidade e largura desse.
Após a escolha do material e das plantas, o passo seguinte é a poda, para adaptar a flor, ramo ou galho ao arranjo.

São empregados recursos físicos e químicos a fim de manter as flores frescas e vivas. O Mizukiri ou corte da haste em água é o mais simples, evitando a exposição ao ar da extremidade podada da haste, evitando a deficiência de sucção de água pelas plantas.

O recurso químico é a utilização de um pouco de ácido clorídrico ou sulfúrico, que diluídos em água, irão refrescar e dar vitalidade às plantas. Outro recurso é esfregar uma pitada de sal na extremidade das hastes. Para obter maior equilíbrio e firmeza, o arranjador poderá fazer uma curva na extremidade da haste ou ramo, devendo torcê-la com cuidado, utilizando ambas as mãos para evitar que se quebre.

Os princípios básicos da arte do ikebana são respeitados e preservados. Poderão existir diferenças de opinião e concepção dependendo das escolas de arranjo floral, mas os princípios básicos são comuns a todas elas.

 

  Topo da Página Voltar Home 

 

As informações contidas neste web site são de uso exclusivo da Sociedade Brasileira de Bugei Ltda. O uso indiscriminado de textos, ensaios, artigos ou imagens com a marca d'água sem prévia autorização dos autores é proibido, sob pena previstas pelas leis de copyright.

2012 © Sociedade Brasileira de Bugei - Todos os direitos reservados - All rights reserved
bugei@bugei.com.br  [Contato - Contact Us]

SOBRE A SBB

 
Quem somos
Currículos
Atuação e Projetos
Corpo Jurídico e Executivo
CNKB
Escolas
Contato
Galeria

SOBRE O BUGEI

 

Origens e Definição

Kaze no Ryu Bugei

Bugei no Brasil

Ogawa Ryu ou Kaze no Ryu?

Disciplinas Físicas

Disciplinas Mentais

Grandes Nomes do Koryu

Japonês 

Textos do Shidoshi Jordan Augusto 

Shodo - caligafia japonesa de Shidoshi Jordan

artigos disponíveis






 

 

Artigos Específicos sobre Koryu

Clique Aqui

 

MAIS...

Cultura e Tradição Artigos

International Encounter 2011

Seção de Sumi-e

Cursos e Seminários Courses and Seminary

Textos, Contos e Crônicas

Cultura e Tradição Japonesas

Documentos Tradicionais

Makimono - Confira Aqui!

Livros, Vídeos e Outros Produtos

Hall of Fame de 2007 a 2011

CD Jordan Augusto y Pedro Lucena

Bugei na Revista Budo International